GRA000905 - Biblioteconomia (EAD)
Cidade: Caxias do Sul
Pólos de Ensino: Caxias do Sul, São Sebastião do Caí, Vacaria
Autorização: Resolução CONSUNI Nº 09, de 19.09.12
Turno: Nenhum
Duração: 4 anos
Créditos: 158
Valor do crédito básico para 2013: R$ 120,33
Carga Horária:
HorasAtividades ComplementaresTotal
2490 120 2610 + ENADE
ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, componente curricular obrigatório para a conclusão do curso, instituído pela Lei no 10.861 de 14-04-2004.

*Por Alberto Manguel 

Dizer que uma biblioteca é o repositório da memória de uma sociedade parece implicar que essa memória é algo que está distante no tempo, contemporâneo de Alexandria. A noção de que aquilo que preservamos do esquecimento pode ser tão recente como nossa infância ou a dos nossos avós nos escapa: preferimos pensar na história social como uma história antiga, velha como Matusalém. Em vez disso, as bibliotecas são os principais repositórios de nossa própria história e dão uma espécie de modesta imortalidade àquilo de que o passado deseja se apropriar. As bibliotecas transformam o antigo em contemporâneo. O lugar onde vivemos, as pessoas que vemos todos os dias, possuem histórias documentadas, intencional e involuntariamente, em toneladas de papel e tinta, em retratos e fotografias, em vozes gravadas, em papiro e rolos de cera e formatos eletrônicos. De uma biblioteca, pode-se dizer que não tem passado: tudo é presente ou, se preferirmos, tudo, inclusive este momento e este lugar em que nos encontramos, pertence a um passado no qual continuamos a existir. 

Esse passado é o de cada um de nós, mas, sobretudo, é o nosso em conjunto. Uma biblioteca pública sempre guarda em si, implicitamente, a noção de uma certa identidade coletiva. Contudo, podemos perguntar: que elemento, que característica precisa define essa identidade? Obviamente, uma biblioteca regional ou nacional deve trazer a preocupação de abrigar sob seu teto a maioria das obras que esta região ou nação produziu e permitir aos cidadãos deste lugar acesso a todos os seus cantos. No entanto, para encarnar plenamente a identidade coletiva, para ser, em certo sentido, sua imagem emblemática, deve possuir algo mais, algo que permita aos leitores reconhecer nela uma duplicidade esclarecedora: ser uma instituição conservadora, mas estar sempre em crescimento, sentir-se enraizada no passado, mas traduzir constantemente esse passado em futuro, colocando-se como um centro ao mesmo tempo local e deslocalizado, como um arquivo concentrado e eclético, como um microcosmo e um macrocosmo reunidos sob um único teto. 


Leitores crescem à sombra de censores e políticos

Talvez porque a história é um gênero literário, os grandes eventos da humanidade obedecem a leis de estilo e regras de sintaxe. Nossas tragédias e comédias têm heróis e vilões, respostas memoráveis e atos simbólicos. Com esmero artístico, ainda que nem sempre alcançado, construímos nossas sociedades e instituições e, ao longo do tempo, como ocorre em nossa memória com as obras literárias, nossas ações se resumem a uns poucos parágrafos notáveis. Assim acontece com nossas ambições e empreitadas, nossas fundações e destruições, nossos finais e começos. Nossas cidades, como nossos livros e obras de arte, entesouram significados que seus autores muitas vezes desconhecem e símbolos que, às vezes sem querer, são arcaicos e universais. A arquitetura de uma cidade simboliza sua história, e toda sociedade pode reclamar como seu o epitáfio que o arquiteto Wren escreveu para seu túmulo na catedral de Westminster: “Si monumentum requeris, circumspice” (“Se necessita de um monumento, olhe em volta”). Censores e políticos sabem disso e, em nossa época, tratam de substituir as bibliotecas, centro simbólico de uma sociedade letrada, pelos bancos, centro simbólico de uma sociedade gananciosa. 

Desde o princípio, há mais de cinco milênios, os leitores cresceram à sombra de censores e políticos. Os primeiros creem, apesar dos incontáveis exemplos em contrário, que é possível anular o passado, cegar o presente, espoliar o futuro, aniquilar uma ideia uma vez expressada e, literalmente, apagar as palavras da memória comum. Os outros pensam que, deformando ou empobrecendo o ato da leitura, podem transformar os leitores em meros consumidores, debilitando seu poder de reflexão e seu juízo, condição necessária para consumir às cegas — assim, por um tempo, podem alcançar seus objetivos, embora não para sempre. Ambos os esforços são, ao fim e ao cabo, inúteis, mas demonstram a extraordinária fé que as autoridades possuem nos poderes do leitor: poder de escolher, de discutir, de questionar, de transformar, de recordar, de imaginar mundos melhores. O poder do leitor é imenso. 

Nas sociedades do livro, a biblioteca, apesar de ficar em um lugar específico, assume para seus leitores uma geografia universal, já que a palavra escrita elimina fronteiras. Esta geografia sem fronteiras que a palavra escrita cria elege como centro o espaço da biblioteca. Os sete mares e os seis continentes confluem para as prateleiras destes edifícios icônicos, como também as constelações, os sóis e as trevas, imensidão que converge para a mesa de cada leitor e se resume a algumas linhas do texto que está lendo. A biblioteca universal não existe, a menos que toda biblioteca seja universal. 

Desde sempre temos levado conosco nossas palavras — nossos livros, nossas bibliotecas — para nos acompanhar em nossas peregrinações. A Europa herdeira de Santo Isidoro (tanto de seus talentos intelectuais como de seu antissemitismo e demais preconceitos) projetou sua enorme sombra na aventura da conquista, que outros chamam invasão. Os soldados letrados e iletrados que emigraram para o novo continente levaram não só a mitologia europeia, das sereias e amazonas ao deus redentor que agoniza em uma cruz, mas também livros que eram memória e glosa de tais mitologias. É inquietante ler na crônica da primeira viagem de Colombo que, ao ver uns peixes-boi na costa da Guiné, ele acreditava ver “três sereias que saltaram bem alto no mar, mas”, completa fielmente o almirante, “não eram tão bonitas como as pintam”. Perturba também saber que era importante para esses homens trazer a terras desconhecidas os seus livros. Dom Pedro de Mendoza, fundador da minha Buenos Aires, trouxe consigo vários tomos. Para ele, contemporâneo de “Dom Quixote”, o mundo intelectual era um só, ou, em outras palavras, para ele em qualquer empreitada particular devia intervir o universal. Em todo caso, é importante reconhecer que seu impulso foi o de dar à nova cidade o fundamento de uma biblioteca transportada e se assegurar assim, por associação, uma espécie de imortalidade. 


Livros acompanharam migrações humanas 

Uma espécie de imortalidade: talvez seja este o impulso que nos leva, nas sociedades do livro, a ser nômades literários. Nossas eternas migrações são acompanhadas de leituras; entre os pertences que levamos para o exílio estão nossos livros; em nossas migrações transportamos animais, tendas, sementes, armas, mas também bibliotecas. Os reis egípcios criavam bibliotecas nas cidades mais longínquas. No século V a.C., o jovem Alcebíades, visitando um afastado povoado durante seus périplos pelas colônias gregas, deu um soco no nariz de um professor em cuja escola não encontrou um único exemplar de Homero, porque julgou que o homem havia faltado a seu dever intelectual. Alexandre, o Grande, talvez para não esquecer que os vencidos também têm voz, sempre levava a suas guerras um exemplar da “Ilíada”. No século X, Abdul Kassam Ismael, grão-vizir da Pérsia, para se sentir em casa em qualquer lugar, viajava sempre com sua biblioteca de 117 mil obras carregadas no lombo de 400 camelos treinados para marchar em ordem alfabética. Desde os primeiros tempos, os exilados se consolam com seus livros porque estes são, como queria Marguerite Yourcenar, sua pátria. Estes podem ser muitos ou apenas um. Próspero, em “A tempestade”, de Shakespeare, leva ao exílio sua biblioteca mágica, que é a fonte do seu poder. Vladimir Nabokov emigra de sua amada Rússia com o dicionário russo em seu bolso. Liao Yiwu foge da repressão na China com um pequeno exemplar de “O romance dos três reinos”, de Luo Guanzhong, em cujas margens escreve seus poemas. Toda biblioteca é herdeira destes heroicos leitores. 


*Alberto Manguel é escritor e ensaísta nascido em Buenos Aires e naturalizado canadense, autor de “A biblioteca à noite” e “Os livros e os dias” (Companhia das Letras), entre outros títulos. Dia 21, às 19h, ele participará do projeto Leituras Imperdíveis, na Biblioteca Municipal de Botafogo (Rua Farani 53). O evento tem entrada franca.

EDITAL 416/2012, de 29 de outubro de 2012, que abre vaga e disciplina o concurso para Professor Ajunto, do setor de estudos: "Gestão, Recursos e Serviços de Informação", para o Departamento de Ciências da Informação da UFC.

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Terça, 13 Novembro 2012 11:22

O Brasil não tem um sistema de bibliotecas

A secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil  
(FNLIJ) é cética sobre criação de bibliotecas em escolas dentro de  
prazo previsto por lei.

A secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil  
(FNLIJ), Elizabeth Serra, se diz cética em relação ao cumprimento da  
lei brasileira que obriga todas as escolas a ter bibliotecas até 2020.  
E afirma que só a medida não basta.

Quais projetos colombianos de incentivo à leitura podem servir de  
inspiração para o Brasil?

O Brasil ainda não tem um sistema nem de biblioteca pública nem de  
biblioteca escolar. Por isso é que veio a lei. Mas, sozinha, ela não  
vai fazer nada. Temos que nos mobilizar. As crianças têm que aprender  
a usar a biblioteca na escola. No Brasil, nós temos salas de leitura e  
raríssimas bibliotecas nas escolas.

Por que as escolas têm que ter bibliotecas em vez de salas de leitura?

A sala de leitura não cumpre o papel de biblioteca, pois às vezes tem  
um tratamento biblioteconômico e às vezes não. Se não houver um  
procedimento de catalogação dos livros e de adequação deles na  
estante, não é possível ter um acervo coletivo. Isso também é um  
processo educativo que tem que ocorrer na escola. A organização é  
fundamental. A biblioteca dá continuidade à escolaridade. Se os alunos  
não aprendem na escola que a biblioteca é o lugar onde poderão buscar  
livros e estudar, eles vão interromper o processo deles. A biblioteca  
é o coração da escola, é onde se pode buscar informação. Na Colômbia,  
os cidadãos têm uma compreensão de convivência e de cidadania e sabem  
que este espaço é um direito. Os colombianos conseguiram perceber que  
uma forma de romper com o tráfico de drogas é por meio de ações  
sociais e culturais, e escolheram a biblioteca como ponto de  
referência. Nisso é que a gente tem que se espelhar.

O número de escolas com bibliotecas cresceu pouco no Brasil desde que  
a lei entrou em vigor. Estamos caminhando muito devagar?


Sim. Um estudo diz que nós teríamos que construir 25 bibliotecas por  
dia para obedecermos a lei. Isso é difícil. O professor não está bem  
formado, e ele seria um grande defensor da biblioteca.

A média de livros lidos por ano na Colômbia é menor que no Brasil.  
Devemos nos inspirar na Colômbia mesmo assim?

Na organização de bibliotecas públicas, estamos atrás deles. Mas  
estamos fazendo melhor a formação de leitores. Os professores  
brasileiros cada vez mais estão entendendo que o trabalho de formação  
de leitores é com livro. Aqui, muitas vezes eles douram a pílula, e  
fazem atividades como teatrinhos para convidar o aluno a ler.

A Experiência colombiana - Um aluno entra na sala do diretor da escola  
Benjamín Herrera sendo puxado pela camisa por sua professora, que pede  
a expulsão do rapaz, pois ele se recusou a ler livros "chatos". O  
diretor deu a ele uma tarefa: fazer uma pesquisa de campo para saber  
por que os jovens não queriam ler. O trabalho causou uma revolução na  
escola. O interesse pela leitura cresceu tanto que foi preciso  
construir um prédio para abrigar outra biblioteca.

O episódio aconteceu na cidade de Medellín, na Colômbia, há 20 anos,  
mas até hoje serve para exemplificar as dificuldades dos professores  
para estimular a leitura e como elas podem ser superadas.

A capital colombiana também tem práticas de estímulo à leitura e uma  
rede de bibliotecas públicas que podem inspirar o Brasil. Bogotá foi a  
primeira cidade da América Latina a ser considerada Capital Mundial do  
Livro, título dado pela Organização das Nações Unidas para a Educação,  
Ciência e Cultura (Unesco) e pela indústria editorial mundial em 2007,  
devido a projetos de estímulo à leitura. Além dela, apenas Buenos  
Aires, na Argentina, detém o título no continente.

Assim como o Brasil, a Colômbia não tem bibliotecas escolares  
perfeitas e em número ideal, mas projetos desenvolvidos por  
colombianos já inspiram professores brasileiros.

O diretor da escola Benjamín Herrera, em Medellín, Oscar Mejía Henao,  
já esteve três vezes no Brasil para falar da pesquisa sobre por que os  
alunos não gostavam de ler. Descobriu que eles queriam ter mais  
liberdade de escolha. "Com a investigação, os jovens derreteram,  
lentamente, o autoritarismo no colégio. Os professores ficaram mais  
sensíveis. Quando diminuíram a pressão sobre a obrigação de ler livros  
clássicos e escrever relatórios sobre eles, os alunos passaram a ler  
muito mais", disse Henao.

Outra escola pública de Medellín, o Centro Formativo de Antioquia  
(Cefa), só para garotas, também conseguiu bons resultados. As alunas  
que mais pegam livros na biblioteca, que tem 12.053 volumes, são  
premiadas. Os professores ajudam as estudantes a descobrir de qual  
estilo literário gostam e estimulam uma espécie de "rodízio  
literário", em que uma aluna lê o livro preferido da outra.

A estudante Leslye Cuervo, de 16 anos, costumava ler apenas o que era  
necessário para as provas. Mas de 2011 para 2012 leu 26 obras. "Se eu  
lia um romance e não gostava, a professora perguntava por que eu não  
tinha gostado e me ajudava a descobrir outro. Isso me ajudou a  
escolher melhor", diz Leslye.

Em Bogotá, bibliotecas de escolas públicas têm estimulado a leitura  
não apenas entre os alunos, mas também entre pais de estudantes e  
professores. No colégio Alfonso Lópes Michelsen, na capital  
colombiana, profissionais que trabalham na biblioteca reúnem pais de  
alunos para ler textos. "A ideia é que os pais tenham ferramentas para  
estimular as crianças a ler. Os pais se aproximam mais dos filhos e  
replicam, em casa, com a família, tudo aquilo que aprenderam durante o  
projeto", explica o professor-bibliotecário da escola, José Diaz.

O colégio público Los Alpes, em Bogotá, promove rodas de leitura entre  
os professores, pois acredita que eles têm que ser leitores. A  
orientadora de sala de leitura da Escola Municipal Dilermando Dias dos  
Santos, em São Paulo, Paula de Souza e Castro, conheceu o projeto em  
visita à Colômbia e quer usá-lo como inspiração. "Eu quero trabalhar  
com a família dos alunos e com professores que não atuam diretamente  
com a área da Língua Portuguesa e da Literatura", afirma Paula.

A vice-diretora da Escola Municipal Valneri Antunes, em Porto Alegre  
(RS), Nara Freitas, quer instalar um espaço especial de leitura para  
mães e bebês na sua escola, conhecido na Colômbia como "bebeteca". "Eu  
gostei da ideia de estimular os pais a contar histórias para os seus  
filhos. Já estou até pensando em um lugar para instalar uma "bebeteca"  
na minha escola", conta Nara.

Assim como no Brasil, nem todas as escolas da Colômbia possuem  
bibliotecas. No Brasil, uma lei federal de 2010 estabeleceu que até  
2020 todos os colégios, públicos e particulares, devem ter bibliotecas  
com acervo de, no mínimo, um livro por aluno.

No entanto, segundo o Censo Escolar 2010 do Ministério da Educação,  
menos da metade (40,8%) das escolas públicas e privadas de ensinos  
fundamental e médio do país possuía bibliotecas. Em 2011, esse  
percentual era de 41,5%. O Ministério da Educação da Colômbia não  
informou quantas escolas do país têm bibliotecas.

Em Bogotá, segundo a prefeitura, todas as escolas têm bibliotecas, mas  
em apenas 90 das 360 o acesso aos livros é fácil e há instalações  
adequadas. Além disso, as bibliotecas escolares recebem livros da rede  
municipal, e há eventos de promoção de leitura em conjunto. A meta é  
melhorar 91 bibliotecas escolares até 2014.

Segundo a Unesco, a média de livros lidos por ano no Brasil é de  
quatro por habitante, enquanto na Colômbia o índice é de 2,2. "Uma  
biblioteca escolar ideal é a que trabalha em conjunto com a aula e o  
professor, com projetos que permitam que as crianças leiam mais  
profundamente certas obras", diz a presidente da Associação Colombiana  
de Leitura e Escrita, Silvia Castrillón.

Em intercâmbio promovido pelo Instituto C&A, professores de 24 escolas  
públicas brasileiras foram à Colômbia conhecer bibliotecas e políticas  
de incentivo à leitura. Os colégios receberam R$ 12 mil cada para  
promover a leitura e construir bibliotecas.


Fonte: O Globo e http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=84855

A Biblioteconomia tem entre suas preocupações e interesses, a leitura. As bibliotecas, mesmo que em um primeiro momento as públicas e escolares, trabalham com a leitura. Isso nos parece óbvio. No entanto, com o que de fato lidamos no âmbito da leitura? Ensinamos as pessoas a ler, fomentamos a leitura, disponibilizamos livros para a população, facilitamos o contato das pessoas com os livros? Essas questões estão sempre presentes - ou devem estar - nas nossas reflexões e nas nossas pesquisas. Mesmo sabendo que não faz parte de nossas atribuições o ensino da leitura, sem nos apercebermos criamos um confronto com as atribuições dos professores.

É preciso que se torne claro o nosso fazer em relação à leitura, pois assim, conseguiremos distinguir as diferenças entre o fazer do professor e do bibliotecário. Para mim, trabalhamos com o fomento à leitura. Buscamos facilitar a relação e o contato dos alunos - e do público em geral - com os suportes da leitura. Essa tarefa não é exclusiva dos bibliotecários, como também não é exclusividade dos professores. Muitos profissionais incluem em seu fazer o fomento à leitura. Aliás, fomento à leitura é uma ação que foi assimilada e assumida por muitos segmentos da sociedade. É evidente esta última afirmação quando, tanto na imprensa escrita como falada, ficamos sabendo de campanhas, coletivas ou individuais, interessadas no aumento da leitura. No entanto, cabe observar que boa parte dessas campanhas ou ações não estão preocupadas com o conteúdo dos livros divulgados ou doados, mas apenas com o acesso físico ao livro. A leitura é boa em si mesma. Essa postura carrega concepções que, mesmo não explicitadas, são facilmente entendidas.

Quantas pesquisas sobre leitura conhecemos que foram realizadas por bibliotecas ou bibliotecários? Quantas pesquisas sobre leitura abrangeram um universo maior do que o espaço de uma única biblioteca? Se essas pesquisas não existem ou são poucas, no que baseamos nossas ações? Sem medo de errar, posso afirmar que seguimos resultados de pesquisas que têm como interesse o mercado livreiro. Tais pesquisas pretendem identificar como as pessoas se relacionam com o livro, mas para, ao final, desenvolver estratégias de vendas. Tanto isso é verdade que a pesquisa Retratos da Pesquisa no Brasil - 3, entende como leitor aquele que leu um "livro" nos últimos 3 meses. Um livro e não outros suportes de leitura. Qual o motivo que levou o coordenador da pesquisa a determinar como leitor apenas aquele que lê livros? Baseado no fato de que a pesquisa teve como interesse o livro, além de ter sido financiada por instituições e empresas ligadas ao comércio livreiro, buscou ela resgatar o interesse das pessoas por temas e assuntos, desejo e possibilidade de compra, etc. É importante descobrirmos esses dados? São eles relevantes para quem lida com o livro e a leitura? Claro, mas isso reforça o que estou afirmando. A pesquisa se preocupou e esteve voltada para a leitura do livro e não para a leitura.

A biblioteca trabalha apenas com a leitura do livro? Não. Ela direciona, ou deveria direcionar, suas atenções para a leitura de outros suportes. Nossa relação com o livro, tanto da biblioteca como do bibliotecário, tem uma explicação bastante coerente, no entendimento de Ortega y Gasset, quando afirma ele que a atual concepção surge com a invenção do tipo móvel e da imprensa no século XV. Desde então, temos essa relação estreita com o livro. No entanto, nosso fazer não está vinculado ao livro, mas à informação. E disso não podemos nos esquecer sob pena de nortearmos nossas ações para um objetivo destoante de nosso objeto de estudo, preocupação e interesse. Para lidarmos de fato com a leitura, apesar de enfocar nossa ação no fomento dela, precisamos de embasamento teórico e de pesquisas que estejam voltadas para a leitura e não apenas para o livro. Para nós, bibliotecários, o conceito de leitura deve ser amplo, não se atendo apenas ao texto escrito.

Sobre Oswaldo Francisco de Almeida Júnior Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Presidente da ABECIN - Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação. Mantenedor do Site

O Conselho Regional de Biblioteconomia, com a parceria e apoio do Deputado Distrital Chico Leite e da Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, elaborou a minuta para o texto base do Projeto de Lei que estabelece o piso salarial para o profissional Bibliotecário empregado em instituições privadas, no âmbito do Distrito Federal. 

No último dia 29 de outubro, o CFB protagonizou um momento histórico para a Biblioteconomia brasileira. A Presidente do CFB, Nêmora Rodrigues, assinou, juntamente com o Prof. Dr. Jorge Almeida Guimarães, Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, um Acordo de Parceria para a implantação do Curso de Biblioteconomia na modalidade a distância no Brasil. Estiveram presentes à solenidade o Prof. Dr. Celso José da Costa, Diretor de Educação a Distância, e a equipe de implementação do acordo, as bibliotecárias Lucia Alves e Silva, e Fabíola Ferigato. O Acordo resulta de uma discussão conjunta que se iniciou em outubro de 2008.

Leia a matéria na integra...

Entrevista com Paulo Ribeiro, presidente da Fundação Darcy Ribeiro e sobrinho do educador.
Link para a entrevista de 7 min.: http://goo.gl/hKU7X

08 novembro 2012- das 14:00 às 17:00

Direito Autoral em Instituições Públicas de Pesquisa: Implicações e desafios

Objetivo: apresentar ao público questões relativas a proteção de autoria/direito autoral em obras como livros, jogos, multimídias, cartilhas; etc; impactos das políticas de acesso aberto a informação em Instituições de Pesquisa e Universidades; Creative Commons , dentre outros temas.

Palestrante:
Silvia Gandelman / Especialista em Direito autoral
Advogada, mestre em bens culturais e projetos sociais pela Fundação Getúlio Vargas, Graduada em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Pós-graduada em Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas, Membro do Conselho Consultivo da ABDTIC – Associação Brasileira de Direito da Tecnologia da Informação e das Comunicações, Membro Instituto dos Advogados Brasileiros - Secretária da Comissão de Direito da Propriedade Intelectual, Membro da Comissão de Direito Autoral e Entretenimento da O.A.B/RJ, Sócia-gerente do escritório Dain, Gandelman e Lacé Brandão – Advogados Associados e da Copyrights Consultoria Ltda.

Debatedora:
Liene Wegner / Coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da Casa de Oswaldo Cruz/ COC/Fiocruz

Graduação em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (1990), especialização em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (1993)e mestrado em Gestão Pública pela ENSP/Fiocruz. Coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da Casa de Oswaldo Cruz/ COC/Fiocruz.

Como analisar informação e conhecimento? De que maneira compreendemos e representamos informação e conhecimento? Que padrões utilizar para organizar e recuperar informação?São estes os temas tratados nessa obra, que apresenta contribuições sobre vários aspectos conceituais, teóricos e práticos que caracterizam a área de pesquisa da ciência da informação. Processos centrais da cadeia documental e vitais para o ciclo da informação e a organização do conhecimento revestem-se de interesse particular para a ciência da informação. Os estudos descortinam a natureza complexa de organizar e representar informação e conhecimento, instigando os pesquisadores a seguir novos rumos de pesquisa, revendo ou revalidando velhos direcionamentos esquecidos e ignorados, sendo por isso uma alavanca a mais para os estudantes de biblioteconomia.

Clique aqui e faça o download de algumas páginas do livro

ISBN:978-85-65358-43-9

Brochura
Páginas: 248
Formato: 14x21 cm
Preço: R$ 39,90

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