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Domingo, 04 Setembro 2011 01:36

PACTO PELA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA: algumas considerações

Entre as inovações que o XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia - CBBD apresentou, uma foi a convocação feita as entidades de classe: associações, sindicatos e conselhos, pelo Sistema Conselho Federal de Biblioteconomia e Conselhos Regionais de Biblioteconomia - CFB/CRBs,  para uma reunião com o objetivo de discutir e refletir sobre a Biblioteconomia no Brasil e a profissão de bibliotecário. Por que esta convocação? O cenário da Biblioteconomia brasileira se apresenta com vários fatores que indicam ameaças e oportunidades, como foi dito na pauta da convocação.

A ABDF esteve presente na reunião e entregou a presidente do CFB, Nêmora Arlindo Rodrigues, um documento com algumas considerações sobre os pontos que constavam da pauta de discussão. Um deles dizia respeito ao fato da profissão de bibliotecário estar sob a ameaça de desregulamentação. O assunto é polêmico, tem seus defensores e também tem os que criticam a regulamentação de várias profissões sem um critério definido. Existe uma discussão que já chegou ao Congresso brasileiro e que deve ser acompanhada, pois vai exigir uma ação de advocacy ( ação política no espaço político) de modo a defender conquistas que visam, principalmente, a qualidade dos serviços bibliotecários que são oferecidos a sociedade. Uma dessas conquistas foi, justamente, a Lei que regulamentou a profissão, de modo a garantir que esses serviços sejam executados por bibliotecários devidamente capacitados, registrados nos seus respectivos conselhos regionais, observando o código de ética da profissão e segundo padrões internacionais no trato da informação. A regulamentação da profissão de bibliotecário completa, no próximo ano, 50 anos (Lei 4.084/1962). O mesmo tempo de vida da ABDF, que foi criada também em 1962. Como primeira missão a ABDF representou os bibliotecários brasileiros no Plenário da Câmara Federal que aprovou a Lei. A luta vinha de longa data desde 1959 quando a comissão formada pelos bibliotecários: Abner Lellis C. Vicentini, Antonio Caetano Dias, Bernadette Sinay Neves, Celso Cunha, Cordelia Robalinho de O. Cavalcanti, Edson Nery da Fonseca, Etelvina Lima, Felisbela Liberato de Mattos Carvalho, Flavia R. Accioli Prado, Lydia de Queiroz Sambaquy, Maria Antonieta de Mesquita Barros, Maria Luísa Monteiro da Cunha, Noemia Lentino e Zenaira Garcia Márquez, preparou o anteprojeto da Lei que somente em 21 de junho de 1962 foi promulgada. Quatro anos depois do anteprojeto e 51 anos depois do primeiro curso de Biblioteconomia. O curso de Biblioteconomia já existia desde 1911, nas dependências da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. (RUSSO, 1966)

O curso, portanto, completou 100 anos de existência e teve no XXIV CBBD uma sessão em homenagem. A Biblioteconomia brasileira tem história! E o movimento associativo tem muito haver com essa história.

No que diz respeito a desregulamentação, a ameaça não se refere apenas a profissão de bibliotecário, mas a várias profissões.

No que diz respeito a afirmação de que os bibliotecários estão perdendo mercado de trabalho para outros profissionais que também trabalham com a informação, é bem visível e precisa ser examinada de forma crítica, honesta e despojada de corporativismo. E vale as perguntas: o que esses profissionais têm que o bibliotecário não tem? O que é preciso para que o bibliotecário possa competir de igual para igual? Como neutralizar essas ameaças e aproveitarmos as oportunidades que estão surgindo?

Da reunião pelo Pacto, que se realizou no dia 09/08/2011, saiu um sentimento de que é imprescindível que haja uma mobilização geral para traçar um plano estratégico e de ação. E vários Estados já estão se movimentando, através das Associações, para reunir bibliotecários, estudantes de Biblioteconomia, professores dos cursos e discutirem juntos, levantando sugestões que serão encaminhadas ao CFB. Para tanto será muito importante identificar os fatores que podem ser levados em consideração para a realização desses planos. E para isso é preciso não só examinar as ameaças e oportunidades, mas outros fatores. Refletir sobre esses fatores e responder a estas perguntas que podem ajudar no entendimento do cenário que ora se apresenta :

 Quais são os pontos fortes 1) O que o bibliotecário faz melhor? 2) Que vantagens tem o bibliotecário sobre outras profissões da área? 3) Com que recursos conta o bibliotecário? 4) Qual a imagem do bibliotecário perante o usuário da informação?

Quais os pontos de debilidades: 1) O que o bibliotecário pode fazer melhor? 2) Quais são as criticas feitas ao bibliotecário ou o que a sociedade espera dele? 3) O que faz o bibliotecário ser vulnerável?

Quais as oportunidades: 1) Que oportunidades o bibliotecário está aproveitando? 2) Há tendências emergentes que o bibliotecário pode aproveitar?

Quais as ameaças: 1) É possível que uma das debilidades do bibliotecário possa fazê-lo vulnerável? 2) Que escolhas bloqueiam o progresso do bibliotecário? 3) Está havendo uma mudança no perfil da profissão de bibliotecário? 4) Está havendo algo diferente na postura das entidades de classe? 5) A tecnologia está mudando radicalmente o setor e os serviços bibliotecários? (IFLA, 2011)

 Penso que se refletirmos sobre estas perguntas, sugestões surgirão e ações poderão ser tomadas formando assim um PACTO PELA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA.

Espero sinceramente que tal PACTO venha para melhorar o desempenho profissional; melhorar a interação do bibliotecário com a sociedade; melhorar a interação entre as entidades de classe; traga maior participação no movimento associativo, enfim, mudanças necessárias sob todos os aspectos.

 Faço aqui uma sugestão de leitura: FONSECA, Edson Nery da. Ser ou não ser bibliotecário e outros manifestos contra a rotina. Brasília: ABDF, 1988. 260 p.

 Trata-se de uma antologia, muito bem selecionada pelo mestre Edson Nery da Fonseca que é muito valiosa para todos os que se interessam pela história e pelos problemas da biblioteconomia brasileira. Muito irreverente, mas muito verdadeiro, o profº Emérito da UnB considera a Cultura pedra basilar para a formação do bibliotecário: "Os bibliotecários mais ignorantes que me perdoem, mas a cultura é fundamental". Embora editado em 1988 o livro ainda é muito atual. Vale conferir!


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