MiBiblioteca: La revista del mundo bibliotecario. Málaga, Fundación Alonso Quijano, v. 7, n. 25, p. 66-70, mar./mayo, 2011.

Como administrar atividades culturais na biblioteca pública.

Elisenda Figueras Llaveria

Taleia Cultura (www.taleiacultura.com)


Na hora de programar atividades culturais na biblioteca temos que ter claro se o nosso objetivo é realizar a atividade ou se o que queremos é que ela seja o meio para alcançar o nosso objetivo. A estes dois conceitos, que nos fazem refletir, temos que adicionar mais um: o projeto. Isto pode nos abrir os olhos com um novo olhar quando pensamos no porquê e no para que das atividades. Vamos ver como.


Diante da pergunta de como administrar as atividades culturais da biblioteca, a minha resposta é sempre a mesma, que começa com outra questão: o seu objetivo é realizar a atividade ou, que a atividade seja o meio para alcançar os objetivos do seu projeto? Superado o pequeno desconforto da pergunta, vejamos como reconstruímos o processo que nos leva dos objetivos até a atividade. Aos dois conceitos no processo de gestão, é imprescindível adicionar mais um: o projeto.

Chamamos projeto a um conjunto de estratégias que com frequência concentra-se em atividades, ações, campanhas, etc. que, em um período de tempo determinado e com os recursos de que dispomos, nos permitem alcançar os objetivos apresentados, que estão explicitados na missão da nossa organização.

É preciso trabalhar a partir de projetos. O projeto é a nossa ferramenta básica de administração. O projeto versus a programação. Temos que banir o ativismo, isto é, privilegiar ação em detrimento da especulação e refletir sobre quais são os nossos objetivos no contexto do que somos: uma biblioteca pública.

Para começar vamos formular algumas perguntas: se o nosso objetivo ou missão é fomentar a leitura conseguiremos este objetivo programando uma atividade de contação de histórias? Um clube de leitura? Uma palestra? Durante um ano? Cinco anos? Como aumenta ou se diversifica o hábito da leitura entre os usuários? Como o comprovamos?

É preciso abolir a eterna questão que temos, de, se neste ano, vamos ter orçamento, de quais, quando e quantas atividades de contar histórias; clubes de leitura; espetáculos; palestras e recitais, temos que programar.

Crasso erro é determinar um curto período de tempo, o imediatismo. Temos que saber por que e para que fazer as atividades. Temos que fechar os olhos e abri-los com um novo olhar. E esse olhar começa compreendendo qual é a missão da biblioteca pública. Sabemos que o grande guarda-chuva universal está no Manifesto da Unesco onde se encontram os princípios básicos comuns tanto para uma biblioteca urbana de 5000m2, como para a tradicional biblioteca de 100m2. Porque essa diferença não esta propriamente nos objetivos, e sim nos recursos e prazos para consegui-los, ou os que têm prioridade, mas sempre, sempre pensando em ir adicionando, vinculando, imbricando as nossas ações.

Fecho esta reflexão prévia retomando a pergunta inicial cuja resposta chave é simples no enunciado: conceber um bom projeto cultural (projeto compartilhado, em função da dimensão da biblioteca, com outros projetos de aquisição, de ampliação, financiamento, formação, porém mais complexo em sua concretização. Por isto, aponto uma série de conceitos que convém considerar:

Prioridades.

Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo ou, num curto período de tempo. Em função das prioridades políticas, sociais e culturais, de público, de conteúdos, de recursos e de oportunidades desenharemos o nosso projeto que estabelecerá um roteiro, um calendário que refletirá o nosso plano de trabalho e que permitirá tomar decisões sobre situações de mudanças e desvios.

O projeto será o mesmo, mas as atividades se adaptarão as mudanças.


Objetivos.

Saber o que queremos conseguir para escolher a ação mais adequada. Sem ter claro este ponto, a desordem é absoluta. Temos que distribui-las no tempo, concretizar quais são as nossas prioridades e poder quantificá-las, para avaliação Vejamos um exemplo: resolvemos que o nosso objetivo, nos próximos três anos, é aumentar o empréstimo de um gênero literário determinado. Mas não acaba aí nosso trabalho. É preciso estabelecer indicadores para medir o grau do que consideramos êxito: o primeiro ano o empréstimo tem que aumentar 20% e nos dois anos seguintes tem que aumentar 15% mais. Isto implica dispor de ferramentas que comprovem se os objetivos foram alcançados ou não, e de uma série de ações. É neste momento que começamos a pensar nas atividades que facilitem o contato do público com o material documental.


Públicos.

Nem todos os cidadãos procuram ou precisam dos mesmos serviços da biblioteca. Abrimos as portas da nossa biblioteca a todos os cidadãos, mas os seus interesses, conhecimento, disponibilidade de tempo, pontos de informação, referencias, etc. são muito diferentes. Também não podemos atender a todos ao mesmo tempo, nossa estrutura, evidentemente, não nos permite fazer isso. É imprescindível segmentar em grupos de interesse, idade, localidades, a partir da aí escolheremos quais vamos priorizar e, depois, conhece-los nos colocando no lugar deles, estabelecer contato e, só então, revolver quais serão as atividades que vamos lhes oferecer.

Parcerias.

Não podemos trabalhar sozinhos ou isolados. Unidos conseguiremos muito mais e com menos esforço. Muitos de nós, trabalhamos desde perspectivas (missão) e objetivos diferentes, para a mesma faixa de público, para os mesmos cidadãos cada um colocando ênfase em alcançar os seus objetivos. Por que não somar, compartilhar, aproveitar? Temos que criar redes e gerar sinergias.

Se um clube esportivo goza da confiança dos seus sócios, na sua maioria composto por pessoas de diferentes idades, quem melhor do que um dos seus representantes para falar da sua experiência na apresentação de um livro que fala sobre esportes? Por que não aproveitar que a loja especializada em produtos biológicos nos prepare uma oficina? Ou que os jovens do grupo de música indiquem, através de Twitter, a programação que será feita na biblioteca? Ou ainda que os integrantes do histórico clube de leitura, administrem na biblioteca, uma leitura em voz alta com textos propostos pelos seus parentes, colegas de trabalho ou amigos? A atividade é a isca, o que importa é que com ela atingimos mais pessoas e a um público novo, investindo menos recursos.


Comunicação.

Só existimos se somos conhecidos. Temos que acabar com os monólogos culturais. A base da comunicação é o diálogo e, portanto, temos que programar pensando quem é o nosso receptor, nos preocupando ao mesmo tempo de ter um retorno. Tudo isto sem esquecer que a escolha do canal e os fatores do entorno são vitais para a perfeita recepção da mensagem. Uma mensagem que ao mesmo tempo seja compreensível (código) e de interesse para a pessoa ou organização que vai recebê-la. Vamos acabar com o hábito de programar uma palestra e falar que não sabemos quantas pessoas vão aparecer. Se tivermos aplicado o processo da comunicação e estamos propondo um novo clube de leitura sobre romance policial, já escolhemos quais serão os canais adequados: informar no Facebook, fazer um cartão de convite personalizado que vamos distribuir entre os leitores da biblioteca para que eles convidem uma pessoa que tenha interesse, distribuir folders nas livrarias, associações de pais e mães de alunos, entidades culturais, etc. ou buscar a colaboração de um reconhecido autor desse gênero literário que fará a primeira palestra e que, ao mesmo tempo, na campanha gráfica, convide os leitores a se inscreverem. O resultado em termos da participação do público não precisa ser uma eterna surpresa. Temos que avaliar o processo para reconhecer os lapsos de gestão.


Prazos.

Trabalhamos em processos a longo prazo. Faz mais de 100 anos que se abriu a primeira biblioteca pública passando por muitas alterações, de formato, tipos de acervo ou serviços, espaço ou relação com o usuário. A maior parte dos objetivos que propomos precisam de longos processos que vamos programar no tempo. Frequentemente, o fomento da leitura se consegue ao longo da vida. Tem etapas de encontro e desencontro que precisam ser consideradas em nossos projetos. Por exemplo: se a minha prioridade, no prazo de 3 anos, é o fomento da leitura entre o público habitual da biblioteca, vou propor um círculo de leitura que durante o primeiro ano se consolide; durante o seguinte crie-se uma comissão que colabore na recomendação e distribuição de leituras em escolas e, no terceiro possa se propor uma autoadministração do grupo. Temos que considerar a evolução das atividades dentro do contexto do projeto.


Avaliação.

Temos que aprender com a experiência adquirida. Aprendemos com os sucessos e com os erros. Mas, para que seja um material útil, temos que ser rigorosos na coleta e tratamento dos dados. Avaliamos se cumprimos com nossos objetivos (indispensável saber quais eram), mas, também, se os canais de comunicação usados com o público alvo eram os adequados. A pesquisa de opinião que sempre entregamos ao público no final da atividade ou a breve conversa com algumas pessoas que assistiram, vão nos permitir saber estes detalhes. Ao mesmo tempo, enquanto desenvolvemos o projeto em curso, estamos pensando na próxima etapa o nos novos projetos, e para isto, vamos convidar para a apresentação programada, o grupo de teatro ou a entidade a quem vamos pedir a próxima colaboração para criar vínculos de parceria. Todos estes dados adicionados e sistematizados nos facilitarão tomar ou justificar as decisões.


Sistema.

Todos estes conceitos estão relacionados entre si. E com isto fechamos o círculo dos conceitos: biblioteca, missão, prioridades, oportunidades, objetivos, públicos, comunicação, recursos, atividade, avaliação. Todos eles estão relacionados. Vamos tomar as decisões que vão definir nosso projeto sabendo que existe esta relação e que temos que considerar como se afetam mutuamente.

Se estivermos definindo aspectos de comunicação e difusão, a hora da contação de histórias, uma ótima iniciativa para introduzir os pequenos na leitura, podemos aproveita-la para que o contador de histórias recomende uma leitura aos pais. E a eles, podemos entregar um folder de uma oficina sobre como contar histórias que estamos preparando para os avós, o seja, seus pais.

Muito outros aspectos devem ser considerados quando falamos de projeto. Estas linhas são apenas uma amostra para ratificar a tese inicial: não há lugar para a dúvida, a atividade nunca será o ponto de começo da nossa gestão, ao contrário é uma decisão final depois de analisar quem somos, o que queremos conseguir e de que recursos dispomos.

Artigo traduzido, com autorização da Fundación Alonso Quijano, pela bibliotecária Begoña Colmenero Niño, Chefe de Documentação do Instituto Cervantes de Brasília.

A Biblioteca DEMONSTRATIVA Maria da Conceição Moreira Salles comemora, no período de 15 de abril a 29 de junho, o Mês do Livro, com a exposição Ilustração: a arte nos livros, que enfoca a ilustração como parte integrante da edição do livro.

Convidamos V.Sa. e família, para no dia 23 de abril, terça-feira, às 12h30, assistir, na DEMONSTRATIVA (Av. W3 sul EQ 506/507), ao Projeto Terça-Literária, com o tema Rubem Braga e a crônica brasileira em comemoração ao centenário de nascimento deste grande cronista, com a participação de André Panizza e André Aires e intermediação de Eva Leones.

Contamos com sua presença!

Sindicato Nacional dos Servidores do MPU - SINASEMPU obtém julgamento de procedência dos pedidos formulados em Ação Condenatória ajuizada contra a União, garantindo o afastamento de servidores que não possuem diplomação pertinente, especialmente aqueles nomeados para cargos em comissão ou função comissionada, do exercício das atividades de bibliotecários. Ao acolher os fundamentos sustentados por Cassel & Ruzzarin advogados, a sentença afirmou que, apesar de legítima a discricionariedade da Administração na ocupação de suas funções e cargos em comissão, referida discricionariedade deve estar pautada nos limites da lei que, no caso, atribuiu a administração e direção de bibliotecas ao profissional bibliotecário.
REF.: PROCESSO Nº 64153-76.2011.4.01.3400. Juiz Federal Bruno César Bandeira Apolinário.

Fonte: Cassel & Ruzzarin advogados

http://www.cer.adv.br/noticias

São Paulo - A poetisa goiana Cora Coralina (1889-1985) dizia que feliz é a pessoa que divide o que aprende e sabe com os que estão ao seu lado. Sábias palavras, vindas de uma mulher muito simples e muito elegante também. O ato de compartilhar é uma gentileza. Há uns bons anos li uma notinha numa revista feminina que dizia que a gentileza faz bem à saúde.

A nota informava que um cardiologista americano estudou as reações que os atos de generosidade e gentileza provocavam em nosso corpo. Segundo o estudo, todas as vezes que você é gentil com outra pessoa, uma reação interna faz com que você desacelere todos os seus órgãos e, dessa maneira, proteja seu coração dos males do estresse.

O profissional que, além de polido, é generoso faz um bem enorme a si mesmo e à própria carreira. Ao compartilhar seus conhecimentos e sua experiência, o generoso tende a ganhar a admiração e o respeito de seus pares e subordinados.
Afinal, quem de nós não quer estar perto de uma pessoa genuinamente generosa, que joga limpo sempre e que o tempo todo divide com o time aquilo que sabe? Tendo a equipe ao seu lado, as chances de o generoso obter bons resultados aumentam.
Que delícia é ser parceiro de um líder ou de um colega que vibra de forma verdadeira a cada conquista nossa e a cada passo dado que nos deixa mais perto do sucesso. O ser humano generoso compreende que, quanto mais ele divide o que sabe com os que o rodeiam, mais ele agrega aos outros e, da mesma forma, mais ele cria possibilidades de expandir sua sabedoria, sua expertise e seu conhecimento também.

Aquele que costuma agir de maneira contrária, temeroso por levar a pecha de bonzinho ou de bobão, precisa rever conceitos: dividir na vida profissional é quase sempre sinônimo de somar. Não tema que outros levem os louros da glória em seu lugar — os parceiros generosos sempre se lembram de mencionar seus mentores ou sua fonte de inspiração para o sucesso.

Os mesquinhos que não agem assim em pouco tempo despencam das alturas, pois, à medida que as pessoas percebem aproveitadores ao seu redor, tratam de se relacionar com eles de outra maneira, quase sempre numa distância polida que os coloca no lugar que pessoas assim merecem ocupar.


FONTE: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/170/noticias/por-que-e-bom-ser-generoso

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Cássia Alencar

Sexta, 03 Maio 2013 14:51

Resolução salarial 2012

A Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal - ABDF usando das prerrogativas que lhe confere o Estatuto e considerando: ser o bibliotecário profissional da informação de
conformidade com a Classificação Brasileira de Ocupações do MTE, de nível superior, de caráter liberal e a Biblioteconomia e Documentação encontrarem-se na Classificação Nacional
de Atividades Econômicas – CNAE, como atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental, exercidas nas bibliotecas de todos os tipos, salas de leitura, áudio e projeção, destinadas a
servir o público em geral, compreendendo ainda à gestão de bibliotecas, conforme item 9101- 5/00 da referida CNAE orientar os bibliotecários e seus empregadores.

Leia todo o conteúdo no arquivo...

O Fórum Brasileiro de Bibliotecas Públicas é um encontro promovido pelo SNBP com o intuito de identificar, valorizar e compartilhar pesquisas acadêmicas que estão em andamento no país, assim experiências práticas de sucesso na área de Bibliotecas Públicas. Configura-se como um evento paralelo ao Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD) e esta na sua terceira edição.

Em 2013, acontecerá entre os dias 7 e 11 de julho, em Florianópolis (SC) e terá a parceria da Escola de Biblioteconomia (EB) e do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia (PPGB) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Santa Catarina (SEBP/SC).

O dia 7 de julho, domingo, será reservado para abertura seguida de palestras e o encerramento acontecerá no dia 10 de julho. Diferentemente dos anos anteriores, a apresentação de trabalhos acontecerá concomitantemente ao XXV CBBD, ou seja, dentro da temática IV:Bibliotecas Públicas: teoria, prática e sustentabilidade.

Para enviar seu trabalho sobre Bibliotecas Públicas, clique aqui.

Publicação reúne artigos com relatos de experiências do Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas de São Paulo. Vale a pena conferir!

Clique aqui para acessar a publicação.

Sexta, 05 Abril 2013 20:20

Curso de Taxonomias

Escrito por
curso taxonomias3
Segunda, 11 Março 2013 17:17

DIA DO BIBLIOTECÁRIO 2013

Escrito por

dia biblio 2013 3

Quarta, 07 Março 2012 00:49

Comissões

Escrito por

COMISSÃO ORGANIZADORA

  • Cláudia Schneider (PGR)
  • Edilenice Passos (Coordenadora)
  • Iza Antunes (ABDF)
  • José Ronaldo Vieira (STJ)
  • Marisa Perrone (CLDF)
  • Maruska Morato (CLDF)
  • Najla Melo (STJ)
  • Raquel Veiga (CJF)
  • Tatiana Barroso (STJ)

 COMISSÃO ACADÊMICA

  • Edilenice Passos (SF)
  • Eliana Candeira Valois (TRF1)
  • Inaldo B. Marinho Jr (CD)
  • Joana Darc Masioli (MPT)
  • João Alberto de Oliveira Lima (SF)
  • Maria Tereza Walter (STF)
  • Paula Carina de Araújo (UFPR)
  • Renata Marques

 COMISSÃO DE DIVULGAÇÃO

  • Berenice Neubhaher (Coordenadora)
  • Eliane Jovanovich
  • Geane Vasconcelos (PGR)
  • Najla Melo (STJ)
  • Solange Aparecida Simões
  • Stella Maria Vaz Santos Valadares (SF)
  • Sonia Regina Céu Bertonazzi
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