Na sociedade atual, o papel das bibliotecas públicas tem chamado a atenção do governo e da população brasileira. Isso pode ser constatado quando observamos as atuais políticas públicas de valorização do livro e da leitura, que priorizam a biblioteca no desenvolvimento da cultura letrada no país. Um bom exemplo disso é o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), criado em 2006. (Clique aqui e leia a reportagem sobre o Plano.)

O que a biblioteca se tornou nos últimos anos? Como torná-la mais interessante para crianças, jovens e adultos? Qual a importância da implementação da lei que institui as bibliotecas escolares em todo o país? Essas questões foram discutidas por Gláucia Mollo, bibliotecária responsável pelo projeto “Leitura em Movimento” da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas (SP). Na entrevista abaixo, Gláucia reforça o papel primordial da biblioteca na escola e na comunidade, além de apresentar sua visão sobre o futuro da leitura em meio ao progresso das ferramentas tecnológicas atuais.

Plataforma do Letramento: Que desafios e conquistas relativos à leitura no país traz a promulgação da Lei nº 12.244, de 2010, que prevê a universalização das bibliotecas escolares no Brasil?
Glaucia Mollo: É um contrassenso saber que a escola, espaço primordial para o ensino da leitura, ainda existe sem a biblioteca. Essa lei promulgada recentemente representa uma importante conquista ao prever que, até 2020, todas as escolas tenham bibliotecas. No entanto, ainda que contribua para a melhoria do ensino, essa iniciativa do poder público isolada não é suficiente. Não basta criar espaços nas escolas, com infraestrutura adequada, e com bibliotecários e auxiliares, se o dia a dia da escola não demanda da biblioteca; deve haver essa necessidade, assim como os educadores, educandos e gestores devem conhecer as potencialidades e formas de utilizar esse espaço. O desafio é fazer com que a biblioteca seja importante para a escola, de modo que a sala de aula necessite desse espaço vital de aprendizado. A biblioteca escolar não é apenas um local de empréstimo semanal de livros de literatura para os alunos; também não é um local de realização de pesquisas e cópias ou de exibição de filmes em dias chuvosos. Ela é muito mais que isso: é um centro de referência e de informação da escola. A biblioteca escolar deve possuir as informações importantes para auxiliar seu público-alvo. Ela organiza essas informações a fim de disseminá-las, de modo que todos possam utilizá-las da melhor forma. As bibliotecas escolares têm funções diferenciadas em relação às bibliotecas públicas, comunitárias, especializadas, universitárias e de outros de tipos. Elas têm por objetivo atender a sala de aula, no intuito de auxiliar o aluno, o professor e os demais profissionais da escola a desenvolverem seus trabalhos de forma mais eficiente – além, é claro, de formar leitores, função das salas de leitura em geral. A biblioteca é o local onde se experimenta a leitura de entretenimento, o estudo, a pesquisa, a informação e o lazer; além disso, é nela que encontramos os diferentes tipos de textos e seus respectivos suportes, para que se possam formar leitores mais conscientes e críticos. Ela é, também, o ambiente ideal para se desenvolver e exercitar as habilidades de leitura e escrita nas escolas. Para que isso ocorra, é necessário haver sintonia com a sala de aula. Nesse sentido, acho muito importante a promulgação da Lei nº 12.244, de 2010, mas precisamos de mais: de que as escolas repensem a importância das bibliotecas para que elas possam, de fato, auxiliar na formação de leitores e não ser apenas, espaços coletivos.   

PL: Como tornar a biblioteca um espaço atraente a todos – estudantes, familiares, comunidade em geral – sem esquecer sua finalidade principal: a promoção da leitura?
GM: As bibliotecas, em geral, não necessitam de uma estrutura complexa para ser eficientes e interessantes. Ela é um local atraente quando tem um acervo de qualidade, frenquentemente atualizado e de interesse de seu público-alvo; também se torna mais atraente no momento em que possui um espaço acolhedor e agradável, com mobiliário adequado, ventilado, iluminado e organizado. Isso tudo, além das ações desenvolvidas por meio da leitura, já justificam a existência de uma boa biblioteca para leitores de todas as idades. Há algo que faço sempre: comparar a quantidade de pessoas que estão em livrarias às que estão nas bibliotecas. Como bibliotecária, é triste constatar que o número de frequentadores das livrarias é muito superior. Mas, por que as livrarias estão repletas de leitores e as bibliotecas, vazias? A resposta é simples: a biblioteca não pode ser um depósito de livros e materiais de leitura desatualizados, sem profissionais especializados e sem investimentos. Ela precisa de condições favoráveis para promover a leitura e formar leitores. Muitas bibliotecas não têm sequer o jornal diário da sua cidade (uma realidade difícil de acreditar); sem esses mínimos materiais, não é possível proporcionar satisfação a seu público. O que falta é investimento e não atividades de toda ordem, que não têm nenhuma relação com leitura. As bibliotecas devem ser, novamente, apenas bibliotecas de verdade, nas quais o leitor encontre o que procura.

PL: Como você vê a relação entre leitura e novas tecnologias nesses espaços educativos e na sociedade em geral? 
GM: As novas tecnologias estimulam o exercício da leitura e da escrita, tanto nas escolas como na sociedade em geral, pois crianças e adultos estão lendo e escrevendo mais, por conta dessas ferramentas. Isso é muito positivo, pois podemos utilizar essas tecnologias em sala de aula. A tecnologia, quando bem utilizada, pode proporcionar novos significados à leitura e à escrita, além de criar novos sentidos em relação ao cotidiano. Entretanto, quem precisa urgentemente se atualizar em meio a tanta informação tecnológica somos nós, professores, bibliotecários e profissionais de gerações passadas, para que participemos mais desse mundo virtual. Hoje uma criança de 3 anos já utiliza um tablet, por exemplo. Essa revolução, com certeza, já proporciona inúmeras oportunidades em relação ao uso da escrita e da leitura às novas gerações. Quanto ao duelo entre o livro em papel e o livro digital, creio que este ganhará a batalha; de acordo com as estatísticas, a procura pelo livro digital está cada vez maior, sendo ele mais compatível com a geração de leitores e escritores que utilizam as novas redes digitais.

fonte: http://www.plataformadoletramento.org.br/acervo-entrevista/428/a-biblioteca-e-seu-papel-na-sociedade-contemporanea.html

O SINPRED é o primeiro Seminário Internacional de Preservação Digital organizado pela Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital - Cariniana. O evento acontece no período de 7 a 9 de maio de 2014, no Brasília Imperial Hotel. A iniciativa é do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Na ocasião, será realizado o III Encontro da Rede Cariniana simultaneamente ao Seminário.

 

Informações: http://sinpred.ibict.br

 

Inscrições: http://sinpred.ibict.br/index.php/sem1/sinpred/schedConf/registration

 

Período: 24 de fevereiro a 15 de abril de 2014.

 

(VAGAS LIMITADAS)

No última quinta-feira, dia 13 de fevereiro, fui assistir à apresentação do modelo de Biblioteca Pública virtual que está sendo lançado pela Xeriph. Há duas semanas, Galeno Amorim anunciou o próximo lançamento de um projeto de bibliotecas virtuais para bibliotecas escolares, e nos últimos dias a joint-venture da Saraiva, GEN, Atlas e Grupo A anunciou nova versão do modelo de seu programa Minha Biblioteca, que já está com três anos de vida.

Por outro lado, pipocam notícias sobre várias alternativas de aluguel e empréstimo de livros eletrônicos. A Amazon tem um serviço que funciona entre proprietários do Kindle e startups como a Oyster e outros almejam se tornar a “Netflix” dos livros. Como se sabe, a Netflix é um sistema de assinatura que permite o streaming de uma seleção já bastante extensa de filmes, séries de TV e congêneres.

Todas essas iniciativas possuem algo em comum, e imensas diferenças entre si.

A Kindle Lending Library está disponível para os que têm conta na Amazon americana e pagam pelo serviço Prime. Nesse caso, podem baixar temporariamente livros da biblioteca de empréstimo e também emprestar seus livros para outro usuário do Kindle. A assinatura anual do Prime custa US$ 79 e oferece algumas vantagens adicionais, como frete grátis (nos EUA). Como tudo na Amazon, é um serviço destinado aos seus clientes e exclusivamente para estes. Ainda não está disponível no Brasil.

Minha Biblioteca foi imaginada inicialmente como uma grande “pasta do professor” legalizada e editada. As universidades contratam os serviços. Os alunos dessas universidades recebiam um login para acessar o acervo digital da instituição do ensino. Essa montava a biblioteca pagando o preço de capa dos livros escolhidos, que ficavam disponíveis “para sempre” (desde que isso exista na Internet…). No modelo de aquisição, cada usuário da instituição pode acessar o título adquirido desde que este não esteja sendo lido por outra pessoa. Ou seja, a instituição de ensino deve calcular pelo menos uma média de exemplares adquiridos de modo a não congestionar o acesso ou fazer filas extensas.

O outro modelo é o de assinaturas, pelo qual a instituição de ensino paga pela quantidade de logins usados. Nesse caso, não há fila de espera.

Recentemente a Minha Biblioteca abriu outro modelo de negócio. Agora pessoas físicas, sem intermediação da instituição de ensino, podem adquirir ou alugar livros pelo sistema. O aluguel varia segundo o tempo e o preço de capa do livro. O aluguel de um livro por todo o semestre pode chegar a 60% do valor de sua compra.

Oyster por enquanto só funciona com cartões de crédito dos EUA. A Nuvem de Livros funciona no Brasil e é exclusivo para assinantes da Vivo. Só funciona com acesso à Internet. Ou seja, além da assinatura (R$ 2,99), há também o custo da conexão e o programa só funciona online.

Nesses vários modelos de bibliotecas com sistema de aluguel, os leitores (pessoas físicas) compram assinaturas que permitem acessar uma certa quantidade de títulos no período, escolhendo entre acervos que crescem continuadamente. Essas iniciativas são todas muito importantes e ampliam o acesso ao livro de forma exponencial. Ainda são embrionárias e, em muitos casos, experimentais.

O modelo das Bibliotecas Digitais Xeriph tem algumas semelhanças com o da Minha Biblioteca, menos na possibilidade de aluguel direto por pessoas físicas.
​A Xeriph / foi a primeira distribuidora e agregadora de livros digitais no Brasil. Segundo Carlos Eduardo Ernanny, seu diretor (que continua no cargo depois que a empresa foi adquirida pelo Grupo Abril), a Xeriph surgiu como uma necessidade depois da fundação da livraria Gato Sabido, http://www.gatosabido.com.br/ que se viu com pouquíssimo conteúdo disponível para vender depois de inaugurada. A criação da distribuidora foi o caminho encontrado para solucionar isso. Hoje, a Xeriph distribui mais de 200 editoras e dispõe de um acervo de cerca de 16.000 títulos para distribuição e comercialização.

O projeto de bibliotecas da Xeriph está destinado a bibliotecas públicas (de qualquer tipo) e bibliotecas empresariais. Em ambos casos, a autoridade responsável (órgão governamental ou o departamento encarregado da administração da biblioteca) adquire o acervo e o programa e recebe o pacote inteiro, que inclui as informações de cada usuário e de cada livro, ferramentas de administração (incorporação de acervo, de usuários, consultas de métricas, etc.) e o link para a app desenvolvida pela Xeriph que é de uso obrigatório para leitura. A Xeriph já desenvolveu apps para iOS e Android (o Windows Phone não foi mencionado) e para desktops.

Os livros disponíveis podem ser os agregados pela Xeriph ou, no caso de outros agregadores, os que as editoras autorizem participar no programa.

Os livros são vendidos pelo “preço de capa” do ebook (ePUB 2 ou PDF). Nesse sentido, a Xeriph atua como uma loja e se remunera com o desconto que lhe foi concedido pela editora. Isso no modelo de compra dos livros.

Mas a biblioteca pode ser usada também pelo modelo de subscrição. Nesse caso, a empresa (ou o órgão governamental), adquire uma quantidade de logins, o sistema registra quantos livros foram retirados e cobra o preço pactuado por esses acessos (não foi revelado o preço, é claro, segredo de negócio e certamente sujeito a múltiplas negociações). Sessenta por cento do recebido é transferido para as editoras, de modo proporcional aos acessos de seus livros.

No caso de venda dos livros, Carlos Eduardo Ernanny declarou ser favorável a uma venda definitiva, perpétua. Mas os editores podem estabelecer também um limite para downloads de empréstimo (modelo que vem sendo adotado por algumas editoras dos EUA). Ou seja, depois de “x” empréstimos o livro não fica mais no acervo e a biblioteca terá que adquiri-lo novamente.

Quando o acervo é vendido, cada exemplar digital só pode ser emprestado a um usuário por vez. Se o livro estiver emprestado, forma-se uma fila. Se esta cresce muito, pode induzir o bibliotecário a adquirir mais exemplares do livro. No caso de subscrição, tal como na Minha Biblioteca, não existem filas. Em todos os casos os usuários ficam com os livros nas suas estantes por duas semanas, e podem emprestar até cinco títulos por vez. No modelo de subscrição, para evitar que o usuário permaneça indefinidamente com o livro, a renovação do empréstimo só pode acontecer 45 dias após o final do empréstimo anterior. Em todos os casos, depois de terminado o período de empréstimo, o sistema automaticamente retira o livro da estante do usuário e o devolve para o acervo digital da biblioteca, abrindo espaço para outro usuário emprestar o volume.
Ernanny informou que, no caso de já existir um sistema de bibliotecas, a “biblioteca mãe” pode centralizar o empréstimo para todos os ramais, sempre dentro dos mesmos princípios: fila para os usuários, acesso imediato para subscrições, dentro da quantidade de logins adquiridos.

A Xeriph apresentou um modelo das páginas de uma biblioteca. O modelo é fixo, podendo mudar apenas no cabeçalho e na cor da barra superior, que podem incluir o logotipo da biblioteca, empresa, etc.

Logo abaixo dessa barra inicial aparece uma fila de livros (existentes no acervo) recomendados pelo sistema. Perguntado, Ernanny informou que essas recomendações são feitas exclusivamente através de algoritmos do sistema, não havendo possibilidade de cobrança para mudança de posição. Ora, sabemos que as livrarias cobram adicionais das editoras para colocação de livros na entrada, em vitrines, em pilhas, e que a Amazon levou esse processo a extremos, com as promoções ditas “cooperadas”. Diante disso, sugiro às editoras, principalmente as pequenas, que vejam se essas condições estão ou não incluídas nos contratos.

A fila seguinte é a de “Recomendações do Bibliotecário”. Nesse caso, é o administrador da biblioteca que seleciona os títulos que recomenda. Pode haver também uma barra com os títulos “mais emprestados” e haverá também espaço para sugestões de aquisição. Alguns sistemas de administração de bibliotecas, como o Alexandria, www.alexandria.com.br por exemplo, permitem que o programa localize de imediato o título sugerido, já que geralmente o leitor informa somente o título, às vezes o autor e quase nunca a editora.

Segundo Ernanny, as editoras terão condições de colocar metadados com informações adicionais sobre seus livros, Mas não foi informado como o sistema irá processar as buscas.
A leitura dos livros será feita exclusivamente através do app desenvolvido pela Xeriph, que já tem incorporado modo noturno e a possibilidade do fundo da página ser sépia, assim como mudar a fonte.

Ao entrar no sistema, o usuário pode verificar a lista de todas as bibliotecas que estão na Xeriph, mas deverá escolher aquela para a qual tem acesso. Poderá, se for o caso, ter acesso a duas ou mais bibliotecas, se estiver inscrito em várias.
Ernanny informou que deve entrar no ar a curto prazo um piloto do sistema, para o comprador que está na etapa final das negociações. O sucesso da empreitada, entretanto, depende certamente da quantidade e qualidade do acervo oferecido. Pela reação dos representantes das editoras presentes, percebi que isso não será problema. É mais um negócio que pode ser viável para os livros já digitalizados.

No caso da biblioteca da Xeriph, acredito que ela possa ter sucesso junto a empresas que ofereçam esse benefício a seus funcionários ou clientes. Pode bem ser um benefício de programas de milhagem ou similares.

Tenho minhas dúvidas quanto à sua implantação em bibliotecas públicas por uma razão bem simples: os impedimentos orçamentários e burocráticos que dificultam o crescimento de acervos nas bibliotecas públicas continuam sendo os mesmos na biblioteca digital. As prefeituras, em sua imensa maioria, não destinam recursos para as bibliotecas, que vivem de doações do público ou recebendo acervos proporcionados pelo governo. Nesses casos, o uso de mecanismos das leis de incentivo fiscal para patrocinar bibliotecas pode ser uma saída.

De qualquer maneira, o simples fato de tirar a necessidade de ir à biblioteca (ou a uma livraria) e facilitar o acesso, já é um grande ponto a favor. Programas de incentivo à leitura são fundamentais, mas sem o acesso a acervos atualizados, de pouco adiantam.

Fonte: oxisdoproblema.com.br

Por Ernesto Spinak

Nos tempos da publicação acadêmica somente em papel, os autores recebiam do editor um maço de separatas (reprints) de seus artigos para distribuir entre os colegas. Porém o mundo mudou para a Web, e com o avanço do modelo de Acesso Aberto muitos autores colocam à disposição versões on-line de seus trabalhos para serem baixados à vontade por qualquer interessado. Então, segundo informado no periódico The Economist de 11 de janeiro, aElsevier iniciou um contra-ataque amparado nos termos da Digital Millennium Copyright Act¹ (DMCA), uma lei Norte-americana que permite quem possuir os direitos intelectuais pode exigir a remoção de qualquer objeto disponível on-line sem sua permissão.

O primeiro alarme soou quando em princípios de dezembro de 2013 a Elsevier enviou cerca de 2.800 e-mails a Academia.edu (um site comercial que compete com o aplicativo Mendeley daElsevier) solicitando que fosse retirado de seu site trabalhos acadêmicos de universidades americanas e canadenses. Além disso, na semana seguinte Elsevier começou a enviar as mesmas solicitações a instituições como a University of Calgary, California-Irvine, UCDavis University, eHarvard.

Imediatamente surgiram vozes em defesa do direito dos autores em publicar em acesso aberto seus trabalhos. As opiniões do lado acadêmico indicam que, em geral somente a versão final de um artigo, tal como aparece no periódico, é que está protegido pelo copyright do editor, mas o mesmo não ocorre com as versões preliminares, opinião com a qual a Elsevier concorda e aceita que estas versões não oficiais possam ser distribuídas livremente se assim desejar o autor.

Esta ação da Elsevier fez soar um alarme na comunidade, pois se percebe o risco de que outrospublishers iniciem esta mesma linha de ação, mesmo que em longo prazo poderia ter efeitos contrários ao acelerar as iniciativas de publicação em acesso aberto por parte das instituições acadêmicas. Até agora, as noticias não dizem se foram iniciadas ações legais, e é a primeira vez que alguma grande editoria tenha dado um golpe importante nos pesquisadores que publicam seus próprios trabalhos online, levando em conta as recentes disposições legais nos EUA e na Comunidade Europeia que requerem que resultados de pesquisa financiada com recursos públicos devam ser publicadas em acesso aberto após um período (opcional e variável) de embargo².

Muitas editoras permitem aos autores a autopublicação (self-archive) dos artigos em seus sites, em geral logo após a avaliação, porém antes da publicação oficial, e nestes casos é frequente que se imponha um período de embargo.

Em vista da confusão que foi criada no seio da comunidade de pesquisadores nestas últimas semanas, a UC Office of Scholarly Communication da Universidad de California publicou uma série de opções e sugestões aos autores em caso de receber uma notificação de retirar trabalhos em acesso aberto, entre as quais se pode destacar:

  • Se não recebeu uma notificação, não deve fazer nada.
  • Se seu artigo está depositado em um Repositório institucional então é o Repositório que deverá analisar a ação que corresponda. Neste caso é importante que o Repositório tenha uma política de acesso aberto declarada.
  • Se publicou em um periódico de uma editorial comercial, leia o contrato que assinou para considerar quais são efetivamente as restrições e as liberdades.
  • Se não conhece as políticas do periódico no qual publicou, pode verificá-las na página da base de dados SHERPA/RoMEO³, onde se indicam com detalhes os graus de liberdade de que dispõe (self-archive, via Dorada, Via Verde, etc).
  • No caso das instituições regidas pela DMCA (e leis similares em outros países) sugere-se proteger-se sob as guias da Sessão 512 da DMCA¹.

A Elsevier e outros publishers no campo da ciência, tecnologia e medicina (STM) claramente consideram que o movimento de Acesso Aberto é uma ameaça a suas enormes margens de lucro, pois como informou a Elsevier, seus lucros em 2012 foram de £780 milhões, dos quais 65% provêm de assinaturas de instituições acadêmicas. Apesar de que os custos de publicação na Internet diminuíram muito, os custos de assinaturas dos periódicos aumentaram cerca de 30% a valores constantes desde 1986.

De sua parte a Elsevier respondeu em seu blog que a prática de enviar solicitações para retirar artigos é feita periodicamente, uma vez que a versão final tenha sido publicada. A razão, segundo Tom Reller, vice-presidente da Global Corporate Relations da Elsevier, é que o objetivo desta ação é assegurar que a versão final publicada seja fácil e rapidamente recuperável através do próprio periódico, de modo a maximizar as métricas de uso, os créditos ao autor e proteger a integridade dos registros científicos.

Reller também sugere que se o autor deseja publicar em acesso aberto, pode fazê-lo mediante a via oficial oferecida pela Elsevier⁴, o que pode ser feito cobrindo-se os custos mediante o pagamento estabelecido. A Elsevier usa o modelo da Via Dourada em mais de 70 periódicos de acesso aberto total e cerca de 1.600 periódicos em modelo híbrido de acesso aberto.

Em outras palavras, se quiser publicar na Elsevier e também em acesso aberto, então poderá fazê-lo se publicar no seu espaço, de outra forma mais cedo ou mais tarde poderá receber uma notificação solicitando que retire sua publicação do site.

Esta nova postura de linha dura por parte da Elsevier seguramente intensificará o debate sobre o futuro da publicação acadêmica, porque graças a Internet os pesquisadores não precisariam seguir com o modelo clássico da publicação acadêmica como a maneira de distribuir suas pesquisas aos colegas. Certamente uma quantidade crescente de pesquisadores começarão a refletir se o sistema tradicional, herdado do papel, não é mais um obstáculo que uma ajuda à pesquisa, e em última instancia se empresas como Elsevier são, de alguma maneira, necessárias.

Um conceito não muito distante do que vem sendo proposto pelo Programa SciELO por 15 anos.

Notas

¹ DMCA, Digital Millennium Copyright Act (DMCA).

É uma lei de direitos autorais (copyright) dos Estados Unidos que implementa dois tratados da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) de 1996, aprovada em 1998 pelo Senado dos Estados Unidos. É caracterizado como delito a produção e difusão de tecnologia, dispositivos ou serviços destinados a eludir medidas que controlam o acesso às obras protegidas. A principal inovação do DMCA no campo do direito de autor é a isenção da responsabilidade direta e indireta dos provedores de serviços de Internet e outros intermediários. A DMCA foi limitada pela lei federalOnline Copyright Infringement Liability Limitation Act (OCILLA) onde se protege os provedores de Internet de responsabilidade subsidiaria, o que se chama “safe harbor”, ao eximir de responsabilidade os intermediários de Internet de infração aos direitos de autor, sob certas regras explicadas na Sessão 512 da DCMA, conhecida como “DMCA 512”. Esta isenção foi aprovada pela União Europeia na Diretiva sobre Comercio Electrónico 2000. A Diretiva dos Direitos de Autor 2001 implementou o Tratado da OMPI de 1996 na UE.

Fontes: http://en.wikipedia.org/wiki/DMCA; http://en.wikipedia.org/wiki/DMCA_takedown

2 SPINAK, E. Os artigos em acesso aberto chegaram para ficar: em menos de 10 anos aproximam de 50% do nível mundial. SciELO em Perspectiva. 2013, Agosto 28. Available from: <http://blog.scielo.org/blog/2013/08/28/os-artigos-em-acesso-aberto-chegaram-para-ficar-em-menos-de-10-anos-aproximam-de-50-do-nivel-mundial/>.

³ SHERPA/RoMEO database of journal policies – http://www.sherpa.ac.uk/romeo/

⁴ Elsevier/ open-access -  http://www.elsevier.com/about/open-access

Referencias

Academic publishing: No peeking…A publishing giant goes after the authors of its journals’ papers.The Economist. 2014, January 11. Available from: <http://www.economist.com/news/science-and-technology/21593408-publishing-giant-goes-after-authors-its-journals-papers-no-peeking>.

BAILEY, J. The Intersection of Copyright and Research. Ithenticate. 2014, January 14. Available from: <http://www.ithenticate.com/plagiarism-detection-blog/intersection-of-copyright-and-research?utm_campaign=blog-alerts&utm_source=hs_email&utm_medium=email&utm_content=11642820&_hsenc=p2ANqtz-8QbQ5-LV9MXOPsxU8OriJCluZ6r_824RPLTd4e_kDGN7N84FF87DdajfNN7LAFsngGNkHBtsxaCCZ6pPpnl_pSLBg3yg&_hsmi=11642820>.

Have You Received an Elsevier Takedown Notice?. UCDavis University Library. 2014, January 9. Available from: <http://blogs.lib.ucdavis.edu/schcomm/2014/01/09/have-you-received-an-elsevier-takedown-notice/>.

HOWARD, J. Posting your latest article? You might have to take it down. Chronicle of Higher Education. 2013, December 6. Available from: <http://chronicle.com/blogs/wiredcampus/posting-your-latest-article-you-might-have-to-take-it-down/48865>.

PETERSON, A. How one publisher is stopping academics from sharing their research. The Washington Post. 2013, December 19. Available from: <http://www.washingtonpost.com/blogs/the-switch/wp/2013/12/19/how-one-publisher-is-stopping-academics-from-sharing-their-research/>.

RELLER, T. A comment on takedown notices (with update). ElsevierConnect [blog]. 2013, December 6. Available from: <http://www.elsevier.com/connect/a-comment-on-takedown-notices>.

The UC Office of Scholarly Communication website summarizes the issues and options should you receive a takedown request from Elsevier. Office of Scholarly Communication. University of California. Available from: <http://osc.universityofcalifornia.edu/2013/12/elsevier-takedown-notices/>.

Sobre Ernesto Spinak

Colaborador do SciELO, engenheiro de Sistemas e licenciado en Biblioteconomia, com diploma de Estudos Avançados pela Universitat Oberta de Catalunya e Mestre em “Sociedad de la Información” pela  Universidad Oberta de Catalunya, Barcelona – Espanha. Atualmente tem uma empresa de consultoria que atende a 14 instituições do governo e universidades do Uruguai com projetos de informação.

Como citar este post [ISO 690/2010]:

O contra-ataque dos gigantes – Elsevier saiu à caça de autores. SciELO em Perspectiva. [viewed10 February 2014]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2014/02/06/o-contra-ataque-dos-gigantes-elsevier-saiu-a-caca-de-autores/

Prezado(a) Senhor(a).

A Editoria da Revista Documentação e Memória gostaria de contar com sua colaboração para o seu próximo número (volume 3, número 6), previsto para ser publicado on line em Maio de 2014, mediante a apresentação de artigo, que pode abordar temas tanto das áreas de história, biblioteconomia, museologia ou arquivologia, quanto de áreas correlatas, baseado em acervos judiciários ou a eles relacionado, para o que esclareço que o prazo para recebimento de artigos estende-se até o dia 28 de fevereiro de 2014.

Para maiores esclarecimentos, pode-se consultar os endereços eletrônicos <www.tjpe.jus.br/Memorial/revista/> ou <www.tjpe.jus.br/web/revista-documentacao-e-memoria/>, bem como o Cartaz em anexo, que se pede sejam divulgados, na medida do possível.

Atenciosamente.


Carlos Alberto V. Amaral 
Editoria da Revista Documentação e Memória 
Memorial da Justiça/TJPE 

O Centro Internacional de ISSN tem o prazer de anunciar o lançamento da versão beta do ROAD, Diretório de Recursos Acadêmicos de Acesso Livre :

http://road.issn.org

O ROAD fornece um acesso livre para o subconjunto de registros bibliográficos ISSN identificando fontes acadêmicas on-line disponíveis em Open Access : revistas, anais de congressos e repositórios acadêmicos. Esses registros , criados pela Rede ISSN ( 88 Centros Nacionais de todo o mundo + ISSN Centro Internacional ISSN ) , são enriquecidos com informações sobre a presença dos recursos acadêmicos indexados em  bancos de dados, etc.:

• busca facetada,

• por país , assunto, serviço de indexação... e, claro, por ISSN , título ...

• indexação em bases de dados,

 • registos bibliográficos ISSN presentes no banco de dados ROAD são livres para download,

 

ROAD têm quatro objetivos principais :

•  prover um único ponto de acesso a diferentes tipos de fontes acadêmicas on-line publicados em todo o mundo e disponíveis gratuitamente ,

• fornecer informações sobre o uso dos recursos de acesso aberto identificadas por um ISSN na comunidade acadêmica ,

• como tal, e uma vez que a cobertura da ROAD é reforçada , para dar uma visão geral da produção acadêmica mundial do Open Access ( para fins estatísticos , por exemplo) ,

• demonstrar novas maneiras de usar o ISSN para a compilação de informações de várias fontes .

 

ROAD continuará a ser desenvolvido ao longo de 2014:

• conclusão da cobertura (identificação retrospectiva de fontes acadêmicas Open Access já presente no ISSN Register),

• adição de novos tipos de recursos (por exemplo : Série monográfica ) ,

• registros ROAD disponibilizados através triplos RDF , utilizando PRESSoo como um modelo de dados,

• Extensão da lista de indexação em  bancos de dados utilizados para o enriquecimento de registros ISSN

  

O ROAD foi desenvolvido com o apoio do Setor de Comunicação e Informação da UNESCO .

 

Comentários são mais que bem-vindos e podem ser enviados para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

(tradução livre de email enviado pelo ISSN)

 
Fonte: FEBAB/IFLALAC
 

Quarta, 15 Janeiro 2014 12:31

Quero ler mais livros esse ano, como fazer?

Número 1 na lista de resoluções de fim de ano de muita gente séria: ler mais livros.

Recebidos os livros de natal, chega a hora de tornar a expectativa realidade. Mas para quem ler não é uma prática, como fazer?

Pessoas são diferentes, então não há um só manual. Vou mostrar para vocês como dá para manter, mês a mês, um volume constante (e com sorte, crescente) de leituras.

DEZEMBRO – LEIA AS LISTAS DE MELHORES DO ANO

Ao final de cada ano, selecione os livros que aparecem com maior frequência nessas listas, te agradaram e você gostaria de ler. Existem muito mais livros e textos circulando no mundo do que somos capazes de tomar conhecimento, então confie nos especialistas e gente com interesses afins para selecionar o joio do trigo.

Basta digitar no google “melhores do ano” e você terá listas e mais listas. É o melhor ponto de partida.

Ou comece por essa incrível lista criada pelo maior bibliotecário-leitor que eu conheço, William Okubo.

JANEIRO: COMPRE LIVROS NAS PROMOÇÕES

As livrarias queimam os estoques de natal nos primeiros meses do ano. Fique atento às promoções e se encontrar algo com preço justo, não hesite. Ter o que ler é elementar para colocar em prática o hábito.

Para esse fim, criei uma lista de livreiros no facebook onde é possível acompanhar as propagandas e chamadas de saldão, além dos lançamentos.

Dias atrás a Cosac Naify, uma das minhas editoras favoritas, mas que costuma vender livros bastante caros, realizou um desses saldos impossíveis. Praticamente fali. Mas é dinheiro bem gasto. Comprar livros, nunca lê-los, é uma possibilidade. Continuar comprando, não é crime.

FEVEREIRO: APROVEITE AS FÉRIAS PARA LER

Muitas pessoas ainda estão em clima de férias e essa é ótima oportunidade para se manter desligado da internet e levar para praia ou parque aquele livro de literatura que você provavelmente não leria no restante do ano.

Aproveite o período de calmaria para dar o pontapé nas leituras. Um livro leva à outro.

MARÇO: NÃO PERCA TEMPO

Depois do carnaval o ano realmente começa, então não perca tempo. Qualquer oportunidade de leitura deve ser aproveitada. Carregue sempre consigo um livro, e não desperdice tempo em filas, engarrafamentos e salas de espera fazendo nada. Leia. Leia antes de dormir.

Iara deu uma ótima dica para quem anda de ônibus, mas sente náuseas: audiobooks. Livros falados também são livros.

ABRIL: COMPRE UM KINDLE

Kindle é vida. Nada pode superar o efeito de ler em um aparato que é feito exclusivamente pra isso. A vantagem do kindle (ou qualquer outro ereader) é que ele por si só serve de estímulo à leitura e não deixa você cair em tentação com as frivolidades de um browser.

Se você não quiser comprar um Kindle, mas já possui um smartphone, dá pra instalar aplicativos de leitura ou o próprio app do kindle. Ou seja, se você tem um dispositivo móvel, não tem desculpa para não ler.

MAIO: VISITE LIVRARIAS

Circule pelas livrarias da sua cidade. Procure as grandes livrarias, aquelas que possuem mais do que best-sellers. Fique de olho nos livros novos, renove sua lista de interesses.

Um macete é sacar a câmera do telefone celular e fotografar as capas dos livros que você achou interessante. Daí você pode fazer uma pesquisa mais profunda em casa, ler resenhas e decidir sobre os títulos.

JUNHO: VISITE BIBLIOTECAS

Depois de ter visitado as livrarias e de posse dos títulos de interesse, visite as bibliotecas da sua cidade e veja se é capaz de conseguir alguns dos títulos anotados.

Pesquisa feita por mim em São Paulo mostra que demora pouco mais de um mês entre um livro ser lançado pela editora e despejado nas livrarias, até ele chegar na biblioteca pública da cidade e estar disponível para empréstimo gratuito.

Um desafio também é sempre que visitar uma biblioteca, levar um livro emprestado. Quando retornar esse, leve outro. Mesmo que não consiga ler ou perca o interesse, você sempre estará se dando uma nova chance de recomeçar.

JULHO: ESTUDE

É uma boa hora de deixar os romances de lado e investir em livros profissionais e técnicos. O que você tem lido sobre sua profissão e área de atuação?

Você pode ir da literatura de aeroporto até a literatura científica. Todas as áreas do conhecimento possuem suas publicações, monografias e periódicos. Que tal um pouco de atualização, para estar a par do estado da arte profissional?

AGOSTO: LEIA BLOGS

Leitura não está só em livros. Blog também é informação, formação e recreação.

Os melhores textos reflexivos de hoje são os publicado em blogs. E sempre digo, o melhor da internet são os comentários. Perca o tempo que for preciso lendo opiniões sinceras e bem escritas, leia diferentes pontos de vista, leia as afrontas nos comentários e tire suas próprias conclusões.

Faça um mapeamento de blogs e autores que escrevem sobre temas que lhe interessam e siga suas publicações.

SETEMBRO: LEIA REVISTAS DE BANCA

Se viu uma revista na banca de jornal e gostou das chamadas das matérias, compre. Não é necessário assinar nenhuma revista, basta comprá-las conforme a demanda. Antes ainda, você pode verificar se essa revista não oferece o conteúdo impresso de graça, online. Muitas fazem isso.

Pra quem tem dificuldades de ler enredos complexos e longos dos livros, as revistas de grande circulação são boa pedida. Mas tente fazer uma seleção qualitativa, revista de sinopse de novela não vale. E quando comprar uma, se esforce para lê-la por inteiro, da primeira à última página.

OUTUBRO: LEIA NO BANHEIRO

Instale um revisteiro no banheiro e largue por lá suas revistas ou livros de contos.

Ler no banheiro não faz mal, desde que com parcimônia.

Também dá pra instalar um ipad atrás da porta e assinar alguns canais das editoras no youtube, pra ver os trailers de livros e entrevistas com os autores.

NOVEMBRO: FACEBOOK E TWITTER TAMBÉM SERVE

Facebook e Twitter funcionam como o grande filtro, textos e sugestões pipocam ali, estamos lendo o tempo inteiro títulos e sinopses. Refine seus contatos e esteja atento ao que os colegas estão lendo e indicando.

Desde sempre, grande parte de nossas leituras são definidas por meio de referências. Então use a rede social como a melhor fonte de leitura, seja livros, artigos ou posts.

BOAS LEITURAS EM 2014!

 

fonte: http://bsf.org.br/author/moreno/

Segunda, 13 Janeiro 2014 18:09

Mas afinal o que é conhecimento?

10 de janeiro de 2014 por Carla Oliveira

Estamos na Era do Conhecimento. Mas, afinal o que é conhecimento? Segundo Carvalho (2012), independente do contexto não é fácil definir o conceito de conhecimento. Apesar de sentir e vivenciar o conhecimento e de ter isso bem claro na mente, não é uma tarefa fácil explicar exatamente o que é o conhecimento.

Este questionamento e estudo a respeito do que é o conhecimento têm sido feito desde os tempos mais antigos, por filósofos como Platão, Aristóteles, passando por Descartes e Locke, até filósofos mais atuais, como afirma Carvalho (2012). A Epistemologia é o ramo da filosofia que se ocupa dos problemas que se relacionam com o conhecimento humano.

Todo esse estudo à respeito do conhecimento gerou e tem gerado uma enorme diversidade de material intelectual e várias discussões, no entanto o grande paradoxo que precisa ser levado em consideração é, segundo Carvalho (2012), o fracasso da nossa parte; a incapacidade de explicar por completo o conhecimento – e isso é uma característica essencial do conhecimento em si (ou, pelo menos, de uma parte importantíssima dele).

Apesar da dificuldade em definir conhecimento, segue a transcrição de algumas definições citadas por Cruz (2002). O objetivo neste caso é oferecer uma visão mais ampla e didática a respeito da definição de conhecimento:

  • Para o dicionário Aurélio: “S.m. 1. Ato ou efeito de conhecer. 2. Ideia, noção. 3. Informação, notícia, ciência. 4. Prática da vida; experiência. 5. Discernimento, critério, apreciação. 6. Consciência de si mesmo; acordo”.
  • Para o dicionário Michaelis: “1. Ato ou efeito de conhecer. 2. Faculdade de conhecer. 3. Ideia, noção; informação, notícia. 4. Consciência da própria existência”.
  • Para a Filosofia: Existem dois tipos de conhecimento:
    • Vulgar: Que é o conhecimento do que.
    • Científico: que é o conhecimento do por que.

Segundo Cruz (2002), a diferença entre esses dois tipos de conhecimento não está nos objetos conhecidos, mas no modo de conhecê-los. Reside principalmente no conhecimento das causas, pois o vulgar apenas constata a ocorrência dos objetos, enquanto que o científico sabe o porquê eles existem. Para Cruz (2002) em vez de apenas constatarmos que um objeto existe devemos saber por que ele existe.

Dado, informação e conhecimento

Segundo Carvalho (2012), dado não é conhecimento; informação é conhecimento e conhecimento não é dado.

Para evitar esse tipo de confusão segue abaixo a definição de dado, informação e conhecimento de acordo com Carvalho (2012):

  • Dado: É o registro de um evento. Pensando no conhecimento de forma hierárquica, o dado é o menor e mais simples elemento dessa hierarquia. Ele é uma unidade indivisível, objetiva e abundante. Por este motivo, o dado é o elemento mais fácil de ser manipulado e transportado, seja em um  meio de transporte concreto (de um lugar para outro), seja de uma forma abstrata (de um sistema para outro ou de uma pessoa para outra).
  • Informação: É um conjunto de dados dentro de um contexto. O contexto é fundamental, pois desempenha o papel de diferenciar um mesmo dado em situações distintas, pois um conjunto de dados não pode passar de um acúmulo de coisas sem significado. Também é preciso a implicação de pelo menos um sujeito para que o conjunto de dados seja coordenado de forma significativa. Além do conjunto de dados, é importante para a definição do contexto uma determinada carga subjetiva. Portanto, uma definição mais elaborada para informação é a seguinte: um conjunto de dados, com determinado significado para o sistema. Apesar da informação, conter uma determinada carga subjetiva, a mesma não pode ser algo decifrável apenas por um sujeito específico. Ela deve poder ser codificada de diversas maneiras, ou seja, ela deve ser tangível para um grupo de pessoas, podendo ser acumulada, processada e compartilhada.  O compartilhamento é de grande importância no que se refere à informação e o conhecimento.
  • Conhecimento: Segundo Davenport (1998, apud CARVALHO, 2012) conhecimento é a informação que, devidamente tratada muda o comportamento do sistema. O conhecimento é o resultado de um processamento complexo e subjetivo da informação, pois quando a informação é absorvida por um sujeito, ela interage com processos mentais lógicos e não lógicos, experiências anteriores, insights, valores, crenças, compromissos e vários outros elementos que fazem parte da mente do sujeito, pois consciente ou não ele usa seu conteúdo psíquico para trabalhar a informação e como base nisso tomar uma decisão de acordo com o contexto no qual ele está envolvido. Neste sentido é possível considerar que o conhecimento se configura nessa tomada de decisão, pois ele está ligado à ação uma vez que ele existe e serve para fazer algo, por isso pode-se considera que o conhecimento é um poderoso agente transformador.

A Figura 1 mostra de forma resumida as características básicas de dado, informação e conhecimento.

05-12-2013 13-27-51

Fonte: Carvalho (2012)

Tipos de conhecimento

Segundo Polanyi (1966, apud CARVALHO, 2012) e Nonaka e Takeuchi (1997, apud CARVALHO, 2012), o conhecimento é formado por uma estrutura paradoxal, na qual se identifica dois componentes aparentemente opostos: o conhecimento tácito e o conhecimento explícito.

Conhecimento tácito

De acordo com Carvalho (2012), o conhecimento tácito não é um conhecimento palpável, e nem explicável. Esse tipo de conhecimento é profundamente pessoal e por este motivo muito mais difícil de ser compartilhado.

O conhecimento tácito [...] é altamente pessoal e difícil de formalizar, tornando-se de comunicação e compartilhamento dificultoso. As intuições e os palpites subjetivos estão sob a rubrica do conhecimento tácito. O conhecimento tácito está profundamente enraizado nas ações e na experiência corporal do indivíduo, assim como nos ideias que ele incorpora. Nonaka e Takeuchi (2008, p.19, apud CARVALHO, 2012, p. 12)

Para Carvalho (2012), o conhecimento tácito é empírico e prático. Seu contexto é do aqui e agora. Aborda as sensações e emoções do individuo, como também suas crenças, intuições, habilidades e experiência informais, modelos mentais e percepções.

Para Cruz (2002), o conhecimento tácito é aquele que todos nós acumulamos dentro de nós mesmos, ele é fruto do aprendizado, da educação, da cultura e da experiência de vida de cada um. Segundo ele, esse tipo de conhecimento é muito comum em qualquer tipo de organização e considera esse tipo como conhecimento como informal. Por esse motivo um dos grandes desafios que qualquer organização tem é o de coletar, organizar e utilizar esse tipo de conhecimento.

Conhecimento explícito

De acordo com Carvalho (2012), o conhecimento explícito é visível e tangível. É possível entendê-lo como o conhecimento codificado em linguagem que apresenta uma estrutura formal e sistêmica que facilita sua transmissão. Isso confere a esse tipo de conhecimento um caráter mais impessoal.

Esse conhecimento pode ser transmitido por palavras, números, fórmulas, ministrados em aulas e palestras, além de poder ser armazenado e transportado em artigos, manuais, livros, planilhas, banco de dados. Segundo Carvalho (2012) o conhecimento explícito pode ser mensurado, além de ser mais racional e teórico.

Para Cruz (2002), o conhecimento explícito é aquele compartilhado, que é passado a outros para que esses também desenvolvam suas habilidades e possam gerar mais conhecimento e ser passado a outros e assim por diante formando uma cadeia de desenvolvimento científico, cultural, organizacional, emocional, etc. Ele considera este tipo de conhecimento como formal.

Conhecimento tácito e explícito

Para Carvalho (2012) o conhecimento não é só tácito e nem só explícito. O conhecimento é a soma desses dois tipos. O Quadro 1 mostra a diferença entre os dois componentes do conhecimento.

CONHECIMENTO EXPLÍCITO

CONHECIMENTO TÁCITO

Objetivo Subjetivo
Conhecimento da racionalidade (mente) Conhecimento da experiência (corpo)
Conhecimento sequencial (lá e então) Conhecimento simultâneo (aqui e agora)
Conhecimento digital (teoria) Conhecimento análogo (prática)
Receita de bolo, partitura de música. Andar de bicicleta, improvisos de jazz.

Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, apud CARVALHO, 2012)

Para Cruz (2002), tomando com base um ambiente organizacional tanto o conhecimento tácito quanto o conhecimento explícito podem ser classificados quanto ao seu uso em três distintos grupos:

  • Conhecimento Estratégico: O conhecimento  estratégico segundo Cruz (2002) serve para avaliar os setores: econômico, político, social, tecnológico, entidades reguladoras, governo, fornecedores, cliente e concorrentes permitindo que qualquer empresa possa tomar decisões de longo prazo, criar cenários, desenvolver estratégias de atuação, definir políticas, criar produtos e definir o modus operandi.
  • Conhecimento Operacional: O conhecimento operacional está diretamente ligado à capacidade de realizar o dia-a-dia da empresa. Por meio dele é possível  coletar, organizar, documentar e gerenciar processos de negócio, pois segundo Cruz (2002), tudo, absolutamente tudo que se faz em qualquer empresa, em qualquer organização, está inserido num processo de negócio.
  • Conhecimento Emocional: um ar mais informal às relações funcionais em qualquer tipo de organização. Segundo Cruz (2002) são convites, notícias sociais, planos de vantagens, comunicados não-oficiais e notícias culturais, porém alguns cuidados devem ser tomados quando a publicação de tais informações. Cruz (2002) considera que é preciso levar em conta aspectos socioeconômicos, culturais, religiosos e políticos que será atingidos por tais conteúdos.

Referências:

  • CARVALHO, Fábio. Gestão do Conhecimento. São Paulo: Editora Pearson. 2012.
  • CRUZ, Tadeu. Gerência do Conhecimento. São Paulo: Editora Cobra, 2002.Fonte

 

FONTE: iMASTERS

O que 2014 vai significar para autores, editores e leitores e ebooks? Hoje eu vou fazer 14 previsões sobre a indústria editorial. Previsões mexem com nossa imaginação. Ao imaginar o que é possível, leitores e autores podem se preparar para o futuro ou dar passos para perceber esse futuro que eles desejam.
 
1. Grandes editoras, preços menores - Em 2009, um dos meus primeiros textos para o Huffington Post era um chamado às editoras para produzir ebooks de US$ 4. Autores (independentes) autopublicados consideram o pedido, mas as editoras não. Até recentemente, era raro ver um livro publicado tradicionalmente com preço abaixo dos US$ 4. Por quê? Editoras tradicionais lutaram com unhas e dentes para manter os preços dos ebooks mais altos por medo de que ebooks baratos acabassem canibalizando as vendas de impressos, atacassem sua lucratividade e estabelecessem expectativas irreais a consumidores em relação ao valor de um livro. Ao manter os preços dos ebooks altos, eles entregaram o mercado de menos de US$ 4 para autores independentes, que estes exploraram rapidamente. Os resultados de nossa pesquisa de preços de ebooks em 2013, lançada em maio, ilustra a vantagem competitiva dos preços baixos. A pesquisa descobriu que livros com preços entre $2,99 e $3,99, na média, venderam quatro vezes mais unidades do que livros com preços superiores a $7,99. Os independentes que conseguiram publicar livros de baixo preço que eram tão bons ou melhores do que Nova York estava publicando a preços mais altos, foram capazes de vender mais e competir diretamente com livros das grandes editoras. Durante boa parte de 2013, não foi incomum ver independentes tomando conta de até metade das listas de Top 10 mais vendidos em grandes livrarias. As grandes editoras notaram. Em 2013, grandes editoras começaram a competir mais agressivamente em preço, principalmente na forma de promoções temporárias. Em 2014, essas promoções vão dar espaço a uma nova onda de preços regulares ou mais baixos. Desconto é uma ladeira escorregadia. Quando os clientes estiverem condicionados a esperar autores famosos por $3,99 ou menos, toda a indústria será forçada a fazer isso.
 
2. Promoções de preço vão se tornar menos eficientes - se os leitores terão um suprimento maior de livros de alta qualidade de seus autores favoritos a menos de US$ 4, significa que a vantagem de preços dos mais baratos vai diminuir em 2013. Se você comparar nossos resultados de pesquisa de 2013 com nossa pesquisa de 2012, vemos sinais que isso já está acontecendo. Apesar de que nossa pesquisa de 2013 indicou uma vantagem aproximada de 4X em vendas de unidades por $2,99 - $3,99 sobre os livros mais caros do que $7,99, nossa pesquisa de 2012 indicou uma vantagem de 6X. Isso significa que promoções de preço não vão mais funcionar de forma tão efetiva quanto antes. Fatores além de preços vão ganhar mais importância.
 
3. O crescimento de ebooks diminuiu - Agora chegou a ressaca. Depois de uma década de crescimento exponencial em ebooks com editoras e independentes fazendo a festa, o crescimento está perdendo velocidade. Todos sabíamos que esse dia ia chegar. Ano após anos com crescimento entre 100% e 300% não poderiam continuar para sempre. O risco de mercados com crescimento rápido é que isso pode esconder problemas nos modelos de negócios. Pode fazer com que alguns players interpretem mal seu sucesso, e as suposições sobre as quais eles creditam seu sucesso. Isso pode fazer com que players bem-sucedidos criem falsas correlações entre causa e efeito. Quem são estes players? Estou falando de autores, editoras, livrarias, distribuidores e fornecedores de serviço - todos nós. É fácil ser bem sucedido quando tudo está crescendo. É quando tudo começa a ficar mais lento que seu modelo de negócios começa a ser testado. O mercado está ficando mais lento. Uma comoção cíclica normal está vindo. Em vez de temer esta comoção, os empreendedores deveriam se preparar. Deixe que isso o faça ficar melhor, mais competitivo em 2014. Players que sobrevivem a esses momentos, geralmente, terminam mais fortes.
 
4. A competição aumenta muito - Com centenas de milhares de novos livros publicados anualmente, e com catálogos de livrarias inchados com milhões de títulos de ebooks, pode não ser surpresa que haverá novos fechamentos em 2014. Mas neste ano, a competição entre autores e editoras vai aumentar em ordem de magnitude, e vai fazer com que alguns desejem continuar em 2013. O campo de disputa dos ebooks, que até recentemente estava bastante a favor dos independentes, agora voltou a se equilibrar um pouco. Mas os independentes ainda possuem várias vantagens competitivas, incluindo mais rapidez para entrar no mercado, maior liberdade criativa, relações mais próximas com leitores e até uma melhor compreensão dos desejos do leitor, taxas maiores de royalties e flexibilidade de preços, de muito baratos até GRÁTIS.
 
5. Vendas de ebooks, medidas em quantidade de dólares, vai diminuir em 2014 - Arghhh. Eu falei isso. O emergente mercado de ebooks provavelmente vai experimentar sua primeira queda anual em vendas medidas em volume de dólares. Isso será impulsionado pelo declínio nos preços entre as grandes editoras e pela diminuição de velocidade na transição de impressos para telas. Apesar de que os leitores vão continuar migrando de texto para tela, os "early adopters" já adotaram e os atrasados vão mudar mais lentamente. Outro impulsionador da queda é que o crescimento geral de livros anda moribundo há alguns anos. Com os ebooks como uma porcentagem do mercado geral de livros, isso quer dizer que o crescimento dos ebooks vai ficar coagido pelo crescimento e/ou contração da indústria editorial como um todo. As vendas globais em países em desenvolvimento permanecem com bom potencial o que poderia diminuir qualquer contração de vendas.
 
6. O market share dos ebooks vai aumentar - consumo de ebooks, medido em vendas de unidades e downloads, e medido em palavras lidas digitalmente, vai aumentar em 2014. A diminuição de vendas em toda a indústria, causada pela queda dos preços médios, vai esconder o fato de que mais livros serão lidos como nunca antes. Isso é uma ótima notícia para a cultura do livro e boa notícia para independentes que, apesar da perda de sua anterior vantagem nos preços, ainda estarão bem posicionados para ter bons lucros com os preços baixos, ou competir com os ultrabaixos (menos de US$ 3 e GRÁTIS).
 
7. Uma onda maior de autores famosos vai migrar para o campo dos independentes - Várias forças de mercado vão conspirar para que autores publicados tradicionalmente deem as costas para as grandes editoras. Estas vão tentar manter suas estruturas baseadas em royalties de 25% sobre os ebooks, o que significa que autores famosos verão seus royalties sofrerem com a queda de preços e com a diminuição da vantagem dos preços baixos nas vendas de unidades, e com a desvantagem dos preços altos aumentando. Ao mesmo tempo, os leitores vão continuar a fazer a transição de impresso para ebooks, fazendo a distribuição de impressos para livrarias físicas menos importantes, e assim enfraquecendo o controle que as grandes editoras têm sobre os autores famosos. Estes, loucos para maximizar seus ganhos, vão sentir um ímpeto maior para migrar para os independentes.
 
8. Tem tudo a ver com a escrita - É hora de voltar ao básico. Em um mundo onde leitores encaram uma quantidade ilimitada de trabalhos de alta qualidade a baixo custo, os escritores que conseguirem maior sucesso em 2014 serão aqueles que levarem seus leitores a extremos emocionalmente satisfatórios. Livros são aparelhos de entrega de prazer. Não importa se você está publicando um livro de receitas, um romance, um guia de jardinagem, um livro de memórias ou um tratado político. Seu trabalho como editor ou autor é lançar este livro super-fabuloso. Isso envolve uma boa escrita e edição de qualidade profissional. Também quer dizer evitar todos os erros que criam fricção desnecessária e evitam que os leitores descubram, desejem e desfrutem do livro. Entender estes pontos de fricção e como evitá-los, veja minha discussão de Catalisadores Virais no meu ebook gratuito, The Secrets to Ebook Publishing Success, ou em meu vídeo no Youtube sobre as melhores práticas para publicação de ebooks.
 
9. Todos os autores se tornam independentes - Na idade média editorial (antes de 2008), ou você era publicado tradicionalmente ou não era publicado. Escritores que não conseguiam um acordo de publicação eram vistos como fracassados, porque sem o acesso à máquina de impressão, distribuição e conhecimento professional da editora, era virtualmente impossível chegar aos leitores. Hoje, o fracasso não é uma opção. A próxima geração de escritores pode começar a escrever seu livro hoje com total confiança de que de uma forma ou de outra, será publicado. Inspirado pelo grande sucesso de alguns autores independentes, escritores publicados tradicionalmente agora percebem que possuem alternativas que nunca tiveram antes. Quando um escritor - qualquer escritor - percebe que o poder na indústria editorial foi transferido das editoras para os escritores, abre um novo mundo de possibilidades e escolha. Ser publicado não é mais uma questão “e/ou”. Os melhores escritores terão a opção de publicar de forma independente E tradicional, ou fazer um OU o outro. É escolha deles. As duas opções valem a pena ser consideradas por todos os escritores, e podem ser mutualmente complementares. Mesmo se você for um autor publicado de forma tradicional hoje, você é independente porque decide o destino de seu próximo projeto.
 
10. Serviços de assinatura de ebooks vão mudar o jogo - Se os serviços de assinatura de ebooks - os mais notáveis são Scribd e Oyster - conseguirem fazer seus modelos de negócios funcionarem, então representarão uma mudança nas regras do jogo em como os leitores valorizam e consomem livros. Para os usuários dos serviços de assinatura de ebooks, ler vai se tornar um recurso abundante que parece ser gratuito. Vai se tornar um serviço da mesma forma que a água e a eletricidade. Quando apertamos o botão para acender a luz, ou quando abrimos a torneira para escovar os dentes, não estamos pensando em quanto nossos próximos 60 segundos daquele serviço vão custar. Pagamos nossa conta mensal e na maior parte usamos este serviço o quanto quisermos. Com os serviços de assinatura de ebooks, o leitor vai pagar US$ 9 ou US$ 10 por mês e desfrutar de, virtualmente, uma leitura ilimitada. Os leitores ficarão aliviados da carga de cognitiva de ter que decidir se um livro vale seu preço. Em vez disso, vão navegar e ler trechos de livros com fricção mínima, como se todo livro fosse gratuito. A atenção do leitor, e a capacidade do livro de ganhar a atenção do leitor, vai se tornar o novo fato na determinação do sucesso do escritor. Mesmo se estes serviços de assinatura não derem certo, eles vão mudar o futuro do mercado editorial ao dar leitores um gosto de leitura-como-serviço sem fricção. É um gosto que os leitores não irão esquecer.
 
11. Editoras tradicionais vão reavaliar sua postura em relação à autopublicação - A postura vaidosa em relação à autopublicação, como vimos na aquisição da Author Solutions pela Pearson/Penguin (trabalha com a AuthorHouse, iUniverse, BookTango, Trafford, Xlibris, Palibrio, entre outras...), mostrou que pode atrapalhar as marcas de todas as editoras tradicionais. Eu previ isso no ano passado. O modelo de negócio da Author Solutions depende totalmente de ganhar dinheiro vendendo serviços caros a autores sem conhecimento. O modelo de negócios dele é caro no melhor dos casos e antiético no pior. É vender pacotes de publicação de mais de $10.000 para autores que nunca vão recuperar esse dinheiro. O modelo representa a antítese do que os melhores e mais orgulhosos editores sempre representaram. Grandes editoras investem em seus autores. O dinheiro flui do leitor para o livreiro, para o editor, para o autor, não do autor para o editor. Ao mesmo tempo em que a Author Solutions manchou a reputação de todas as editoras tradicionais - mesmo aquelas que não praticam essas coisas - a revolução dos autores independentes continua com força total. Os independentes estão roubando pedaços do mercado. Os independentes aprenderam a publicar como profissionais. Muitos independentes não mandam mais seus livros para agentes e editoras, preferindo publicá-los diretamente para os leitores usando plataformas de publicação e distribuição self-service como Smashwords, KDP, Nook Press, entre outras. As editoras estão perdendo o acesso ao fluxo de ofertas que é sua força vital. Conversei sobre as implicações disso em minha última discussão sobre as previsões do ano passado aqui no Huffington Post. Se as editoras não tiverem um serviço eficiente para oferecer aos autores independentes, elas correm o risco de se encontrarem do lado errado da história quando os autores seguem em frente sem elas. O estigma antes associado com a autopublicação está desaparecendo enquanto que o estigma das publicações tradicionais cresce. Como as editoras podem acabar com as fugas e recapturar o relacionamento com os autores? A resposta virá quando as editoras reavaliarem sua atitude em relação aos autores. Elas devem reconhecer que publicar é um serviço, que elas servem ao prazer dos autores e devem oferecer um espectro de serviços - de self-service a full-service - para ir ao encontro das necessidades de todos os autores. Agora que os autores têm escolhas, o jogo de publicação não pode mais ser: "O que o autor pode fazer pela editora?" Autores não precisam mais abaixar a cabeça subservientes às editoras, então os modelos de negócios baseados nesta velha prática e atitude serão rejeitados. O novo mantra da editora deve ser, "O que a editora pode fazer pelo autor que o autor não pode ou não vai fazer sozinho?" As editoras devem abandonar a cultura do NÃO porque autores não têm mais a paciência ou a tolerância para ouvir isso. Os autores sabem que têm escolhas e ganharam o gosto de autopublicar. Como as editoras podem dizer SIM a todo autor e ainda ter lucro? A resposta: elas precisam construir, adquirir ou fazer parcerias com plataformas de publicação self-service. Um plataforma self-service permitiria que elas dissessem SIM a todo autor - correr riscos com todos os autores - e formar um relacionamento com cada um deles. Ao operar uma plataforma de publicação gratuita, as editoras teriam a capacidade de servir às diversas necessidades de todos os autores. Autores DIY selecionariam a opção self-service. Eles seriam responsáveis por sua própria edição, capa e marketing. Autores com comprovado potencial comercial que não querem se incomodar com as responsabilidades de serem os próprios editores poderiam optar por um caminho no meio do espectro entre DIY e full-service onde eles estariam dispostos a trocar royalties menores por investimentos e serviços maiores da editora. Tal espectro geral em relação à edição, onde autores não pagam nada, está 100% alinhado com os interesses dos autores, e 100% alinhado com as melhores práticas das melhores editoras. Uma boa plataforma self-service não emprega pessoas de vendas. Não recebe dinheiro dos autores. Então a pergunta é, as editoras podem introduzir suas próprias plataformas self-service para ampliar suas ofertas de serviço? O tempo está passando.
 
12. Plataforma para o autor é o melhor - Se você é autor, sua plataforma é sua capacidade de chegar aos leitores. Autores que conseguirem construir, manter e alavancar suas plataformas terão uma vantagem competitiva importante sobre aqueles que não conseguirem. Pense na plataforma do autor como uma infraestrutura em multicamadas que permitirá chegar a fãs novos e existentes. Elementos dessa infraestrutura incluem seus seguidores de mídia social no Twitter, Facebook e RSS de seu blog. Inclui ter uma distribuição de cabeça aberta (mais livrarias é melhor do que menos), sua presença ininterrupta em cada livraria para todo livro e as resenhas nestas livrarias online. Isso inclui o número de leitores que o colocaram entre os "favoritos" no Smashwords ou que acrescentaram seus livros na lista deles no Goodreads. Isso inclui assinantes em sua lista de e-mails privados. Inclui sua celebridade e sua capacidade de alavancar a mídia social ou a tradicional ou o amor a seus fãs para espalhar sua mensagem. Há dois fatores principais que impulsionam as vendas de qualquer produto ou marca. A primeira é consciência. Se o consumidor não está consciente de seu produto ou marca, então ele não poderá comprá-lo. Autores devem colocar seu produto na frente de um consumidor e ganhar a atenção deles antes que o consumidor possa considerar a compra. A segunda é desejo. Quando um consumidor é consciente de seu produto ou marca, ele deve desejá-lo. O autor é a marca. Seu trabalho como autor é construir consciência de sua marca e construir, ganhar e merecer desejo positivo sobre sua marca. Consciência mais desejo cria demanda por seu produto. É por isso que a plataforma vai se tornar mais importante do que nunca em 2014. Sua plataforma ajuda a divulgar a mensagem para os fãs existentes que já conhecem e desejam sua marca, e ajuda a chegar a novos fãs que vão querer juntar as carroças deles a seu cavalo. Quanto maior a sua plataforma, mais fácil é aumentar sua plataforma, porque plataformas bem mantidas crescem organicamente.
13. Colaborações entre vários autores vão se tornar mais comuns - Em 2013, observei um aumento marcado no número de colaborações entre vários autores. Autores vão colaborar com seus companheiros no mesmo gênero ou categoria em compilações de conteúdo existente e original. Estas colaborações geralmente têm preços competitivos e oferecem aos leitores a oportunidade para descobrir vários novos autores do mesmo gênero ou categoria em um único livro. As colaborações também permitem que múltiplos autores amplifiquem os esforços de marketing um do outro ao alavancar a plataforma um do outro.
 
14. A produção ganha mais importância em 2014 - Um dos segredos mais importantes para o sucesso da publicação de ebooks é escrever mais livros. Como escritor, sua escrita é sua criação única. É seu produto. Autores que escrevem grandes livros (e produzem mais deles) são os autores que constroem vendas e plataformas mais rapidamente, porque cada novo livro representa uma oportunidade para agradar os fãs existentes e conseguir alguns novos. Organize sua agenda para passar mais tempo escrevendo e menos tempo no resto.
 
Tradução: Marcelo Barbão

texto de Ken Worpole, publicado no The Guardian

Os políticos já perceberam que é melhor para eles gastar dinheiro com bibliotecas, em vez de museus e galerias de arte

Adoradores das biblioteca, entre os quais eu me incluo, não precisam estar muito cheios de tristeza e melancolia. Enquanto cortes e fechamentos estão afetando os serviços das bibliotecas, também é verdade que a última década assistiu a uma reinvenção da biblioteca pública no Reino Unido e em todo o mundo. A Biblioteca de Birmingham reabriu a um custo de 186 milhões de libras, tornando-se a maior biblioteca pública na Europa. Ela espera atrair 10 mil visitantes por dia. A magnífica biblioteca Mitchell de Glasgow, que anteriormente detinha o recorde como a maior biblioteca de referência pública na Europa, foi recentemente remodelada para um enorme efeito. Desde 2000, novos edifícios de bibliotecas abriram em Bournemouth, Brighton, Canada Water, Cardiff, Clapham, Dagenham, Glasgow, Liverpool, Newcastl e, Norwich, Peckham, Whitechapel e em outros lugares, todas registrando números altíssimos de usuários.

Por que as bibliotecas estão de volta à agenda urbana? Um número crescente de pessoas está agora envolvido em alguma forma de educação continuada ou ensino superior, e precisam de espaço de estudo e acesso à internet, o que muitos não conseguem encontrar em casa. A ascensão de moradores que vivem sozinhos nos centros urbanos – em algumas capitais europeias se aproxima a 50 % dos domicílios – significa que as bibliotecas cada vez mais atuam como um ponto de encontro ou uma casa fora de casa, como servem para migrantes, refugiados e até mesmo turistas. A ideia da biblioteca como "a sala de estar da cidade" foi promulgada pela primeira vez nos projetos de bibliotecas escandinavas da década 1970, com os arquitetos respondendo aos desejos dos usuários para permanecerem mais tempo no ambiente, tomar um café e desfrutar de sessões de contação de histórias, concertos à hora do almoço ou participar de leituras de livros em grupos. Visitando a biblioteca Örnsköldsvik no norte da Suécia, perto do Círculo Polar Ártico, notei que os usuários trouxeram seus chinelos e um almoço embalado. Esta nova compreensão do espaço da biblioteca é formalizada, por exemplo, na biblioteca Rem Koolhaas de Seattle, onde três dos cinco andares são designados como Sala de Leitura, Sala de Estar e Câmara de Mistura.

O entusiasmo mundial revivido para bibliotecas – do qual Seattle é talvez a mais ambiciosa – teve origem na América do Norte na década de 1990. Tendo supervisionado o fracasso financeiro de museus e galerias icônicas – construídos ostensivamente para colocar as cidades no mapa – os políticos perceberam que recebiam mais atenção quando gastavam o dinheiro em uma biblioteca estado-da-arte. Quando a biblioteca de Nashville foi inaugurada em 2001, inscrita em cima da porta estava a máxima: "Uma cidade com uma grande biblioteca é uma grande cidade." O historiador Shannon Mattern recentemente dedicou um livro inteiro a representar a ascensão para a proeminência da nova biblioteca urbana na vida cívica americana.

Na Europa, houve um desencanto semelhante com o "Efeito Bilbao", em homenagem ao sucesso singular do projeto de Frank Gehry para um museu e galeria de arte na cidade. Por um tempo, muitos planejadores acreditavam que somente edifícios de museu icônicos projetados por arquitetos-celebridade poderiam resgatar cidades fracassadas do esquecimento. O amargo livro de Deyan Sudjic "O Complexo de edifícios" discrimina a retórica exagerada e custos crescentes de muitos desses projetos aspirantes ao redor do mundo, juntamente com a sua morte precoce. Na Grã-Bretanha, a mais grandiosa delas, o Millennium Dome, absorveu quase um bilhão de libras de dinheiro público – destinados a fornecer uma vitrine permanente para a ciência e as artes – apenas para ser rapidamente alugado como um local para eventos corpo rativos e pop. O Parque Olímpico e suas instalações pode muito bem seguir o mesmo caminho.

É quase impossível para as bibliotecas públicas falhar desta maneira. Elas são livres para usar, e, depois de um século e meio de experiência, se entremeou no tecido da vida cotidiana. Em algumas cidades britânicas, quase metade da população possui um cartão de biblioteca, mesmo que ele seja usado com pouca frequência. Nós fazemos piadas sobre os bibliotecários tímidos escondidos atrás das pilhas de livros ou na sala de estoque, mas as pessoas confiam neles como confiam em poucos outros. Os bibliotecários podem agonizar sobre questões de gosto, decência e da adequação dos materiais que estocam, em comparação com a neutralidade moral do mercado comercial, mas nós os admiramos por isso. Mais importante ainda, as bibliotecas são vistas como pertencentes a todos por direito, comparadas à teatr os com financiamento público, galerias de arte, museus ou salas de concerto.

A adaptabilidade da biblioteca para responder às novas demandas se reflete no design contemporâneo. O balcão de informações da biblioteca em grande parte desapareceu. Máquinas de auto-atendimento liberam funcionários para passar mais tempo com os usuários da biblioteca, organizar sessões de contação de histórias, de autógrafos e círculos de leitura (havia mais de 100.000 membros de grupos de leitura em bibliotecas na Inglaterra e País de Gales na última contagem). Foyers tendem a ser abertos com poltronas para leitura, e serviços de empréstimo e de referência estão agora misturados. Nem todo mundo usa a internet para pesquisar um ensaio de alto nível de Shakespeare ou acompanhar os eventos na Síria. Outros estarão à procura de um emprego ou verificando sites de namoro, ou podem ter caído n o sono em uma réplica da cadeira ovo brilhante de Arne Jacobsen sobre uma cópia do Jornal dos Sports. E daí? Todos os tipos de pessoas descobrem um senso de santuário nas bibliotecas, que não encontram em nenhum outro lugar da cidade. A biblioteca pública é o símbolo supremo da "grande sociedade".

"Os três documentos mais importantes que uma sociedade livre dá", o romancista americano EL Doctorow escreveu uma vez, "é uma certidão de nascimento, passaporte e um cartão de biblioteca". Os jovens estão muito em evidência nas novas bibliotecas – uma mudança cultural inesperada e bem vinda – sem dúvida, atraídos por uma arquitetura arejada brilhante que reflete a cultura do design vivo que eles assimilam em suas vidas. Eles também parecem à vontade em um lugar que os trata com um respeito não concedido em outros locais na vida pública.

Nem todo mundo aprova o novo ethos da biblioteca, resumido como sendo "da coleção para a conexão". Alguns permanecem horrorizados com o avanço da revolução tecnológica, que não só está a remodelar o mundo, mas reconfigurando a biblioteca pública junto com ela. Se os pioneiros da biblioteca do século 19 reconheceriam estes edifícios do século 21 pode ser questionável – mas uma vez lá dentro eles se sentem em casa. Ainda hoje, o mundo dentro da biblioteca mudou menos do que o mundo lá fora.

Página 8 de 55