Quinta, 18 Fevereiro 2010 12:28

Exposição "Biblioteconomia Fazendo Arte"

Escrito por
A Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal - ABDF convida os bibliotecários, com habilidades artíticas, a participarem da Exposição "Biblioteconomia Fazendo Arte" apresentando suas criações. O evento na sua 6ª edição estará contemplando todas as artes que foram apresentadas nas edições anteriores: pintura, escultura, fotografia, artesanato, mosaico, música e poesia. Este ano em que Brasília completa 50 anos o evento terá um significado maior. Vai acontecer no salão de exposições da Biblioteca Nacional de Brasília no Complexo Cultural da República na Esplanada dos Ministérios, de 8 a 12/03/2010.

Informações:

3326 3835 - Mirian

9211 1771 - Iza

Participe

 

24/01/2013 | 00:00 Erika Pelegrino

Dez bibliotecas escolares ainda correm o risco de serem fechadas em razão da falta de salas de aula para atender alunos do 5º ano do ensino fundamental, que está sendo implantado este ano. A medida vai contra a Lei Federal 12.244 que determina que até 2020 todas as escolas brasileiras deverão ter biblioteca. Além de ir na contramão de um trabalho de mais de uma década que garantiu bibliotecas em 90% das 80 escolas de Londrina, enquanto no Brasil este porcentual é de 30%.

Com que roupa eles vão?os da rede municipal não receberão uniformes no início do ano letivo. De acordo com a secretária de Educação, Janet Thomas, os uniformes não estão previstos no orçamento público, que passou por cortes no pacote de eficiência administrativa anunciado pelo prefeito Alexandre Kireeff (PSD). A falta de uniforme é mais um problema enfrentado pela rede municipal, que anunciou na terça-feira o adiamento das aulas pela falta de transporte e merenda para os alunos.Segundo Janet, os alunos que não tiverem as peças disponibilizadas pelo Município nos anos anteriores poderão ir sem uniforme. “Ninguém vai ser impedido de estudar por não ter uniforme”, afirmou.

Quase 15 mil uniformes estão guardados e não podem ser usados por determinação da Justiça. Os kits foram apreendidos depois que o Ministério Público (MP) denunciou o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e ex-secretários por improbidade administrativa na compra das peças.A coordenadora do projeto “Palavras Andantes”, Márcia Batista Oliveira, responsável pelas bibliotecas escolares do Município, afirma que na próxima semana visitará as escolas para tentar alternativas de espaço para os alunos. Ela acredita que as bibliotecas vão ser preservadas, mas não descarta o risco de fechamento. “Antes do projeto ‘Palavras Andantes’, implantado em 2002, sob a coordenação do professor Rovilson José da Silva, pouquíssimas escolas tinham biblioteca e as existentes eram depósitos de livros. As crianças nem sabiam que podiam fazer empréstimos”, conta Márcia.
“Temos que lutar muito para não permitir que as bibliotecas sejam fechadas. Este é nosso principal desafio este ano.”

O educador Rovilson José da Silva destaca que a gravidade do fechamento de biblioteca escolar não está na quantidade, mas no fato de o poder público não ter a compreensão de que o espaço é um elemento essencial no processo pedagógico. “Fechar uma única biblioteca escolar é tão grave quanto fechar dez. Não se concebe hoje pensar em melhoria da educação sem a biblioteca escolar.”

Desafio

Márcia afirma que garantir que nenhum espaço seja fechado é o desafio prioritário no momento. Mas, outros ainda devem ser vencidos para consolidar a biblioteca escolar como um local de excelência e prioritário para o desenvolvimento do aluno. Das 72 escolas que contam com biblioteca, pelo menos 22 ainda não têm espaço físico apropriado e profissionais capacitados. Na área rural, as bibliotecas também estão longe de ter as condições adequadas para cumprir com sua finalidade. “Temos algumas escolas rurais que são de responsabilidade tanto do Município quanto do Estado, o que prejudica a biblioteca. Devemos definir isso”, explica Márcia.

A expectativa, segundo ela é de que a atual administração pública seja mais atenciosa com o setor, para que o trabalho dos últimos dez anos não corra o risco de retroceder. Nesse período a leitura ganhou um lugar de destaque nas escolas, com o projeto “Palavras Andantes” que tem quatro pilares: contação de histórias, formação de professores, empréstimo de livros e adequação de acervo e do espaço arquitetônico.

Formação

Com isso, muitos professores, embora não tenham formação em biblioteconomia, são capacitados para atuar na biblioteca. “Antes, era um demérito para o professor ser mandado para a biblioteca. Hoje, alguns chegam a fazer pós-graduação em literatura infantil para atender melhor os alunos”, afirma Márcia. Se antes do projeto “Palavras Andantes”, as crianças mal sabiam que podiam emprestar livros na biblioteca escolar, atualmente elas retiram no mínimo um livro por semana. Cada escola, de acordo com Márcia, conta em média com mil livros. “O acervo é composto 60% por livros infantis, 20%, infanto-juvenis e 20% por livros de pesquisa.”

Estaduais

Bibliotecas em todas as escolas

Na rede estadual de educação em Londrina, segundo a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) , professora Lúcia Cortes, as 125 escolas da rede contam com biblioteca. Ela admite que muitas ainda são “acanhadas”, mas algumas estão bem avançadas, sendo inclusive informatizadas. De acordo com a professora, as bibliotecas, hoje, recebem atenção especial do Estado com envio anual de livros para as escolas de acordo com suas necessidades de reposição e atualização do acervo. “Só no ano passado foram enviados 18.080 livros para 24 escolas.”

Fonte: Jornal de Londrina

Quinta, 07 Fevereiro 2013 23:28

Profissões se reinventam para sobreviver

por Arthur Chioramital


"Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente; é o que melhor se adapta à mudança". A Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, poderia ser afixada na entrada das empresas, como fazem com os textos de missão e filosofia da organização para lembrar a atual dinâmica do mercado. Nos últimos anos, não são raros os casos de carreiras que tiveram que se reinventar para acompanhar as transformações da sociedade e as alterações nas demandas de seus clientes. “Nosso tempo é marcado pela ocorrência de mudanças em ritmo vertiginoso. As carreiras tiveram que se ajustar a esse cenário para não perder competitividade”, explica a coordenadora da especialização em Gestão de Pessoas da Fundação Dom Cabral, Clara Linhares.

A atividade de bibliotecário é uma das que soube fazer uso do conceito darwiniano. Antes reduzida basicamente a trabalhos em bibliotecas e centros de documentação, a profissão conseguiu mudar de postura e expandir as áreas de atuação. “Mostramos às empresas a importância da gestão eficiente da informação”, diz Vera Stefanov, presidente do Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo (Sinbiesp).

A mudança nos cursos de graduação foi o caminho escolhido para que os recém-formados chegassem ao mercado de trabalho com esse novo perfil. Os currículos atuais, além de englobarem as novas tecnologias, como softwares de digitalização e recuperação de dados, preparam os estudantes para irem além da simples catalogação de livros e periódicos.

Essas transformações, não apenas garantiram a sobrevivência da profissão, como apontaram novas formas de atuar. Empresas de consultoria e escritórios de engenharia e advocacia são alguns dos novos clientes. “Conseguimos nos reinventar para preencher as demandas que foram surgindo e atrair o interesse de novos profissionais”, explica Vera, que completa: “A procura por bibliotecários aumentou em 50% desde a década de 90”.

Já os digitadores foram atrás de qualificação para não cair na inutilidade. Esses profissionais enfrentaram uma fase difícil no final da década de 80 com o avanço dos computadores pessoais. Mais fáceis de usar, os novos equipamentos possibilitavam que qualquer pessoa os operasse. “Isso reduziu de forma significativa a demanda pelo serviço formal de digitação”, conta Sérgio Rosa, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD).

Para driblar esse obstáculo e garantir sobrevivência, a categoria investiu em capacitação. O objetivo foi aumentar a qualidade dos serviços prestados pelos digitadores para fazer frente à mão de obra mais barata que havia surgido. Com o passar do tempo, os clientes perceberam que a qualidade do trabalho realizado pelos profissionais treinados era superior àquele oferecido por pessoas sem preparo. “Conseguimos mostrar que apesar de aparentemente simples, o trabalho feito por digitadores exigia qualificação e, assim, revertemos o quadro de retração que a área vivia”, completa Rosa.

Como os bibliotecários, os arquivistas viram na ampliação de suas funções a solução para não perder espaço. Nesse caso, as inovações com base tecnológica foram as ferramentas usadas. Antes, as informações eram armazenadas em papel e o arquivista intermediava o contato entre as pessoas e os documentos. Hoje, com os acervos digitalizados, sua função é criar um ambiente digital amigável que permita o acesso direto à informação. “O papel do arquivista no acesso à informação mudou, e entender essa transformação e estar pronta para ela foi vital para a sobrevivência da carreira”, diz Charlley Luz, professor da pós-graduação em Gestão de Documentos e Arquivos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP) e consultor em estratégia de informações e ambientes digitais da Feed Consultoria.

Para desempenhar a nova função foi preciso investir na interdisciplinaridade, integrando a área de gestão do conhecimento com elementos de tecnologia da informação e arquitetura da informação. Ao adquirir essas habilidades, o arquivista ampliou o leque de opções. Como resultado, o interesse pela carreira cresceu consideravelmente. “Há cinco anos havia sete cursos de graduação para arquivistas, hoje são 15”, diz Luz.

O mercado quer sempre mais, seja em termos de qualificação, produção ou eficiência, por isso a importância dessa lógica em mente na hora de planejar e conduzir a carreira, como alerta especialistas e quem já passou por isso. “Hoje em dia, os profissionais precisam ser cada vez mais proativos e se perguntarem quais mudanças de comportamento podem ser feitas para que ele permaneça inserido no mercado de trabalho, e isso se reflete nas categorias profissionais e nas atividades a que elas se referem”, conclui Clara, da Fundação Dom Cabral.

Fonte: Canal Rh

Quarta, 12 Dezembro 2012 12:39

Evento 30 anos Biblioteca Banco do Brasil

Lembramos que o prazo para confirmação é até amanhã, dia 12/12/2012, via e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelos
telefones (61) 3108-7048/7043.

veja o convite.

Quarta, 12 Dezembro 2012 12:35

O que você tem feito por sua Associação?

Você é sócio de uma Associação de Bibliotecários, Arquivistas, etc?O que você tem feito por sua Associação? participa efetivamente? 
A maioria dos profissionais esperam das Associações algo tangível e se perguntam: O que faz a Associação por mim? Porque devo associar-me? 
No entanto ao se defrontarem com alguma situação adversa e desfavorável para os arquivos, as bibliotecas e outras unidades de informação e para os arquivistas, bibliotecários e outros profissionais, o primeiro que pensam é: O que está fazendo a Associação? Não vai fazer nada?

Associar-se e participar das Associações oferece muitos benefícios.

A maioría dos benefícios são de longo prazo, de caráter estrutural para a profissão. A participação também contribue com o desenvolvimento profissional individual e permite atuar no presente para melhorar o futuro para nós e para nossas bibliotecas, arquivos, museus, etc.
As Associações representam nossos interesses e os das unidades onde atuamos. Todo coletivo profissional, se faz mais forte quando há uma instituição que o respalda e zela por seus membros diante de outras Instituições, o Estado e a Sociedade em Geral. Também, as associações colaboram com o Estado na elaboração de políticas culturais, especialmente aquelas que tenham que ver com o acesso a informação e o fomento a leitura.

Sem dúvidas, nada disso se pode obter sem apoio das Associações. As associações são organizações sem fins lucrativos e sua sustentabilidade se dá mediante a participação de seus associados. Cada associação define cuidadosamente um valor que lhe permita ano a ano marcar presença, atuar politicamente, organizar eventos, oferecer cursos, prêmios, reconhecimentos, publicações, ter um sitio na web e manter uma infraestrutura que sirva para respaldar os profissionais que representa.

Olhando de fora vemos que há associados que estão sempre presentes. Fazem parte dos conselhos diretivos, das comissões, organizam eventos. Então pensamos que não há lugar para mais gente, que outros já estão fazendo o trabalho. Mas as Associações necessitam da colaboração de todos

(Texto de Maria Violeta Bertolini, traduzido e adaptado)


GRA000905 - Biblioteconomia (EAD)
Cidade: Caxias do Sul
Pólos de Ensino: Caxias do Sul, São Sebastião do Caí, Vacaria
Autorização: Resolução CONSUNI Nº 09, de 19.09.12
Turno: Nenhum
Duração: 4 anos
Créditos: 158
Valor do crédito básico para 2013: R$ 120,33
Carga Horária:
HorasAtividades ComplementaresTotal
2490 120 2610 + ENADE
ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, componente curricular obrigatório para a conclusão do curso, instituído pela Lei no 10.861 de 14-04-2004.

*Por Alberto Manguel 

Dizer que uma biblioteca é o repositório da memória de uma sociedade parece implicar que essa memória é algo que está distante no tempo, contemporâneo de Alexandria. A noção de que aquilo que preservamos do esquecimento pode ser tão recente como nossa infância ou a dos nossos avós nos escapa: preferimos pensar na história social como uma história antiga, velha como Matusalém. Em vez disso, as bibliotecas são os principais repositórios de nossa própria história e dão uma espécie de modesta imortalidade àquilo de que o passado deseja se apropriar. As bibliotecas transformam o antigo em contemporâneo. O lugar onde vivemos, as pessoas que vemos todos os dias, possuem histórias documentadas, intencional e involuntariamente, em toneladas de papel e tinta, em retratos e fotografias, em vozes gravadas, em papiro e rolos de cera e formatos eletrônicos. De uma biblioteca, pode-se dizer que não tem passado: tudo é presente ou, se preferirmos, tudo, inclusive este momento e este lugar em que nos encontramos, pertence a um passado no qual continuamos a existir. 

Esse passado é o de cada um de nós, mas, sobretudo, é o nosso em conjunto. Uma biblioteca pública sempre guarda em si, implicitamente, a noção de uma certa identidade coletiva. Contudo, podemos perguntar: que elemento, que característica precisa define essa identidade? Obviamente, uma biblioteca regional ou nacional deve trazer a preocupação de abrigar sob seu teto a maioria das obras que esta região ou nação produziu e permitir aos cidadãos deste lugar acesso a todos os seus cantos. No entanto, para encarnar plenamente a identidade coletiva, para ser, em certo sentido, sua imagem emblemática, deve possuir algo mais, algo que permita aos leitores reconhecer nela uma duplicidade esclarecedora: ser uma instituição conservadora, mas estar sempre em crescimento, sentir-se enraizada no passado, mas traduzir constantemente esse passado em futuro, colocando-se como um centro ao mesmo tempo local e deslocalizado, como um arquivo concentrado e eclético, como um microcosmo e um macrocosmo reunidos sob um único teto. 


Leitores crescem à sombra de censores e políticos

Talvez porque a história é um gênero literário, os grandes eventos da humanidade obedecem a leis de estilo e regras de sintaxe. Nossas tragédias e comédias têm heróis e vilões, respostas memoráveis e atos simbólicos. Com esmero artístico, ainda que nem sempre alcançado, construímos nossas sociedades e instituições e, ao longo do tempo, como ocorre em nossa memória com as obras literárias, nossas ações se resumem a uns poucos parágrafos notáveis. Assim acontece com nossas ambições e empreitadas, nossas fundações e destruições, nossos finais e começos. Nossas cidades, como nossos livros e obras de arte, entesouram significados que seus autores muitas vezes desconhecem e símbolos que, às vezes sem querer, são arcaicos e universais. A arquitetura de uma cidade simboliza sua história, e toda sociedade pode reclamar como seu o epitáfio que o arquiteto Wren escreveu para seu túmulo na catedral de Westminster: “Si monumentum requeris, circumspice” (“Se necessita de um monumento, olhe em volta”). Censores e políticos sabem disso e, em nossa época, tratam de substituir as bibliotecas, centro simbólico de uma sociedade letrada, pelos bancos, centro simbólico de uma sociedade gananciosa. 

Desde o princípio, há mais de cinco milênios, os leitores cresceram à sombra de censores e políticos. Os primeiros creem, apesar dos incontáveis exemplos em contrário, que é possível anular o passado, cegar o presente, espoliar o futuro, aniquilar uma ideia uma vez expressada e, literalmente, apagar as palavras da memória comum. Os outros pensam que, deformando ou empobrecendo o ato da leitura, podem transformar os leitores em meros consumidores, debilitando seu poder de reflexão e seu juízo, condição necessária para consumir às cegas — assim, por um tempo, podem alcançar seus objetivos, embora não para sempre. Ambos os esforços são, ao fim e ao cabo, inúteis, mas demonstram a extraordinária fé que as autoridades possuem nos poderes do leitor: poder de escolher, de discutir, de questionar, de transformar, de recordar, de imaginar mundos melhores. O poder do leitor é imenso. 

Nas sociedades do livro, a biblioteca, apesar de ficar em um lugar específico, assume para seus leitores uma geografia universal, já que a palavra escrita elimina fronteiras. Esta geografia sem fronteiras que a palavra escrita cria elege como centro o espaço da biblioteca. Os sete mares e os seis continentes confluem para as prateleiras destes edifícios icônicos, como também as constelações, os sóis e as trevas, imensidão que converge para a mesa de cada leitor e se resume a algumas linhas do texto que está lendo. A biblioteca universal não existe, a menos que toda biblioteca seja universal. 

Desde sempre temos levado conosco nossas palavras — nossos livros, nossas bibliotecas — para nos acompanhar em nossas peregrinações. A Europa herdeira de Santo Isidoro (tanto de seus talentos intelectuais como de seu antissemitismo e demais preconceitos) projetou sua enorme sombra na aventura da conquista, que outros chamam invasão. Os soldados letrados e iletrados que emigraram para o novo continente levaram não só a mitologia europeia, das sereias e amazonas ao deus redentor que agoniza em uma cruz, mas também livros que eram memória e glosa de tais mitologias. É inquietante ler na crônica da primeira viagem de Colombo que, ao ver uns peixes-boi na costa da Guiné, ele acreditava ver “três sereias que saltaram bem alto no mar, mas”, completa fielmente o almirante, “não eram tão bonitas como as pintam”. Perturba também saber que era importante para esses homens trazer a terras desconhecidas os seus livros. Dom Pedro de Mendoza, fundador da minha Buenos Aires, trouxe consigo vários tomos. Para ele, contemporâneo de “Dom Quixote”, o mundo intelectual era um só, ou, em outras palavras, para ele em qualquer empreitada particular devia intervir o universal. Em todo caso, é importante reconhecer que seu impulso foi o de dar à nova cidade o fundamento de uma biblioteca transportada e se assegurar assim, por associação, uma espécie de imortalidade. 


Livros acompanharam migrações humanas 

Uma espécie de imortalidade: talvez seja este o impulso que nos leva, nas sociedades do livro, a ser nômades literários. Nossas eternas migrações são acompanhadas de leituras; entre os pertences que levamos para o exílio estão nossos livros; em nossas migrações transportamos animais, tendas, sementes, armas, mas também bibliotecas. Os reis egípcios criavam bibliotecas nas cidades mais longínquas. No século V a.C., o jovem Alcebíades, visitando um afastado povoado durante seus périplos pelas colônias gregas, deu um soco no nariz de um professor em cuja escola não encontrou um único exemplar de Homero, porque julgou que o homem havia faltado a seu dever intelectual. Alexandre, o Grande, talvez para não esquecer que os vencidos também têm voz, sempre levava a suas guerras um exemplar da “Ilíada”. No século X, Abdul Kassam Ismael, grão-vizir da Pérsia, para se sentir em casa em qualquer lugar, viajava sempre com sua biblioteca de 117 mil obras carregadas no lombo de 400 camelos treinados para marchar em ordem alfabética. Desde os primeiros tempos, os exilados se consolam com seus livros porque estes são, como queria Marguerite Yourcenar, sua pátria. Estes podem ser muitos ou apenas um. Próspero, em “A tempestade”, de Shakespeare, leva ao exílio sua biblioteca mágica, que é a fonte do seu poder. Vladimir Nabokov emigra de sua amada Rússia com o dicionário russo em seu bolso. Liao Yiwu foge da repressão na China com um pequeno exemplar de “O romance dos três reinos”, de Luo Guanzhong, em cujas margens escreve seus poemas. Toda biblioteca é herdeira destes heroicos leitores. 


*Alberto Manguel é escritor e ensaísta nascido em Buenos Aires e naturalizado canadense, autor de “A biblioteca à noite” e “Os livros e os dias” (Companhia das Letras), entre outros títulos. Dia 21, às 19h, ele participará do projeto Leituras Imperdíveis, na Biblioteca Municipal de Botafogo (Rua Farani 53). O evento tem entrada franca.

EDITAL 416/2012, de 29 de outubro de 2012, que abre vaga e disciplina o concurso para Professor Ajunto, do setor de estudos: "Gestão, Recursos e Serviços de Informação", para o Departamento de Ciências da Informação da UFC.

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Terça, 13 Novembro 2012 11:22

O Brasil não tem um sistema de bibliotecas

A secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil  
(FNLIJ) é cética sobre criação de bibliotecas em escolas dentro de  
prazo previsto por lei.

A secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil  
(FNLIJ), Elizabeth Serra, se diz cética em relação ao cumprimento da  
lei brasileira que obriga todas as escolas a ter bibliotecas até 2020.  
E afirma que só a medida não basta.

Quais projetos colombianos de incentivo à leitura podem servir de  
inspiração para o Brasil?

O Brasil ainda não tem um sistema nem de biblioteca pública nem de  
biblioteca escolar. Por isso é que veio a lei. Mas, sozinha, ela não  
vai fazer nada. Temos que nos mobilizar. As crianças têm que aprender  
a usar a biblioteca na escola. No Brasil, nós temos salas de leitura e  
raríssimas bibliotecas nas escolas.

Por que as escolas têm que ter bibliotecas em vez de salas de leitura?

A sala de leitura não cumpre o papel de biblioteca, pois às vezes tem  
um tratamento biblioteconômico e às vezes não. Se não houver um  
procedimento de catalogação dos livros e de adequação deles na  
estante, não é possível ter um acervo coletivo. Isso também é um  
processo educativo que tem que ocorrer na escola. A organização é  
fundamental. A biblioteca dá continuidade à escolaridade. Se os alunos  
não aprendem na escola que a biblioteca é o lugar onde poderão buscar  
livros e estudar, eles vão interromper o processo deles. A biblioteca  
é o coração da escola, é onde se pode buscar informação. Na Colômbia,  
os cidadãos têm uma compreensão de convivência e de cidadania e sabem  
que este espaço é um direito. Os colombianos conseguiram perceber que  
uma forma de romper com o tráfico de drogas é por meio de ações  
sociais e culturais, e escolheram a biblioteca como ponto de  
referência. Nisso é que a gente tem que se espelhar.

O número de escolas com bibliotecas cresceu pouco no Brasil desde que  
a lei entrou em vigor. Estamos caminhando muito devagar?


Sim. Um estudo diz que nós teríamos que construir 25 bibliotecas por  
dia para obedecermos a lei. Isso é difícil. O professor não está bem  
formado, e ele seria um grande defensor da biblioteca.

A média de livros lidos por ano na Colômbia é menor que no Brasil.  
Devemos nos inspirar na Colômbia mesmo assim?

Na organização de bibliotecas públicas, estamos atrás deles. Mas  
estamos fazendo melhor a formação de leitores. Os professores  
brasileiros cada vez mais estão entendendo que o trabalho de formação  
de leitores é com livro. Aqui, muitas vezes eles douram a pílula, e  
fazem atividades como teatrinhos para convidar o aluno a ler.

A Experiência colombiana - Um aluno entra na sala do diretor da escola  
Benjamín Herrera sendo puxado pela camisa por sua professora, que pede  
a expulsão do rapaz, pois ele se recusou a ler livros "chatos". O  
diretor deu a ele uma tarefa: fazer uma pesquisa de campo para saber  
por que os jovens não queriam ler. O trabalho causou uma revolução na  
escola. O interesse pela leitura cresceu tanto que foi preciso  
construir um prédio para abrigar outra biblioteca.

O episódio aconteceu na cidade de Medellín, na Colômbia, há 20 anos,  
mas até hoje serve para exemplificar as dificuldades dos professores  
para estimular a leitura e como elas podem ser superadas.

A capital colombiana também tem práticas de estímulo à leitura e uma  
rede de bibliotecas públicas que podem inspirar o Brasil. Bogotá foi a  
primeira cidade da América Latina a ser considerada Capital Mundial do  
Livro, título dado pela Organização das Nações Unidas para a Educação,  
Ciência e Cultura (Unesco) e pela indústria editorial mundial em 2007,  
devido a projetos de estímulo à leitura. Além dela, apenas Buenos  
Aires, na Argentina, detém o título no continente.

Assim como o Brasil, a Colômbia não tem bibliotecas escolares  
perfeitas e em número ideal, mas projetos desenvolvidos por  
colombianos já inspiram professores brasileiros.

O diretor da escola Benjamín Herrera, em Medellín, Oscar Mejía Henao,  
já esteve três vezes no Brasil para falar da pesquisa sobre por que os  
alunos não gostavam de ler. Descobriu que eles queriam ter mais  
liberdade de escolha. "Com a investigação, os jovens derreteram,  
lentamente, o autoritarismo no colégio. Os professores ficaram mais  
sensíveis. Quando diminuíram a pressão sobre a obrigação de ler livros  
clássicos e escrever relatórios sobre eles, os alunos passaram a ler  
muito mais", disse Henao.

Outra escola pública de Medellín, o Centro Formativo de Antioquia  
(Cefa), só para garotas, também conseguiu bons resultados. As alunas  
que mais pegam livros na biblioteca, que tem 12.053 volumes, são  
premiadas. Os professores ajudam as estudantes a descobrir de qual  
estilo literário gostam e estimulam uma espécie de "rodízio  
literário", em que uma aluna lê o livro preferido da outra.

A estudante Leslye Cuervo, de 16 anos, costumava ler apenas o que era  
necessário para as provas. Mas de 2011 para 2012 leu 26 obras. "Se eu  
lia um romance e não gostava, a professora perguntava por que eu não  
tinha gostado e me ajudava a descobrir outro. Isso me ajudou a  
escolher melhor", diz Leslye.

Em Bogotá, bibliotecas de escolas públicas têm estimulado a leitura  
não apenas entre os alunos, mas também entre pais de estudantes e  
professores. No colégio Alfonso Lópes Michelsen, na capital  
colombiana, profissionais que trabalham na biblioteca reúnem pais de  
alunos para ler textos. "A ideia é que os pais tenham ferramentas para  
estimular as crianças a ler. Os pais se aproximam mais dos filhos e  
replicam, em casa, com a família, tudo aquilo que aprenderam durante o  
projeto", explica o professor-bibliotecário da escola, José Diaz.

O colégio público Los Alpes, em Bogotá, promove rodas de leitura entre  
os professores, pois acredita que eles têm que ser leitores. A  
orientadora de sala de leitura da Escola Municipal Dilermando Dias dos  
Santos, em São Paulo, Paula de Souza e Castro, conheceu o projeto em  
visita à Colômbia e quer usá-lo como inspiração. "Eu quero trabalhar  
com a família dos alunos e com professores que não atuam diretamente  
com a área da Língua Portuguesa e da Literatura", afirma Paula.

A vice-diretora da Escola Municipal Valneri Antunes, em Porto Alegre  
(RS), Nara Freitas, quer instalar um espaço especial de leitura para  
mães e bebês na sua escola, conhecido na Colômbia como "bebeteca". "Eu  
gostei da ideia de estimular os pais a contar histórias para os seus  
filhos. Já estou até pensando em um lugar para instalar uma "bebeteca"  
na minha escola", conta Nara.

Assim como no Brasil, nem todas as escolas da Colômbia possuem  
bibliotecas. No Brasil, uma lei federal de 2010 estabeleceu que até  
2020 todos os colégios, públicos e particulares, devem ter bibliotecas  
com acervo de, no mínimo, um livro por aluno.

No entanto, segundo o Censo Escolar 2010 do Ministério da Educação,  
menos da metade (40,8%) das escolas públicas e privadas de ensinos  
fundamental e médio do país possuía bibliotecas. Em 2011, esse  
percentual era de 41,5%. O Ministério da Educação da Colômbia não  
informou quantas escolas do país têm bibliotecas.

Em Bogotá, segundo a prefeitura, todas as escolas têm bibliotecas, mas  
em apenas 90 das 360 o acesso aos livros é fácil e há instalações  
adequadas. Além disso, as bibliotecas escolares recebem livros da rede  
municipal, e há eventos de promoção de leitura em conjunto. A meta é  
melhorar 91 bibliotecas escolares até 2014.

Segundo a Unesco, a média de livros lidos por ano no Brasil é de  
quatro por habitante, enquanto na Colômbia o índice é de 2,2. "Uma  
biblioteca escolar ideal é a que trabalha em conjunto com a aula e o  
professor, com projetos que permitam que as crianças leiam mais  
profundamente certas obras", diz a presidente da Associação Colombiana  
de Leitura e Escrita, Silvia Castrillón.

Em intercâmbio promovido pelo Instituto C&A, professores de 24 escolas  
públicas brasileiras foram à Colômbia conhecer bibliotecas e políticas  
de incentivo à leitura. Os colégios receberam R$ 12 mil cada para  
promover a leitura e construir bibliotecas.


Fonte: O Globo e http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=84855

A Biblioteconomia tem entre suas preocupações e interesses, a leitura. As bibliotecas, mesmo que em um primeiro momento as públicas e escolares, trabalham com a leitura. Isso nos parece óbvio. No entanto, com o que de fato lidamos no âmbito da leitura? Ensinamos as pessoas a ler, fomentamos a leitura, disponibilizamos livros para a população, facilitamos o contato das pessoas com os livros? Essas questões estão sempre presentes - ou devem estar - nas nossas reflexões e nas nossas pesquisas. Mesmo sabendo que não faz parte de nossas atribuições o ensino da leitura, sem nos apercebermos criamos um confronto com as atribuições dos professores.

É preciso que se torne claro o nosso fazer em relação à leitura, pois assim, conseguiremos distinguir as diferenças entre o fazer do professor e do bibliotecário. Para mim, trabalhamos com o fomento à leitura. Buscamos facilitar a relação e o contato dos alunos - e do público em geral - com os suportes da leitura. Essa tarefa não é exclusiva dos bibliotecários, como também não é exclusividade dos professores. Muitos profissionais incluem em seu fazer o fomento à leitura. Aliás, fomento à leitura é uma ação que foi assimilada e assumida por muitos segmentos da sociedade. É evidente esta última afirmação quando, tanto na imprensa escrita como falada, ficamos sabendo de campanhas, coletivas ou individuais, interessadas no aumento da leitura. No entanto, cabe observar que boa parte dessas campanhas ou ações não estão preocupadas com o conteúdo dos livros divulgados ou doados, mas apenas com o acesso físico ao livro. A leitura é boa em si mesma. Essa postura carrega concepções que, mesmo não explicitadas, são facilmente entendidas.

Quantas pesquisas sobre leitura conhecemos que foram realizadas por bibliotecas ou bibliotecários? Quantas pesquisas sobre leitura abrangeram um universo maior do que o espaço de uma única biblioteca? Se essas pesquisas não existem ou são poucas, no que baseamos nossas ações? Sem medo de errar, posso afirmar que seguimos resultados de pesquisas que têm como interesse o mercado livreiro. Tais pesquisas pretendem identificar como as pessoas se relacionam com o livro, mas para, ao final, desenvolver estratégias de vendas. Tanto isso é verdade que a pesquisa Retratos da Pesquisa no Brasil - 3, entende como leitor aquele que leu um "livro" nos últimos 3 meses. Um livro e não outros suportes de leitura. Qual o motivo que levou o coordenador da pesquisa a determinar como leitor apenas aquele que lê livros? Baseado no fato de que a pesquisa teve como interesse o livro, além de ter sido financiada por instituições e empresas ligadas ao comércio livreiro, buscou ela resgatar o interesse das pessoas por temas e assuntos, desejo e possibilidade de compra, etc. É importante descobrirmos esses dados? São eles relevantes para quem lida com o livro e a leitura? Claro, mas isso reforça o que estou afirmando. A pesquisa se preocupou e esteve voltada para a leitura do livro e não para a leitura.

A biblioteca trabalha apenas com a leitura do livro? Não. Ela direciona, ou deveria direcionar, suas atenções para a leitura de outros suportes. Nossa relação com o livro, tanto da biblioteca como do bibliotecário, tem uma explicação bastante coerente, no entendimento de Ortega y Gasset, quando afirma ele que a atual concepção surge com a invenção do tipo móvel e da imprensa no século XV. Desde então, temos essa relação estreita com o livro. No entanto, nosso fazer não está vinculado ao livro, mas à informação. E disso não podemos nos esquecer sob pena de nortearmos nossas ações para um objetivo destoante de nosso objeto de estudo, preocupação e interesse. Para lidarmos de fato com a leitura, apesar de enfocar nossa ação no fomento dela, precisamos de embasamento teórico e de pesquisas que estejam voltadas para a leitura e não apenas para o livro. Para nós, bibliotecários, o conceito de leitura deve ser amplo, não se atendo apenas ao texto escrito.

Sobre Oswaldo Francisco de Almeida Júnior Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Presidente da ABECIN - Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação. Mantenedor do Site

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