Sexta, 30 Março 2012 20:58

Bibliotecas públicas estão esquecidas, dizem profissionais

26/03/2012 15:54

Bibliotecários cobram mais atenção do poder público (Foto: Rinaldo Morelli/ CLDF)

As bibliotecas estão esquecidas pelo poder público. Foi o que disse a diretora da Faculdade de Ciências da Informação e Documentação da Universidade de Brasília (UnB), Elmira Simeão, na sessão solene realizada hoje (26) em comemoração ao Dia do Bibliotecário. Mesmo sendo as bibliotecas a matriz da informação e do conhecimento, elas estão abandonadas pelo poder público, criticou.
Elmira lembrou que Brasília já foi pioneira e referência nacional em diversos projetos ligados à área, especialmente nas metodologias de armazenamento das informações, mas que por falta de investimentos públicos a cidade corre o risco de perder essa condição.
A sessão solene, realizada no plenário, foi proposta pelo deputado Joe Valle (PSB), para comemorar os quase 50 anos de regulamentação da profissão que, segundo ele, "forma profissionais que iluminam o caminho que leva ao saber". Valle também propôs a criação de um grupo de trabalho para elaborar uma lei distrital voltada para a definição de uma política para o setor.
A proposta foi acolhida por diversos participantes, em especial pela subsecretária de Políticas do Livro e da Leitura da secretaria de Cultura do DF, Ivana Sant'Ana Torres. Ivana admitiu que a atual situação não é nada confortável e que existem áreas de vulnerabilidade, mas reforçou a necessidade de consolidar o respaldo legal do sistema.
Mas isso só não basta, segundo o deputado Agaciel Maia (PTC), para quem não adiantam políticas públicas se não houver recursos. Para exemplificar, ele argumentou que o orçamento do DF para este ano é de R$ 28 bilhões e que foram destinados apenas R$ 260 mil para a manutenção de bibliotecas e R$ 200 mil para a implantação de unidades em 2012.
Antonio José Oliveira Silva, presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia, reconheceu que nesses 50 anos de existência da profissão foram registrados muitos avanços, mas que não se pode parar de investir. Avaliou que até 2020 vão ser necessários mais 178 mil profissionais para corresponder às demandas e enfatizou a importância de fazer-se um pacto para a criação e manutenção de bibliotecas escolares.
Casa do Saber - O empresário e coordenador da Casa do Saber, Antônio José Matias de Sousa, lembrou que aqueles que consideravam que livros não combinam com postos de gasolina hoje não têm o que dizer ante a arrecadação de 2,8 milhões de livros desde 2007, quando o projeto foi implantado, e a frequência mensal às unidades de 200 mil usuários.
O diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Emir José Suaiden, afirmou que a informação é sinônimo de geração de emprego e renda, ou seja, de riqueza, e, mais que tudo, investir em bibliotecas é "uma questão de consciência cívica".
A necessidade de trabalhar em conjunto, para alavancar as bibliotecas do DF, foi defendida pela diretora da Biblioteca Central da UnB, Neide Aparecida Gomes. Também se manifestaram o presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, Jefferson Higino Dantas, e a diretora geral de Recursos de Informações do Centro de Informação para o Brasil, Colômbia, Paraguai e Venezuela, Carol Brey-Casiano.
Donalva Caixeta Marinho - Coordenadoria de Comunicação Social  - Câmara Legislativa de Brasília