Segunda, 13 Janeiro 2014 18:09

Mas afinal o que é conhecimento?

10 de janeiro de 2014 por Carla Oliveira

Estamos na Era do Conhecimento. Mas, afinal o que é conhecimento? Segundo Carvalho (2012), independente do contexto não é fácil definir o conceito de conhecimento. Apesar de sentir e vivenciar o conhecimento e de ter isso bem claro na mente, não é uma tarefa fácil explicar exatamente o que é o conhecimento.

Este questionamento e estudo a respeito do que é o conhecimento têm sido feito desde os tempos mais antigos, por filósofos como Platão, Aristóteles, passando por Descartes e Locke, até filósofos mais atuais, como afirma Carvalho (2012). A Epistemologia é o ramo da filosofia que se ocupa dos problemas que se relacionam com o conhecimento humano.

Todo esse estudo à respeito do conhecimento gerou e tem gerado uma enorme diversidade de material intelectual e várias discussões, no entanto o grande paradoxo que precisa ser levado em consideração é, segundo Carvalho (2012), o fracasso da nossa parte; a incapacidade de explicar por completo o conhecimento – e isso é uma característica essencial do conhecimento em si (ou, pelo menos, de uma parte importantíssima dele).

Apesar da dificuldade em definir conhecimento, segue a transcrição de algumas definições citadas por Cruz (2002). O objetivo neste caso é oferecer uma visão mais ampla e didática a respeito da definição de conhecimento:

  • Para o dicionário Aurélio: “S.m. 1. Ato ou efeito de conhecer. 2. Ideia, noção. 3. Informação, notícia, ciência. 4. Prática da vida; experiência. 5. Discernimento, critério, apreciação. 6. Consciência de si mesmo; acordo”.
  • Para o dicionário Michaelis: “1. Ato ou efeito de conhecer. 2. Faculdade de conhecer. 3. Ideia, noção; informação, notícia. 4. Consciência da própria existência”.
  • Para a Filosofia: Existem dois tipos de conhecimento:
    • Vulgar: Que é o conhecimento do que.
    • Científico: que é o conhecimento do por que.

Segundo Cruz (2002), a diferença entre esses dois tipos de conhecimento não está nos objetos conhecidos, mas no modo de conhecê-los. Reside principalmente no conhecimento das causas, pois o vulgar apenas constata a ocorrência dos objetos, enquanto que o científico sabe o porquê eles existem. Para Cruz (2002) em vez de apenas constatarmos que um objeto existe devemos saber por que ele existe.

Dado, informação e conhecimento

Segundo Carvalho (2012), dado não é conhecimento; informação é conhecimento e conhecimento não é dado.

Para evitar esse tipo de confusão segue abaixo a definição de dado, informação e conhecimento de acordo com Carvalho (2012):

  • Dado: É o registro de um evento. Pensando no conhecimento de forma hierárquica, o dado é o menor e mais simples elemento dessa hierarquia. Ele é uma unidade indivisível, objetiva e abundante. Por este motivo, o dado é o elemento mais fácil de ser manipulado e transportado, seja em um  meio de transporte concreto (de um lugar para outro), seja de uma forma abstrata (de um sistema para outro ou de uma pessoa para outra).
  • Informação: É um conjunto de dados dentro de um contexto. O contexto é fundamental, pois desempenha o papel de diferenciar um mesmo dado em situações distintas, pois um conjunto de dados não pode passar de um acúmulo de coisas sem significado. Também é preciso a implicação de pelo menos um sujeito para que o conjunto de dados seja coordenado de forma significativa. Além do conjunto de dados, é importante para a definição do contexto uma determinada carga subjetiva. Portanto, uma definição mais elaborada para informação é a seguinte: um conjunto de dados, com determinado significado para o sistema. Apesar da informação, conter uma determinada carga subjetiva, a mesma não pode ser algo decifrável apenas por um sujeito específico. Ela deve poder ser codificada de diversas maneiras, ou seja, ela deve ser tangível para um grupo de pessoas, podendo ser acumulada, processada e compartilhada.  O compartilhamento é de grande importância no que se refere à informação e o conhecimento.
  • Conhecimento: Segundo Davenport (1998, apud CARVALHO, 2012) conhecimento é a informação que, devidamente tratada muda o comportamento do sistema. O conhecimento é o resultado de um processamento complexo e subjetivo da informação, pois quando a informação é absorvida por um sujeito, ela interage com processos mentais lógicos e não lógicos, experiências anteriores, insights, valores, crenças, compromissos e vários outros elementos que fazem parte da mente do sujeito, pois consciente ou não ele usa seu conteúdo psíquico para trabalhar a informação e como base nisso tomar uma decisão de acordo com o contexto no qual ele está envolvido. Neste sentido é possível considerar que o conhecimento se configura nessa tomada de decisão, pois ele está ligado à ação uma vez que ele existe e serve para fazer algo, por isso pode-se considera que o conhecimento é um poderoso agente transformador.

A Figura 1 mostra de forma resumida as características básicas de dado, informação e conhecimento.

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Fonte: Carvalho (2012)

Tipos de conhecimento

Segundo Polanyi (1966, apud CARVALHO, 2012) e Nonaka e Takeuchi (1997, apud CARVALHO, 2012), o conhecimento é formado por uma estrutura paradoxal, na qual se identifica dois componentes aparentemente opostos: o conhecimento tácito e o conhecimento explícito.

Conhecimento tácito

De acordo com Carvalho (2012), o conhecimento tácito não é um conhecimento palpável, e nem explicável. Esse tipo de conhecimento é profundamente pessoal e por este motivo muito mais difícil de ser compartilhado.

O conhecimento tácito [...] é altamente pessoal e difícil de formalizar, tornando-se de comunicação e compartilhamento dificultoso. As intuições e os palpites subjetivos estão sob a rubrica do conhecimento tácito. O conhecimento tácito está profundamente enraizado nas ações e na experiência corporal do indivíduo, assim como nos ideias que ele incorpora. Nonaka e Takeuchi (2008, p.19, apud CARVALHO, 2012, p. 12)

Para Carvalho (2012), o conhecimento tácito é empírico e prático. Seu contexto é do aqui e agora. Aborda as sensações e emoções do individuo, como também suas crenças, intuições, habilidades e experiência informais, modelos mentais e percepções.

Para Cruz (2002), o conhecimento tácito é aquele que todos nós acumulamos dentro de nós mesmos, ele é fruto do aprendizado, da educação, da cultura e da experiência de vida de cada um. Segundo ele, esse tipo de conhecimento é muito comum em qualquer tipo de organização e considera esse tipo como conhecimento como informal. Por esse motivo um dos grandes desafios que qualquer organização tem é o de coletar, organizar e utilizar esse tipo de conhecimento.

Conhecimento explícito

De acordo com Carvalho (2012), o conhecimento explícito é visível e tangível. É possível entendê-lo como o conhecimento codificado em linguagem que apresenta uma estrutura formal e sistêmica que facilita sua transmissão. Isso confere a esse tipo de conhecimento um caráter mais impessoal.

Esse conhecimento pode ser transmitido por palavras, números, fórmulas, ministrados em aulas e palestras, além de poder ser armazenado e transportado em artigos, manuais, livros, planilhas, banco de dados. Segundo Carvalho (2012) o conhecimento explícito pode ser mensurado, além de ser mais racional e teórico.

Para Cruz (2002), o conhecimento explícito é aquele compartilhado, que é passado a outros para que esses também desenvolvam suas habilidades e possam gerar mais conhecimento e ser passado a outros e assim por diante formando uma cadeia de desenvolvimento científico, cultural, organizacional, emocional, etc. Ele considera este tipo de conhecimento como formal.

Conhecimento tácito e explícito

Para Carvalho (2012) o conhecimento não é só tácito e nem só explícito. O conhecimento é a soma desses dois tipos. O Quadro 1 mostra a diferença entre os dois componentes do conhecimento.

CONHECIMENTO EXPLÍCITO

CONHECIMENTO TÁCITO

Objetivo Subjetivo
Conhecimento da racionalidade (mente) Conhecimento da experiência (corpo)
Conhecimento sequencial (lá e então) Conhecimento simultâneo (aqui e agora)
Conhecimento digital (teoria) Conhecimento análogo (prática)
Receita de bolo, partitura de música. Andar de bicicleta, improvisos de jazz.

Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, apud CARVALHO, 2012)

Para Cruz (2002), tomando com base um ambiente organizacional tanto o conhecimento tácito quanto o conhecimento explícito podem ser classificados quanto ao seu uso em três distintos grupos:

  • Conhecimento Estratégico: O conhecimento  estratégico segundo Cruz (2002) serve para avaliar os setores: econômico, político, social, tecnológico, entidades reguladoras, governo, fornecedores, cliente e concorrentes permitindo que qualquer empresa possa tomar decisões de longo prazo, criar cenários, desenvolver estratégias de atuação, definir políticas, criar produtos e definir o modus operandi.
  • Conhecimento Operacional: O conhecimento operacional está diretamente ligado à capacidade de realizar o dia-a-dia da empresa. Por meio dele é possível  coletar, organizar, documentar e gerenciar processos de negócio, pois segundo Cruz (2002), tudo, absolutamente tudo que se faz em qualquer empresa, em qualquer organização, está inserido num processo de negócio.
  • Conhecimento Emocional: um ar mais informal às relações funcionais em qualquer tipo de organização. Segundo Cruz (2002) são convites, notícias sociais, planos de vantagens, comunicados não-oficiais e notícias culturais, porém alguns cuidados devem ser tomados quando a publicação de tais informações. Cruz (2002) considera que é preciso levar em conta aspectos socioeconômicos, culturais, religiosos e políticos que será atingidos por tais conteúdos.

Referências:

  • CARVALHO, Fábio. Gestão do Conhecimento. São Paulo: Editora Pearson. 2012.
  • CRUZ, Tadeu. Gerência do Conhecimento. São Paulo: Editora Cobra, 2002.Fonte

 

FONTE: iMASTERS

O que 2014 vai significar para autores, editores e leitores e ebooks? Hoje eu vou fazer 14 previsões sobre a indústria editorial. Previsões mexem com nossa imaginação. Ao imaginar o que é possível, leitores e autores podem se preparar para o futuro ou dar passos para perceber esse futuro que eles desejam.
 
1. Grandes editoras, preços menores - Em 2009, um dos meus primeiros textos para o Huffington Post era um chamado às editoras para produzir ebooks de US$ 4. Autores (independentes) autopublicados consideram o pedido, mas as editoras não. Até recentemente, era raro ver um livro publicado tradicionalmente com preço abaixo dos US$ 4. Por quê? Editoras tradicionais lutaram com unhas e dentes para manter os preços dos ebooks mais altos por medo de que ebooks baratos acabassem canibalizando as vendas de impressos, atacassem sua lucratividade e estabelecessem expectativas irreais a consumidores em relação ao valor de um livro. Ao manter os preços dos ebooks altos, eles entregaram o mercado de menos de US$ 4 para autores independentes, que estes exploraram rapidamente. Os resultados de nossa pesquisa de preços de ebooks em 2013, lançada em maio, ilustra a vantagem competitiva dos preços baixos. A pesquisa descobriu que livros com preços entre $2,99 e $3,99, na média, venderam quatro vezes mais unidades do que livros com preços superiores a $7,99. Os independentes que conseguiram publicar livros de baixo preço que eram tão bons ou melhores do que Nova York estava publicando a preços mais altos, foram capazes de vender mais e competir diretamente com livros das grandes editoras. Durante boa parte de 2013, não foi incomum ver independentes tomando conta de até metade das listas de Top 10 mais vendidos em grandes livrarias. As grandes editoras notaram. Em 2013, grandes editoras começaram a competir mais agressivamente em preço, principalmente na forma de promoções temporárias. Em 2014, essas promoções vão dar espaço a uma nova onda de preços regulares ou mais baixos. Desconto é uma ladeira escorregadia. Quando os clientes estiverem condicionados a esperar autores famosos por $3,99 ou menos, toda a indústria será forçada a fazer isso.
 
2. Promoções de preço vão se tornar menos eficientes - se os leitores terão um suprimento maior de livros de alta qualidade de seus autores favoritos a menos de US$ 4, significa que a vantagem de preços dos mais baratos vai diminuir em 2013. Se você comparar nossos resultados de pesquisa de 2013 com nossa pesquisa de 2012, vemos sinais que isso já está acontecendo. Apesar de que nossa pesquisa de 2013 indicou uma vantagem aproximada de 4X em vendas de unidades por $2,99 - $3,99 sobre os livros mais caros do que $7,99, nossa pesquisa de 2012 indicou uma vantagem de 6X. Isso significa que promoções de preço não vão mais funcionar de forma tão efetiva quanto antes. Fatores além de preços vão ganhar mais importância.
 
3. O crescimento de ebooks diminuiu - Agora chegou a ressaca. Depois de uma década de crescimento exponencial em ebooks com editoras e independentes fazendo a festa, o crescimento está perdendo velocidade. Todos sabíamos que esse dia ia chegar. Ano após anos com crescimento entre 100% e 300% não poderiam continuar para sempre. O risco de mercados com crescimento rápido é que isso pode esconder problemas nos modelos de negócios. Pode fazer com que alguns players interpretem mal seu sucesso, e as suposições sobre as quais eles creditam seu sucesso. Isso pode fazer com que players bem-sucedidos criem falsas correlações entre causa e efeito. Quem são estes players? Estou falando de autores, editoras, livrarias, distribuidores e fornecedores de serviço - todos nós. É fácil ser bem sucedido quando tudo está crescendo. É quando tudo começa a ficar mais lento que seu modelo de negócios começa a ser testado. O mercado está ficando mais lento. Uma comoção cíclica normal está vindo. Em vez de temer esta comoção, os empreendedores deveriam se preparar. Deixe que isso o faça ficar melhor, mais competitivo em 2014. Players que sobrevivem a esses momentos, geralmente, terminam mais fortes.
 
4. A competição aumenta muito - Com centenas de milhares de novos livros publicados anualmente, e com catálogos de livrarias inchados com milhões de títulos de ebooks, pode não ser surpresa que haverá novos fechamentos em 2014. Mas neste ano, a competição entre autores e editoras vai aumentar em ordem de magnitude, e vai fazer com que alguns desejem continuar em 2013. O campo de disputa dos ebooks, que até recentemente estava bastante a favor dos independentes, agora voltou a se equilibrar um pouco. Mas os independentes ainda possuem várias vantagens competitivas, incluindo mais rapidez para entrar no mercado, maior liberdade criativa, relações mais próximas com leitores e até uma melhor compreensão dos desejos do leitor, taxas maiores de royalties e flexibilidade de preços, de muito baratos até GRÁTIS.
 
5. Vendas de ebooks, medidas em quantidade de dólares, vai diminuir em 2014 - Arghhh. Eu falei isso. O emergente mercado de ebooks provavelmente vai experimentar sua primeira queda anual em vendas medidas em volume de dólares. Isso será impulsionado pelo declínio nos preços entre as grandes editoras e pela diminuição de velocidade na transição de impressos para telas. Apesar de que os leitores vão continuar migrando de texto para tela, os "early adopters" já adotaram e os atrasados vão mudar mais lentamente. Outro impulsionador da queda é que o crescimento geral de livros anda moribundo há alguns anos. Com os ebooks como uma porcentagem do mercado geral de livros, isso quer dizer que o crescimento dos ebooks vai ficar coagido pelo crescimento e/ou contração da indústria editorial como um todo. As vendas globais em países em desenvolvimento permanecem com bom potencial o que poderia diminuir qualquer contração de vendas.
 
6. O market share dos ebooks vai aumentar - consumo de ebooks, medido em vendas de unidades e downloads, e medido em palavras lidas digitalmente, vai aumentar em 2014. A diminuição de vendas em toda a indústria, causada pela queda dos preços médios, vai esconder o fato de que mais livros serão lidos como nunca antes. Isso é uma ótima notícia para a cultura do livro e boa notícia para independentes que, apesar da perda de sua anterior vantagem nos preços, ainda estarão bem posicionados para ter bons lucros com os preços baixos, ou competir com os ultrabaixos (menos de US$ 3 e GRÁTIS).
 
7. Uma onda maior de autores famosos vai migrar para o campo dos independentes - Várias forças de mercado vão conspirar para que autores publicados tradicionalmente deem as costas para as grandes editoras. Estas vão tentar manter suas estruturas baseadas em royalties de 25% sobre os ebooks, o que significa que autores famosos verão seus royalties sofrerem com a queda de preços e com a diminuição da vantagem dos preços baixos nas vendas de unidades, e com a desvantagem dos preços altos aumentando. Ao mesmo tempo, os leitores vão continuar a fazer a transição de impresso para ebooks, fazendo a distribuição de impressos para livrarias físicas menos importantes, e assim enfraquecendo o controle que as grandes editoras têm sobre os autores famosos. Estes, loucos para maximizar seus ganhos, vão sentir um ímpeto maior para migrar para os independentes.
 
8. Tem tudo a ver com a escrita - É hora de voltar ao básico. Em um mundo onde leitores encaram uma quantidade ilimitada de trabalhos de alta qualidade a baixo custo, os escritores que conseguirem maior sucesso em 2014 serão aqueles que levarem seus leitores a extremos emocionalmente satisfatórios. Livros são aparelhos de entrega de prazer. Não importa se você está publicando um livro de receitas, um romance, um guia de jardinagem, um livro de memórias ou um tratado político. Seu trabalho como editor ou autor é lançar este livro super-fabuloso. Isso envolve uma boa escrita e edição de qualidade profissional. Também quer dizer evitar todos os erros que criam fricção desnecessária e evitam que os leitores descubram, desejem e desfrutem do livro. Entender estes pontos de fricção e como evitá-los, veja minha discussão de Catalisadores Virais no meu ebook gratuito, The Secrets to Ebook Publishing Success, ou em meu vídeo no Youtube sobre as melhores práticas para publicação de ebooks.
 
9. Todos os autores se tornam independentes - Na idade média editorial (antes de 2008), ou você era publicado tradicionalmente ou não era publicado. Escritores que não conseguiam um acordo de publicação eram vistos como fracassados, porque sem o acesso à máquina de impressão, distribuição e conhecimento professional da editora, era virtualmente impossível chegar aos leitores. Hoje, o fracasso não é uma opção. A próxima geração de escritores pode começar a escrever seu livro hoje com total confiança de que de uma forma ou de outra, será publicado. Inspirado pelo grande sucesso de alguns autores independentes, escritores publicados tradicionalmente agora percebem que possuem alternativas que nunca tiveram antes. Quando um escritor - qualquer escritor - percebe que o poder na indústria editorial foi transferido das editoras para os escritores, abre um novo mundo de possibilidades e escolha. Ser publicado não é mais uma questão “e/ou”. Os melhores escritores terão a opção de publicar de forma independente E tradicional, ou fazer um OU o outro. É escolha deles. As duas opções valem a pena ser consideradas por todos os escritores, e podem ser mutualmente complementares. Mesmo se você for um autor publicado de forma tradicional hoje, você é independente porque decide o destino de seu próximo projeto.
 
10. Serviços de assinatura de ebooks vão mudar o jogo - Se os serviços de assinatura de ebooks - os mais notáveis são Scribd e Oyster - conseguirem fazer seus modelos de negócios funcionarem, então representarão uma mudança nas regras do jogo em como os leitores valorizam e consomem livros. Para os usuários dos serviços de assinatura de ebooks, ler vai se tornar um recurso abundante que parece ser gratuito. Vai se tornar um serviço da mesma forma que a água e a eletricidade. Quando apertamos o botão para acender a luz, ou quando abrimos a torneira para escovar os dentes, não estamos pensando em quanto nossos próximos 60 segundos daquele serviço vão custar. Pagamos nossa conta mensal e na maior parte usamos este serviço o quanto quisermos. Com os serviços de assinatura de ebooks, o leitor vai pagar US$ 9 ou US$ 10 por mês e desfrutar de, virtualmente, uma leitura ilimitada. Os leitores ficarão aliviados da carga de cognitiva de ter que decidir se um livro vale seu preço. Em vez disso, vão navegar e ler trechos de livros com fricção mínima, como se todo livro fosse gratuito. A atenção do leitor, e a capacidade do livro de ganhar a atenção do leitor, vai se tornar o novo fato na determinação do sucesso do escritor. Mesmo se estes serviços de assinatura não derem certo, eles vão mudar o futuro do mercado editorial ao dar leitores um gosto de leitura-como-serviço sem fricção. É um gosto que os leitores não irão esquecer.
 
11. Editoras tradicionais vão reavaliar sua postura em relação à autopublicação - A postura vaidosa em relação à autopublicação, como vimos na aquisição da Author Solutions pela Pearson/Penguin (trabalha com a AuthorHouse, iUniverse, BookTango, Trafford, Xlibris, Palibrio, entre outras...), mostrou que pode atrapalhar as marcas de todas as editoras tradicionais. Eu previ isso no ano passado. O modelo de negócio da Author Solutions depende totalmente de ganhar dinheiro vendendo serviços caros a autores sem conhecimento. O modelo de negócios dele é caro no melhor dos casos e antiético no pior. É vender pacotes de publicação de mais de $10.000 para autores que nunca vão recuperar esse dinheiro. O modelo representa a antítese do que os melhores e mais orgulhosos editores sempre representaram. Grandes editoras investem em seus autores. O dinheiro flui do leitor para o livreiro, para o editor, para o autor, não do autor para o editor. Ao mesmo tempo em que a Author Solutions manchou a reputação de todas as editoras tradicionais - mesmo aquelas que não praticam essas coisas - a revolução dos autores independentes continua com força total. Os independentes estão roubando pedaços do mercado. Os independentes aprenderam a publicar como profissionais. Muitos independentes não mandam mais seus livros para agentes e editoras, preferindo publicá-los diretamente para os leitores usando plataformas de publicação e distribuição self-service como Smashwords, KDP, Nook Press, entre outras. As editoras estão perdendo o acesso ao fluxo de ofertas que é sua força vital. Conversei sobre as implicações disso em minha última discussão sobre as previsões do ano passado aqui no Huffington Post. Se as editoras não tiverem um serviço eficiente para oferecer aos autores independentes, elas correm o risco de se encontrarem do lado errado da história quando os autores seguem em frente sem elas. O estigma antes associado com a autopublicação está desaparecendo enquanto que o estigma das publicações tradicionais cresce. Como as editoras podem acabar com as fugas e recapturar o relacionamento com os autores? A resposta virá quando as editoras reavaliarem sua atitude em relação aos autores. Elas devem reconhecer que publicar é um serviço, que elas servem ao prazer dos autores e devem oferecer um espectro de serviços - de self-service a full-service - para ir ao encontro das necessidades de todos os autores. Agora que os autores têm escolhas, o jogo de publicação não pode mais ser: "O que o autor pode fazer pela editora?" Autores não precisam mais abaixar a cabeça subservientes às editoras, então os modelos de negócios baseados nesta velha prática e atitude serão rejeitados. O novo mantra da editora deve ser, "O que a editora pode fazer pelo autor que o autor não pode ou não vai fazer sozinho?" As editoras devem abandonar a cultura do NÃO porque autores não têm mais a paciência ou a tolerância para ouvir isso. Os autores sabem que têm escolhas e ganharam o gosto de autopublicar. Como as editoras podem dizer SIM a todo autor e ainda ter lucro? A resposta: elas precisam construir, adquirir ou fazer parcerias com plataformas de publicação self-service. Um plataforma self-service permitiria que elas dissessem SIM a todo autor - correr riscos com todos os autores - e formar um relacionamento com cada um deles. Ao operar uma plataforma de publicação gratuita, as editoras teriam a capacidade de servir às diversas necessidades de todos os autores. Autores DIY selecionariam a opção self-service. Eles seriam responsáveis por sua própria edição, capa e marketing. Autores com comprovado potencial comercial que não querem se incomodar com as responsabilidades de serem os próprios editores poderiam optar por um caminho no meio do espectro entre DIY e full-service onde eles estariam dispostos a trocar royalties menores por investimentos e serviços maiores da editora. Tal espectro geral em relação à edição, onde autores não pagam nada, está 100% alinhado com os interesses dos autores, e 100% alinhado com as melhores práticas das melhores editoras. Uma boa plataforma self-service não emprega pessoas de vendas. Não recebe dinheiro dos autores. Então a pergunta é, as editoras podem introduzir suas próprias plataformas self-service para ampliar suas ofertas de serviço? O tempo está passando.
 
12. Plataforma para o autor é o melhor - Se você é autor, sua plataforma é sua capacidade de chegar aos leitores. Autores que conseguirem construir, manter e alavancar suas plataformas terão uma vantagem competitiva importante sobre aqueles que não conseguirem. Pense na plataforma do autor como uma infraestrutura em multicamadas que permitirá chegar a fãs novos e existentes. Elementos dessa infraestrutura incluem seus seguidores de mídia social no Twitter, Facebook e RSS de seu blog. Inclui ter uma distribuição de cabeça aberta (mais livrarias é melhor do que menos), sua presença ininterrupta em cada livraria para todo livro e as resenhas nestas livrarias online. Isso inclui o número de leitores que o colocaram entre os "favoritos" no Smashwords ou que acrescentaram seus livros na lista deles no Goodreads. Isso inclui assinantes em sua lista de e-mails privados. Inclui sua celebridade e sua capacidade de alavancar a mídia social ou a tradicional ou o amor a seus fãs para espalhar sua mensagem. Há dois fatores principais que impulsionam as vendas de qualquer produto ou marca. A primeira é consciência. Se o consumidor não está consciente de seu produto ou marca, então ele não poderá comprá-lo. Autores devem colocar seu produto na frente de um consumidor e ganhar a atenção deles antes que o consumidor possa considerar a compra. A segunda é desejo. Quando um consumidor é consciente de seu produto ou marca, ele deve desejá-lo. O autor é a marca. Seu trabalho como autor é construir consciência de sua marca e construir, ganhar e merecer desejo positivo sobre sua marca. Consciência mais desejo cria demanda por seu produto. É por isso que a plataforma vai se tornar mais importante do que nunca em 2014. Sua plataforma ajuda a divulgar a mensagem para os fãs existentes que já conhecem e desejam sua marca, e ajuda a chegar a novos fãs que vão querer juntar as carroças deles a seu cavalo. Quanto maior a sua plataforma, mais fácil é aumentar sua plataforma, porque plataformas bem mantidas crescem organicamente.
13. Colaborações entre vários autores vão se tornar mais comuns - Em 2013, observei um aumento marcado no número de colaborações entre vários autores. Autores vão colaborar com seus companheiros no mesmo gênero ou categoria em compilações de conteúdo existente e original. Estas colaborações geralmente têm preços competitivos e oferecem aos leitores a oportunidade para descobrir vários novos autores do mesmo gênero ou categoria em um único livro. As colaborações também permitem que múltiplos autores amplifiquem os esforços de marketing um do outro ao alavancar a plataforma um do outro.
 
14. A produção ganha mais importância em 2014 - Um dos segredos mais importantes para o sucesso da publicação de ebooks é escrever mais livros. Como escritor, sua escrita é sua criação única. É seu produto. Autores que escrevem grandes livros (e produzem mais deles) são os autores que constroem vendas e plataformas mais rapidamente, porque cada novo livro representa uma oportunidade para agradar os fãs existentes e conseguir alguns novos. Organize sua agenda para passar mais tempo escrevendo e menos tempo no resto.
 
Tradução: Marcelo Barbão

texto de Ken Worpole, publicado no The Guardian

Os políticos já perceberam que é melhor para eles gastar dinheiro com bibliotecas, em vez de museus e galerias de arte

Adoradores das biblioteca, entre os quais eu me incluo, não precisam estar muito cheios de tristeza e melancolia. Enquanto cortes e fechamentos estão afetando os serviços das bibliotecas, também é verdade que a última década assistiu a uma reinvenção da biblioteca pública no Reino Unido e em todo o mundo. A Biblioteca de Birmingham reabriu a um custo de 186 milhões de libras, tornando-se a maior biblioteca pública na Europa. Ela espera atrair 10 mil visitantes por dia. A magnífica biblioteca Mitchell de Glasgow, que anteriormente detinha o recorde como a maior biblioteca de referência pública na Europa, foi recentemente remodelada para um enorme efeito. Desde 2000, novos edifícios de bibliotecas abriram em Bournemouth, Brighton, Canada Water, Cardiff, Clapham, Dagenham, Glasgow, Liverpool, Newcastl e, Norwich, Peckham, Whitechapel e em outros lugares, todas registrando números altíssimos de usuários.

Por que as bibliotecas estão de volta à agenda urbana? Um número crescente de pessoas está agora envolvido em alguma forma de educação continuada ou ensino superior, e precisam de espaço de estudo e acesso à internet, o que muitos não conseguem encontrar em casa. A ascensão de moradores que vivem sozinhos nos centros urbanos – em algumas capitais europeias se aproxima a 50 % dos domicílios – significa que as bibliotecas cada vez mais atuam como um ponto de encontro ou uma casa fora de casa, como servem para migrantes, refugiados e até mesmo turistas. A ideia da biblioteca como "a sala de estar da cidade" foi promulgada pela primeira vez nos projetos de bibliotecas escandinavas da década 1970, com os arquitetos respondendo aos desejos dos usuários para permanecerem mais tempo no ambiente, tomar um café e desfrutar de sessões de contação de histórias, concertos à hora do almoço ou participar de leituras de livros em grupos. Visitando a biblioteca Örnsköldsvik no norte da Suécia, perto do Círculo Polar Ártico, notei que os usuários trouxeram seus chinelos e um almoço embalado. Esta nova compreensão do espaço da biblioteca é formalizada, por exemplo, na biblioteca Rem Koolhaas de Seattle, onde três dos cinco andares são designados como Sala de Leitura, Sala de Estar e Câmara de Mistura.

O entusiasmo mundial revivido para bibliotecas – do qual Seattle é talvez a mais ambiciosa – teve origem na América do Norte na década de 1990. Tendo supervisionado o fracasso financeiro de museus e galerias icônicas – construídos ostensivamente para colocar as cidades no mapa – os políticos perceberam que recebiam mais atenção quando gastavam o dinheiro em uma biblioteca estado-da-arte. Quando a biblioteca de Nashville foi inaugurada em 2001, inscrita em cima da porta estava a máxima: "Uma cidade com uma grande biblioteca é uma grande cidade." O historiador Shannon Mattern recentemente dedicou um livro inteiro a representar a ascensão para a proeminência da nova biblioteca urbana na vida cívica americana.

Na Europa, houve um desencanto semelhante com o "Efeito Bilbao", em homenagem ao sucesso singular do projeto de Frank Gehry para um museu e galeria de arte na cidade. Por um tempo, muitos planejadores acreditavam que somente edifícios de museu icônicos projetados por arquitetos-celebridade poderiam resgatar cidades fracassadas do esquecimento. O amargo livro de Deyan Sudjic "O Complexo de edifícios" discrimina a retórica exagerada e custos crescentes de muitos desses projetos aspirantes ao redor do mundo, juntamente com a sua morte precoce. Na Grã-Bretanha, a mais grandiosa delas, o Millennium Dome, absorveu quase um bilhão de libras de dinheiro público – destinados a fornecer uma vitrine permanente para a ciência e as artes – apenas para ser rapidamente alugado como um local para eventos corpo rativos e pop. O Parque Olímpico e suas instalações pode muito bem seguir o mesmo caminho.

É quase impossível para as bibliotecas públicas falhar desta maneira. Elas são livres para usar, e, depois de um século e meio de experiência, se entremeou no tecido da vida cotidiana. Em algumas cidades britânicas, quase metade da população possui um cartão de biblioteca, mesmo que ele seja usado com pouca frequência. Nós fazemos piadas sobre os bibliotecários tímidos escondidos atrás das pilhas de livros ou na sala de estoque, mas as pessoas confiam neles como confiam em poucos outros. Os bibliotecários podem agonizar sobre questões de gosto, decência e da adequação dos materiais que estocam, em comparação com a neutralidade moral do mercado comercial, mas nós os admiramos por isso. Mais importante ainda, as bibliotecas são vistas como pertencentes a todos por direito, comparadas à teatr os com financiamento público, galerias de arte, museus ou salas de concerto.

A adaptabilidade da biblioteca para responder às novas demandas se reflete no design contemporâneo. O balcão de informações da biblioteca em grande parte desapareceu. Máquinas de auto-atendimento liberam funcionários para passar mais tempo com os usuários da biblioteca, organizar sessões de contação de histórias, de autógrafos e círculos de leitura (havia mais de 100.000 membros de grupos de leitura em bibliotecas na Inglaterra e País de Gales na última contagem). Foyers tendem a ser abertos com poltronas para leitura, e serviços de empréstimo e de referência estão agora misturados. Nem todo mundo usa a internet para pesquisar um ensaio de alto nível de Shakespeare ou acompanhar os eventos na Síria. Outros estarão à procura de um emprego ou verificando sites de namoro, ou podem ter caído n o sono em uma réplica da cadeira ovo brilhante de Arne Jacobsen sobre uma cópia do Jornal dos Sports. E daí? Todos os tipos de pessoas descobrem um senso de santuário nas bibliotecas, que não encontram em nenhum outro lugar da cidade. A biblioteca pública é o símbolo supremo da "grande sociedade".

"Os três documentos mais importantes que uma sociedade livre dá", o romancista americano EL Doctorow escreveu uma vez, "é uma certidão de nascimento, passaporte e um cartão de biblioteca". Os jovens estão muito em evidência nas novas bibliotecas – uma mudança cultural inesperada e bem vinda – sem dúvida, atraídos por uma arquitetura arejada brilhante que reflete a cultura do design vivo que eles assimilam em suas vidas. Eles também parecem à vontade em um lugar que os trata com um respeito não concedido em outros locais na vida pública.

Nem todo mundo aprova o novo ethos da biblioteca, resumido como sendo "da coleção para a conexão". Alguns permanecem horrorizados com o avanço da revolução tecnológica, que não só está a remodelar o mundo, mas reconfigurando a biblioteca pública junto com ela. Se os pioneiros da biblioteca do século 19 reconheceriam estes edifícios do século 21 pode ser questionável – mas uma vez lá dentro eles se sentem em casa. Ainda hoje, o mundo dentro da biblioteca mudou menos do que o mundo lá fora.

 

As previsões são do Cisco Technology Radar, que reúne um grupo com mais de 70 especialistas.

A Cisco revelou hoje as principais transformações que podem marcar a evolução do setor tecnológico nos próximos anos, em um evento que estarádisponível online nesta quinta-feira, 5/11. As previsões são do Cisco Technology Radar, que reúne um grupo com mais de 70 especialistas.

Conheça as oito tendências pontadas por eles já para 2014:

1-Colaboração interativa através da Web
A tecnologia WebRTC (Real Time Communication) permitirá a colaboração em tempo real através da Web já que qualquer internauta poderá usufruir das funcionalidades de uma videoconferência, chamadas de voz, mensagens instantâneas e partilha de conteúdos sem instalar plug-ins.

2- Serviços baseados no contexto
Esta realidade já está mudando a forma de interagir com os dispositivos, que armazenam informação acerca dos seus usuários e da sua vida quotidiana, de modo a que possam oferecer-nos a informação precisa no momento oportuno. Aplicações como o Google Now ou o Voice Search são exemplos desta tendência e a Cisco proporciona serviços baseados em  localização através do Connected Mobile Experiences (CMX), que permite a museus, aeroportos ou centros comerciais localizar os clientes através da rede WiFi e assim disponibilizar serviços ou promoções.

3- Internet of Everything (IoE) e comunicações M2M
A Internet of Everything (IoE) – ou seja, as conexões entre pessoas, processos, dados e objetos – combina diferentes tendências tecnológicas, incluindo vídeo, mobilidade, Cloud, Big Data e comunicações Machine-to-Machine (M2M). A IoE irá fazer parte do mundo físico (estradas, supermercados, dispositivos biomédicos e até animais e pessoas) através de sensores que irão gerar terabytes de informação na nova economia das aplicações.

Em 2022, as conexões M2M representarão 45% do total, enquanto conexões Person-to-Machine (P2M) e Person-to-Person (P2P) representarão os 55% restantes. O IoE requer novas tecnologias de segurança – como o RPKI (Resource Public key Infraestructure) ou o DNSSEC (Domain Name System Security Extensions) – e novas soluções de gestão de dispositivos móveis (MDM, Mobile Device Management) mais escaláveis e mais centradas na nuvem.

4- Vídeo em ultra-alta definição
A tecnologia de vídeo em ultra-alta definição (4k-2160p e 8k-4320p) será imprescindível nos smartphones, óculos de realidade aumentada, tablets e outros dispositivos equipados com câmara. Com uma resolução até 16 vezes superior à atual TV em alta definição (1080p), o seu impacto na rede requer a adoção de novas tecnologias como o streaming P2P, redes federadas de distribuição de conteúdos, HEVC (H.265) ou streaming HTTP adaptável.

5- Análise em tempo real
A capacidade de análise em tempo real baseia-se em diferentes tecnologias que permitem processar os dados em segundos ou minutos, podendo ser aplicada a campos como o Business Intelligence, que vai das primeiras ferramentas de análise financeira a diferentes segmentos como a publicidade ou os transportes, aproveitando o valor dos dados em movimento.

6- Novas arquiteturas de Internet
A rede não é suficientemente robusta para suportar o crescimento exponencial de dispositivos conectados. Já existem propostas para substituir as infraestruturas baseadas no protocolo IP com um novo paradigma como o Named Data Networking (NDN), que permitirá comunicar a informação através de nomes e não de hosts. Outra tendência consiste nas tecnologias definidas por software (SD-X, Software Defined Any) que devem ir além da virtualização da rede (SDN e NFV) para aumentar a sua escalabilidade tanto mediante recursos físicos como virtuais.

7- Sistemas de rede autônomos
As redes podem autogerir-se em termos de configuração, proteção, otimização e reparação mediante tecnologias como o Networking Autonomous ou o SON (Self-Organizing Networks).

8- Múltiplos fornecedores de clouds
Os ambientes cloud públicos, privados e híbridos baseados em configurações estáticas darão lugar aos ambientes cloud dinâmicos e com múltiplos fornecedores. As novas tecnologias intercloud permitirão aos fornecedores descobrir serviços cloud através de múltiplos ambientes, adoptar acordos de nível de serviço (SLA) comuns ou criar acções para oferecer o serviço mais económico.

Fonte: Computerworld, 5/12/2013

Quinta, 19 Dezembro 2013 12:14

O LIVRO SERÁ ETERNO?

Nunca se falou tanto do livro quanto nas duas últimas décadas. Isso coincidiu com a emergência da cultura digital, que justamente permitiu o salto da linguagem escrita do papel para as memórias dos computadores — e para as telas eletrônicas, as quais têm se multiplicado nos últimos anos: do desktop para o laptop, destes para os smartphones e, mais recentemente, para os i-pads e os tablets em geral.

Nesse contexto, a questão do livro veio à baila em função das inquietações e mesmo angústia diante do seu destino e de suas consequências sobre a leitura e a cognição.

Para contextualizar o problema no Brasil, é preciso considerar, antes de tudo, que vivemos em um país que, comprovadamente, não lê. Embora as vendas de livros possam ter aumentado, isso não muda essa constatação, à revelia daqueles que pretendem refutá-la. Hábitos de leitura não foram adquiridos e cultivados neste país.

A cultura do livro não chegou a se sedimentar no Brasil com a força que teve na Europa, por exemplo. Essa condição de carência foi atropelada pela emergência da cultura digital, que está tendo penetração intensa — tal como teve anteriormente (e continua tendo) a cultura de massas; em especial, a televisão. Segundo dados da revista Isto é, “os brasileiros são os que mais usam mídias sociais no mundo, superando países mais populosos como Estados Unidos, Índia e China”.

Mas quando falamos das redes digitais, do que é que estamos falando? Trata-se de um mundo extremamente complexo, com uma diversidade de faces. Por exemplo: as redes sociais, os blogs, as wikipedias, os serviços de busca que nos levam a quaisquer informações que buscamos, a deep web etc. Esta é uma terra de todos e de ninguém. Há nela tanto conteúdos preciosos quanto o lixo mais descartável. Certamente esse universo está gerando um novo tipo de leitor que chamo de imersivo e, agora, com os equipamentos móveis, esse leitor passou a ser ubíquo: leitor de prontidão em qualquer lugar e a qualquer hora.

Esse leitor é um prossumidor, num universo em que as posições entre autor e leitor são comutáveis. O leitor pode interferir, comentar sobre a informação que recebe e tem meios de se transformar em autor ele mesmo, pois há plataformas que facilitam isso. Os laços criados nas redes sociais são voláteis, pássaros voadores e migrantes. Quanto às informações que as redes trazem, elas variam entre trivialidades do cotidiano — quando as redes funcionam mais como fluxos de trânsito da afetividade — ou fornecem links de informação.

Os processos cognitivos desenvolvidos pelo leitor das redes, leitor que salta de uma informação hipermídia à outra, é bastante distinto dos processos cognitivos próprios da leitura do texto escrito. Quando falamos de livro, portanto, é ao texto escrito que estamos nos referindo. É preciso considerar que, nas condições atuais, o livro não se limita mais ao livro impresso em papel. Trata-se de um território que está se multiplicando em uma diversidade de possibilidades. Há vários formatos de livros digitais, desde a simples transposição do impresso ao digital, até os livros que exploram todo o potencial para a hipermídia e mistura de linguagens que o digital possibilita.

Creio que o mercado editorial está alerta a essa fase de transição que estamos atravessando, em que o livro impresso ainda continua vivo e vem se complementando com suas variadas formas digitais. Vivemos um momento em que, em todas as áreas de comunicação, devem ser encontradas estratégias para conviver com essa fase de transição entre o impresso e o digital.

A transposição do impresso ao digital, no caso do livro, não significa, como pensam alguns, que a cultura do livro encontrou o seu crepúsculo. Ao contrário, o que costumávamos chamar de livro impresso está agora se desdobrando em variadas formas de livros — formas imprescindíveis, pois seria impossível especializar-se em um assunto sem a continuidade e crescimento da complexidade da informação que o livro possibilita tão logo ele encontre um leitor concentrado. Isso é muito diferente das buscas que fazemos nas redes.

De fato, encontramos quase tudo que precisamos nas redes, mas desprovido de sistematização. Navegar pelas redes enseja outra forma de conhecimento. Ou a rede é meramente informativa para assuntos imediatos, ou, então, a informação fragmentada que ela nos fornece apenas ajuda a incrementar informações que obtemos em livros. Por isso mesmo, tanto quanto posso ver, o livro será eterno, especialmente para a informação especializada. Em suma, livros digitais continuam sendo livros e cumprindo funções que o livro sempre desempenhou; ou seja, livro é um modo específico de configuração da informação, esteja ele no impresso ou no digital.

Fica a pergunta: será que o desdobramento dos livros nos seus formatos digitais vai ajudar a superar a endêmica anemia para a leitura neste país? Embora não tenha muita esperança em relação a isso, dada a crescente calamidade da educação no Brasil, só o futuro poderá responder, na medida em que vontades políticas bem informadas e coerentes entrem em ação.

Na quarta-feira, 11 de dezembro, a Fundação Catarinense de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura, abriu processo de inscrição e seleção de propostas para a Modernização de Bibliotecas Públicas Municipais. A premiação é de R$ 50 mil em livros e mobiliário. Poderão participar municípios com até 10 mil habitantes. As inscrições vão até o dia 11 de fevereiro de 2014.

O edital prevê a seleção de 26 propostas que deverão levar em consideração os seguintes aspectos: oferecer as condições para o desenvolvimento humano e social; promover atividades de mediação da leitura; disseminar a informação de forma democrática e acessível; incentivar o interesse pelas artes e pelas ciências; estimular a integração da biblioteca com outras linguagens culturais; contribuir para a inclusão digital da população; e privilegiar, registrar e difundir a tradição da herança cultural da comunidade.

No dia 10 de março serão divulgados os municípios classificados. Para o presidente interino da Fundação Catarinense de Cultura, Valdir Walendowsky, “a promoção da leitura, principalmente para o público infantil, é a missão principal da biblioteca pública e por isso a importância desta parceria entre estado e União”. Santa Catarina possui, atualmente, 173 que poderão participar do concurso.

Quinta, 12 Dezembro 2013 16:36

O bibliotecário social

Estamos em 1970. Vagner, um estudante de pós-graduação de medicina, busca referências para seu trabalho de conclusão de curso. Sua primeira alternativa é consultar a biblioteca da Universidade e, com a ajuda da bibliotecária, consultar dezenas de livros até encontrar o conteúdo que busca. Em uma sala da biblioteca da Universidade, era quase impossível ver Vagner debaixo da pilha de livros, batendo citações na máquina de escrever emprestada por seu orientador.

Leia o texto completo: http://www.americalatina.elsevier.com/sul/elseviernews/21/pt/4.pdf

Quinta, 28 Novembro 2013 11:48

I ENCONTRO DO GRUPO DE PESQUISA XI WICI

APRENDIZAGEM, COMPORTAMENTO & LETRAMENTO INFORMACIONAL

06/12/2013 – SEXTA-FEIRA LOCAL: SALA 11 – FCI/UNB

 

PROGRAMAÇÃO

8h15 – Abertura:

Cenários e possibilidades de pesquisas em Aprendizagem,

Comportamento & Letramento Informacional

Profa. Kelley Cristine Gonçalves Dias Gasque (UnB)

Profa. Janaina Ferreira Fialho (UFG)

Profa. Fernanda Monteiro de Souza (UnB)

Profa. Isabel Cristina Michelan de Azevedo (UFS)

Profa. Ana Valéria Mendonça. (UnB)

10h45 – Apresentação de pesquisas finalizadas:

Dra. Shirley G Pimenta e Ms. Andréa Carla Marques

11h30 – Comunicações de pesquisa em Andamento

Ms. Anderson Messias Nascimento, Ms.Eleonora Stanziona

Viggiano, Ms.Leila Ribeiro e os mestrandos Flor Silvestre Estela e

Murillo Macedo.

Uma palestra que explica porque usar nossas imaginações e providenciar para que outros utilizem as suas, é uma obrigação de todos os cidadãos

pelo The Guardian, em 15/10/2013

Neil Gaiman
"Temos a obrigação de imaginar..." Neil Gaiman dá uma palestra anual à Reading Agency sobre o futuro da leitura e das bibliotecas. Fotografia: Robyn Mayes.

É importante para as pessoas dizerem de que lado elas estão e porque, e se elas podem ou não ser tendenciosas. Um tipo de declaração de interesse dos membros. Então eu estarei conversando com vocês sobre leitura. Direi à vocês que as bibliotecas são importantes. Vou sugerir que ler ficção, que ler por prazer, é uma das coisas mais importantes que alguém pode fazer. Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.

E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: eu sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos eu tenho ganhado a minha vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.

Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E eu sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.

E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.

E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.

Uma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças de 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.

Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.

E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. As pessoas alfabetizadas leem ficção.

A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma droga que é uma porta para leituras. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar... Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave. Houve um burburinho brevemente há alguns anos atrás sobre a idéia de que estávamos vivendo em um mundo pós-alfabetizado, no qual a habilidade de fazer sentido através de palavras escritas estava de alguma forma redundante, mas esses dias acabaram: as palavras são mais importantes do que jamais foram: nós navegamos o mundo com palavras, e uma vez que o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. As pessoas que não podem entender umas às outras não podem trocar idéias, não podem se comunicar e apenas programas de tradução vão tão longe.

A forma mais simples de ter certeza de que educamos crianças alfabetizadas é ensiná-los a ler, e mostrarmos a eles que a leitura é uma atividade prazerosa. E isso significa, na sua forma mais simples, encontrar livros que eles gostem, dar a eles acesso a estes livros e deixar que eles os leiam.

Eu não acho que exista algo como um livro ruim para crianças. Vez e outra se torna moda entre alguns adultos escolher um subconjunto de livros para crianças, um gênero, talvez, ou um autor e declará-los livros ruins, livros que as crianças devem parar de ler. Eu já vi isso acontecer repetidamente; Enid Blyton foi declarado um autor ruim, RL Stine também, assim como dúzias de outros. Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo.

É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, por que cada criança é diferente. Eles podem encontrar as histórias que eles precisam, e eles levam a si mesmos nas histórias. Uma idéia banal e desgastada não é banal nem desgastada para eles. Esta é a primeira vez que a criança a encontrou. Não desencoraje uma criança de ler porque você acha que o que eles estão lendo é errado. A ficção que você não gosta é uma rota para outros livros que você pode preferir. E nem todo mundo tem o mesmo gosto que você.

Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros 'chatos mas que valem a pena' que você gosta, os equivalentes "melhorados" da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.

Precisamos que nossas crianças entrem na escada da leitura: qualquer coisa que eles gostarem de ler irá movê-las, degrau por degrau, à alfabetização. (Além disso, não faça o que eu fiz quando a minha filha de 11 anos estava gostando de ler RL Stine, que foi pegar uma cópia de Carrie do Stephen King e dizer que se você gosta deste, adorará isto! Holly não leu nada além de histórias seguras de colonos em pradarias pelo resto de sua adolescência e até hoje me dá olhares tortos quando o nome de Stephen King é mencionado).

E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.

Empatia é uma ferramenta para tornar pessoas em grupos, que nos permite que funcionemos como mais do que indivíduos auto-obcecados.

Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto:

O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.

Eu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele "Por que? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?". É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google, e eles perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E eles descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve. E uma vez que você tenha visitado outros mundos, como aqueles que comeram a fruta da fada, você pode nunca mais ficar completamente satisfeito com o mundo no qual você cresceu. Descontentamento é uma coisa boa: pessoas descontentes podem modificar e melhorar o mundo, deixá-lo melhor, deixá-lo diferente.E enquanto ainda estamos nesse assunto, eu gostaria de dizer algumas palavras sobre escapismo. Eu ouço o termo utilizado por aí como se fosse uma coisa ruim. Como se ficção "escapista" fosse um ópio barato utilizado pelos confusos e pelos tolos e pelos desiludidos e a única ficção que seja válida, para adultos ou crianças é a ficção mimética, espelhando o pior do mundo em que o leitor ou a leitora se encontra.

Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal, e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades e conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.

Como JRR Tolkien nos lembrou, as únicas pessoas que fazem injúrias contra o escape são prisioneiros.

Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.

Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler, e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série, eles ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.

Mas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.

Eu me preocupo que no século XXI as pessoas entendam errado o que são bibliotecas e qual é o propósito delas. Se você perceber uma biblioteca como estantes com livros, pode parecer antiquado e datado em um mundo no qual a maioria, mas não todos, os livros impressos existem digitalmente. Mas pensar assim é errar o ponto fundamentalmente.

Eu acho que tem a ver com a natureza da informação. A informação tem valor, e a informação certa tem um enorme valor. Por toda a história humana, nós vivemos em escassez de informação e ter a informação desejada era sempre importante, e sempre valia alguma coisa: quando plantar sementes, onde achar as coisas, mapas e histórias e estórias – eles eram sempre bons para uma refeição e companhia. Informação era uma coisa valorosa, e aqueles que a tinham ou podiam obtê-la podiam cobrar por este serviço.

Nos últimos anos, nos mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.

Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em serem livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à ebooks, e audio-livros e DVDs e conteúdo na web.

Uma biblioteca é um lugar que é um repositório de informação e dá a cada cidadão acesso igualitário a ele. Isso inclui informação sobre saúde. E informação sobre saúde mental. É um espaço comunitário. É um lugar de segurança, um refúgio do mundo. É um lugar com bibliotecários. Como as bibliotecas do futuro serão é algo que deveríamos estar imaginando agora.

Alfabetização é mais importante do que nunca, nesse mundo de mensagens e e-mail, um mundo de informação escrita. Precisamos ler e escrever, precisamos de cidadãos globais que possam ler confortavelmente, compreender o que estão lendo, entender as nuances e se fazer entender.

As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.

De acordo com um estudo recente feito pela Organisation for Economic Cooperation and Development, a Ingaterra é o "único país onde o grupo de mais idade tem mais proficiência tanto em alfabetização quanto em capacidade de usar ou entender as técnicas numéricas da matemática do que o grupo mais jovem, depois de outros fatores, tais como gênero, perfis sócio-econômicos e tipo de ocupações levados em consideração".

Colocando de outro modo, nossas crianças e netos são menos alfabetizados e menos capazes de utilizar técnicas de matemática do que nós. Eles são menos capazes de navegar o mundo, de entendê-lo e de resolver problemas. Eles podem ser mais facilmente enganados e iludidos, serão menos capazes de mudar o mundo em que se encontram, ser menos empregáveis. Todas essas coisas. E como um país, a Inglaterra ficará para trás em relação a outras nações desenvolvidas porque faltará mão de obra especializada.

Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.

Eu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.

Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.

Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.

Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.

Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.

Nós escritores – e especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras, especialmente importantes quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – entender que a verdade não está no que acontece mas no que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal. Temos a obrigação de não entediar nossos leitores, mas fazê-los sentir a necessidade de virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é uma estória que eles não são capazes de parar de ler. E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.

Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.

Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.

Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.

Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.

Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia. "Se você quer que crianças sejam inteligentes", ele disse, "leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas". Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.

• Esta é uma versão editada da palestra do Neil Gaiman para a Reading Agency, realizada dia 14 de outubro de 2013 (segunda-feira) no Barbican em Londres. A série anual de palestras da Reading Agency começou em 2012 como uma plataforma para que escritores e pensadores compartilhassem ideias originais e desafiadoras sobre a leitura e as bibliotecas.


Estão abertas as inscrições para o Curso Rumo a uma cultura de acesso à informação: a Lei 12.527/2011.

O curso será disponibilizado pela Escola Virtual da Controladoria Geral da União (CGU) e tem como objetivo apresentar uma visão geral sobre a Lei de Acesso à Informação (LAI), abordando o marco teórico conceitual e a cultura de transparência e acesso à informação pública. 

A iniciativa integra um amplo processo de sensibilização e capacitação sobre a Lei de Acesso e o direito constitucional de acessar informações públicas dos órgãos e entidades federais, estaduais, distritais e municipais dos três Poderes. 

O curso será oferecido integralmente pela internet, entre 14 a 28/11 /2013, com carga horária de 10 horas. As vagas são limitadas.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas diretamente no link http://escolavirtual.cgu.gov.br/ead/ até o dia de hoje, 12/11/2013.

Equipe de Monitoramento da LAI
Controladoria-Geral da União

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